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O esperto, o sábio e o burro
Não faça como o Orelha, aprenda com seus próprios erros e com o dos outros!
04/05/2021 10:05 - 4.485 visualizações - 17 comentários
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Você sabe qual a diferença entre o esperto, o sábio e o burro? Pode ficar tranquilo, não tem nenhuma relação com grávidas, postes e bambus.


A diferença principal entre esses três é que o esperto aprende com os próprios erros, o sábio com o erro dos outros e o burro, esse não aprende de jeito nenhum.


Ao longo dos anos eu dei MUITO murro em ponta de faca no nosso querido Magiquinho competitivo. Testava muito sozinho, sempre caindo e levantando até que aprendia(ou achava que tinha), jogando com decks de qualidade duvidosa sem feedback algum no pós torneio além das minhas próprias experiências. Eu sofri muito para aprender algumas coisas(e continuo sofrendo até hoje), no artigo de hoje vou te mostrar os morros que tive que subir à toa e te ensinar onde fica o elevador para chegar ao topo sem se cansar ou desgastar de maneira desnecessária.

 


Eu comecei a jogar Magic em 2007, mas foi só em 2009 que tive contato com pessoas fora do meu grupo de jogo, num shopping, onde a galera se reunia. No começo eu não gostava que dessem palpites sobre meu deck, um BGW Ents na época, dizendo que dava para melhorar assim e assado. Eu jogava torneios com o deck, tomava uma coça lendária e voltava para casa achando que nada diferente podia ser feito.


Demorei quase um ano para encontrar umas pessoas que pudesse chamar de amigo, amigos esses que tinham muito mais experiência que eu e que puderam me ensinar muitos conceitos que eu aplicava de maneira errada. Depois da ajuda eu comecei a fazer 2-2, um resultado mediano, mas que era ótimo para quem fazia sempre 1-3 ou 0-4.


Um dos piores erros que você pode cometer é não aceitar feedback de seus amigos, ou até mesmo de seus oponentes. É muito importante ter um ponto de vista diferente do que nós temos. Alguns decks estão muito perto de sua lista “ideal”, mas seus vícios de jogo acabam te forçando a jogar com uma lista que se adapte melhor ao SEU jeito de jogar invés da melhor maneira possível para aquela lista. Uma vez que outra pessoa, sem seus vícios e sem sua experiência específica, venha comentar algo, ela pode te trazer uma informação valiosíssima e que resolve os pontos fracos que você não conseguia arrumar.


É claro que não estou te dizendo para levar em consideração todas as opiniões sobre seus decks ou jogadas, mas pelo menos CONSIDERE que você está errado ou que a outra pessoa possa estar certa, te garanto que sua visão de jogo vai melhorar bastante com o aprendizado, nem que seja para explicar o porquê aquela pessoa está errada naquilo que falou.

 

Um outro erro gigantesco que você pode cometer(e que eventualmente vai acabar cometendo, até prós caem nesse abismo às vezes) é jogar com listas sem embasamento teórico. O que isso quer dizer?


Lembra quando fiz os artigos sobre os 16 macro arquétipos do Magic? Quando você pensa em um arquétipo, é importantíssimo saber qual é sua postura de jogo.
 

Você não vai colocar um Guia Goblin num UR Control, é contraproducente. Um Control não vai querer sair atacando no primeiro turno, geralmente, ele prefere estabilizar a mesa antes de começar a agredir. Com isso em mente, é mais fácil montar uma lista para jogar, mesmo que você nunca tenha jogado com aquela estratégia. Claro, você pode errar sua previsão mesmo tendo jogado com arquétipos similares, sempre pode acontecer, mas quando você toma uma decisão com embasamento teórico, a chance de ser algo errado é bem menor do que tentar algo repentinamente e sem nenhuma base comprovada.


Quando monto meus decks para torneios(qualquer torneio, de FNM à PTQ) eu calculo os decks do formato e penso como meu deck pode combatê-los, e só depois disso que eu começo a montar meu side, caso contrário eu posso estar usando 10 cartas de side contra um deck só e faltar slots contra partidas mais comuns do field, me deixando desfavorecido ao longo do torneio.


Eu quero Caminho para o Exilio contra decks com criaturas, se meu deck não se importa com criaturas, ou pelo menos não a maioria delas(Ex: Storm) não tem o porque usar removals em seu baralho, por mais que o Path seja uma carta boa.

 

E por último, provavelmente o maior erro que eu cometo e venho cometendo frequentemente no Magic: Jogar de Death and Taxes treinar sozinho.


MAS ORELIA, É IMPOSSÍVEL TREINAR SOZINHO!


Ah, não é impossível não, inclusive, é bem comum no mundo do Magic.


Treinar sozinho não quer dizer, necessariamente, ficar jogando com a parede e considerar isso um treino, também consiste em aproveitar seus dados(% de vitória contra determinados decks, resultados de torneios) completamente sozinho, seja isso IRL ou Online. 


Claro que é possível treinar sozinho, eu e outros milhares de jogadores já obtiveram bons resultados com um treino “individual”, mas te garanto que fazer isso em equipe é bem melhor.


Sabe o feedback que conversamos ali em cima? Então, o feedback é um dos pontos principais da equipe. Podem te dar um outro ponto de vista sobre seu deck e suas jogadas, abrindo seus olhos e provando que, para aquele torneio, talvez não seja uma boa ir de Mono Green Saprófitas.


Numa equipe de 3 ou mais pessoas, é possível jogar uma partida 2 contra 1, onde dois jogadores discutem as jogadas para aumentar sua taxa de acerto enquanto o outro joga sozinho. É incrível a quantidade de linhas de jogo que duas ou mais pessoas podem chegar a partir da mesma jogada, e cada uma pode te ensinar alguma coisa importante sobre aquela partida ou até mesmo sobre Magic em geral.

 

Magic é uma experiência a ser vivida por duas ou mais pessoas(não confundir com poliamor), mesmo que você não esteja numa mesa de campeonato, a interação com outros jogadores é crucial. Se é importante interagir para saber quando e onde será aquele campeonato que você ficou sabendo hoje, imagina um treino árduo antes de um torneio importante?


Durante a minha vida toda eu raramente fui o sábio, normalmente era o esperto, após muita sofrência, mas pelo menos aprendia. Se tinha uma coisa que eu jamais quis ser, em nenhuma área, era o burro, e espero que você aprenda com meus erros e também com os seus.

 

É isso aí galerinha, vou ficando por aqui e deixando meu jabá de sempre, cola na minha Twitch e no meu Youtube para vídeos e lives 2x por semana sobre os mais variados temas! Um abraço do Orelha e se cuidem!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
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- 06/05/2021 22:36
Excelente artigo como sempre. Compactuo com cada palavra mas as vezes rola um lance de intuição que não me deixa sossegar. Certa vez num treino antes de um grande open da minha região levei pau de todo mundo com um boros prison e a galera inteira dizendo pra não ir com o deck. Fui msm assim e simplesmente fiz 7-0 campeão do suisso num torneio nível competitivo combos melhores players da região sul fluminense. Foi incrível..

Mas claro que eu não cheguei lá sozinho e de certa forma num jogo do tamanho do magic a gente sempre aprende um novo truque ou dois
(Quote)
- 06/05/2021 20:13

Nossa, demais. Eu ontem joguei com um amigo pra ensinar ele um pouco de mtg porque ele queria começar, e a gente usou o Tabletop Simulator + Discord. Foi INFINITAMENTE mais legal que todo o tempo que eu passei no Arena. A gente conversou, eu dei uns toques, ele fez perguntas, deu pra sentir que tinha alguém de verdade ali.
(e no TbTp é tudo manual, o que pra mim só deixou mais maneiro porque lembrou o irl)

(Quote)
- 06/05/2021 20:11

Cara, várias vezes eu vi uma lista legal e não tinha nem como pedir pra ver depois do jogo, nem elogiar a lista do maluco. Só podia mandar um "nice!" que sempre soa escroto pra cacete

(Quote)
- 05/05/2021 15:16
Lindo como sempre.
(Quote)
- 05/05/2021 10:41

Sim, o ruim do MTGA é justamente não ter um chat, não que o Mol seja o ápice da interação, mas tem alguma coisa.

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