Load or Cast
Magic e a Responsabilidade Social
Uma reflexão sobre Responsabilidade Social e o Magic
11/02/2021 10:05 - 8.375 visualizações - 195 comentários
Load or Cast

Saudações planinautas, em nossa jornada de hoje, abrangemos um assunto bastante curioso sobre a responsabilidade social. Se você aspira a desenvolver, ou já desenvolve conteúdo para Magic, seja com canal de Youtube, streaming ou qualquer que seja a mídia que seja adotada, então espero que este artigo te ajude e oriente sobre alguns posicionamentos.


Então let’s rock!

 

O que é responsabilidade social?

 

 

Vamos começar falando um pouco da história desse termo que, embora pareça novo, já existe no ambiente empresarial há alguns anos. Basicamente, responsabilidade social é quando uma empresa contribui voluntariamente para a sociedade e para o meio ambiente ao qual pertence, proporcionando uma melhor qualidade de vida para o seu meio.


Com o advento da globalização, as empresas não podiam continuar trabalhando e vendendo sua marca como antigamente, visto que hoje temos um público consumidor muito mais exigente e que exige posicionamento da empresa com situações externas. A empresa não pode simplesmente negar que sua escolha não vá interferir ou influenciar o ambiente externo.


E não é somente a questão da exigência que aumentou, mas também as expectativas quanto à determinada marca. O consumidor quer saber, e ter certeza, que a marca que consome não é responsável por destruir o ambiente em que vive. Quando a população começou a perceber que os maiores danos causados ao ambiente provinham das empresas que tanto amavam, surgiu a necessidade de cobrar posicionamento das mesmas.


Assim nasceu a responsabilidade social.


Os primeiros estudos que tratam da responsabilidade social tiveram início nos Estados Unidos, na década de 50, e na Europa, nos anos 60. As primeiras manifestações sobre este tema surgiram em 1906, porém essas não receberam apoio, pois foram consideradas de cunho socialista. Somente na década de 70 é que a responsabilidade social tornou-se um campo de estudo, pois algumas associações profissionais se interessaram pelo assunto, desligando a ideia do viés político socialista.

 

Tipos de responsabilidade social

 

Existem três tipos de responsabilidade social: social corporativa, social socioambiental e social empresarial.


Para nosso contexto abordaremos a responsabilidade social empresarial.


A responsabilidade social empresarial pode ser aplicada ao universo de Magic visto que trata do envolvimento do público interno (você, sua marca, loja e etc.) e os stakeholders (stakeholders são os fornecedores da empresa, neste caso será o seu público alvo). Este tipo de responsabilidade visa reduzir o impacto negativo que a atividade empresarial exerce na comunidade e no meio ambiente.


Em outras palavras: você é responsável por posicionamentos negativos oriundos da sua comunidade!

 

 

Se você, como digital influencer, adota postura negativa (seja lá qual for, racista, preconceituosa ou terraplanista) e acha que ela não influencia sua comunidade porque cada um pensa por si só, então meu amigo, ou você não sabe o que significa ser um digital influencer ou é um péssimo influencer.


Se você prega ódio a quem joga de azul (quem nunca?) É claro que uma enorme parcela das pessoas que te seguem pensará da mesma forma. Se existe um público que te segue é porque gostam de te ouvir, suas palavras soam bem aos seus ouvidos e por lógica, o que você argumenta ganha mais peso do que dos outros.


Aplicar a responsabilidade social empresarial significa que você adotará uma postura comportamental com maior transparência, ética e valores à sua comunidade.

 

E por que devo fazer isso?


Pelo simples fato que a comunidade é seu reflexo. É impossível você separar o joio do trigo.

 

E por falar em joio e trigo, aqui vai uma novidade para você, meu caro amigo jogador: se você segue gente tóxica, então você é conivente com as práticas.


“Ah, mas eu sigo o fulano por causa do gameplay. Porque os decks deles são os melhores.”


Eu já presenciei casos assim e para esse tipo de situação, eu tenho dois conselhos: comece a cobrar seu produtor de conteúdo para que tenha outra postura; se isso não funcionar, procure outro criador de conteúdo.

 

 

O Multiverso é amplo e acredito que você encontrará gente qualificada e que se preocupa tanto com o jogo quanto com a ética.

 

E quem não é produtor de conteúdo?


Se você não produz nem pensa em produzir, talvez esteja pensando que esse artigo não lhe diz respeito. Ainda que você não faça parte desse universo de produção de conteúdo, você também tem responsabilidade social, que é a responsabilidade como jogador.


Sendo a responsabilidade social um reflexo de como a empresa lida com seu meio ambiente, dentro do jogo a situação não difere muito porque basta trocar a ideia de ambiente social para seu ambiente de jogo.


Se o seu LGS (Local Game Store) é um ambiente horrível de se jogar, já parou para pensar que, às vezes, você contribui para isso? Eu acredito que, todo jogador de Magic, seja profissional ou não, em algum momento se torna uma espécie de influencer dentro do jogo.


Quando você começa ensinar alguém a jogar, automaticamente você é o influencer daquela pessoa. Ainda mais se ela é bem mais nova que você, então é perfeitamente natural que o jovem admire o mais velho.


Se você é um ótimo jogador, mas sua postura para com os demais da mesa é terrível, isso te torna um influencer também – um péssimo influencer, mas ainda assim – e aqueles que gostam do seu deckbuild ou gameplay, seguirão sua postura.

 

Usarei um exemplo prático, simples e de cunho pessoal para ilustrar isso.

 

 

Quando parti para o Commander, isso em meados de 2014, a pessoa que me acolheu era extremamente tóxica. Demais! Praticamente quase ninguém gostava dele ou de jogar com ele, porém eu não percebia isso – porque eu gostava do gameplay – e a influência dele sobre mim era bem forte. Automaticamente comecei a ter as mesmas posturas dele quanto ao formato. Nessa época jogávamos mais o duel e, assim como esse indivíduo, eu desprezava o mesão. Decks aggros eram vistos como decks idiotas que não precisavam de técnica para jogar porque qualquer “macaco” conseguia jogar com esse tipo.


Levou algum tempo até começar a pensar fora da caixinha e mudar minha atitude. 


Magic é um tipo de jogo que é praticamente impossível se desvencilhar do contexto social. Além de cartas, você interage com todo tipo de indivíduo com todo tipo de mentalidade e isso reflete, e muito, dentro do ambiente de jogatina. 


Eu torço para que este artigo te ajude a enxergar seu posicionamento dentro da comunidade e te oriente sobre como dar os primeiros passos para uma postura mais ética e socialmente melhor. 


Tanto a comunidade quanto o jogo agradecem e você só colherá bons frutos disso.

Leandro Dantes ( Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 22/02/2021 13:14

A única birra que tem aqui é a sua de querer fingir estar certo. O conceito de responsabilidade social não diz nada sobre não poder ter lucros ou criminalizar os lucros. Quando você fala que obsolescência programada é palavra de apelo emocional, é burrice mesmo, pois nem entende o conceito. Ao comparar com TV de tubo só confirma que não sabe sobre o conceito, mas não se envergonha em responder falando que é birra infantil minha, que eu quero que a empresa vire instituição de caridade. Nunca falei isso, mas o máximo que sua inteligência consegue fazer é isso, falar besteira.

Assim como "no Magic ser competitivo é diferente de outros esportes". Não é. Tá cheio de gente que disputa corridas e mora na favela, corre na rua, não gasta nada do que você fala. Vira e mexe tem reportagem sobre essas pessoas. Mas como você é incapaz de entender algo como obsolescência programada, você acha que essa comparação que você fez cola. Deve colar nos grupos de tiozão do WhatsApp que você participa.

No fundo, sabia que era inútil tentar responder, mas fui inocente em tentar te dar crédito. Você é burro, acha que qualquer crítica ao modelo de negócio de uma empresa é porque o cara é comunista e quer que a empresa dê as coisas de graça. Vai pros grupos de WhatsApp discutir com gente desse quilate, gente que acha responsabilidade social é coisa de comunista só porque tem a palavra social no termo. Vai se tratar. O que você acrescentou ao tema de responsabilidade social? Veio aqui negar a necessidade e falar que quem acha que é um tema a ser discutido é um bobalhão que quer que a WotC vire uma instituição de caridade e dê cartas de graça.

No fim, você só se mostrou ter baixo QI por ignorar completamente o que os conceitos discutidos são e achar que comparações totalmente descabidas e errôneas são válidas numa discussão; e mostrou ter baixíssimo preparo emocional, por ficou todo invocadinho por ler termos como "social" e "abusivo" e tudo que tem pra dizer nesse caso é que quem usa esses termos odeia empresa, odeia lucro e odeia capitalismo. Parabéns por gastar tanto tempo para mostrar que você é isso.

(Quote)
- 19/02/2021 00:12

"Jogo competitivo não quer dizer profissional. Não são sinônimos. Se você entendeu isso, é por problemas com o idioma. Não vale agora querer distorcer o sentido do que eu disse pra fingir que você está certo. É ponto pacífico que você quis comparar coisas Incomparáveis, e está errado." - no Magic é. Hobbista não é competitivo. Como falei, competitivo entende-se o cara que quer entrar para ganhar. Nesse sentido, vai ter que gastar dinheiro, seja em qualquer esporte.

"Os "welcome decks" são bons o suficiente para a pessoa jogar com quem está lá, ou é só pra aprender o jogo e depois, se o cara quiser jogar de verdade, tem que gastar? Se a pessoa vai conseguir jogar de igual pra igual com a galera na loja pra sempre com o welcome deck, então você estaria certo, mas todos sabemos a verdade. Vide o número de reclamações de pessoas com a lista de cartas banidas, que perderam dinheiro e agora vão ter que montar novos decks. Pode ter certeza que a maioria lá, que perdeu dinheiro, nunca pensou em gastar com hospedagem e viagem pra jogar campeonato nacional ou internacional, e mesmo assim está reclamando do dinheiro que perdeu montando um deck competitivo no formato. Logo, nem de longe se compara ao problema do cara que joga xadrez ou banco imobiliário." - Nisso eu concordo com você, que os banimentos estão acontencendo toda hora. Mas, como eu falei, quem quer jogar para valer, tem que estar ciente desses riscos. Eu mesmo abandonei o MtG por um tempo, pois está difícil manter o ritmo.

(Quote)
- 19/02/2021 00:04

"Obsolescência programada é considerado antiético, e é o que a WotC faz. Seja por regra de formato ou simplesmente por lançar cartas novas que são muito melhores que as antigas, ou mesmo banindo certas cartas. O jogo muda regras e conceitos simplesmente pra vender mais cartas. "Evolução do jogo" é um ardil, vê se algum outro jogo de tabuleiro precisa disso? Mesmo assim muitos vendem milhões todos os anos. Mas o Magic não se sustenta só pela "genialidade do design" do jogo, tem que fazer a pessoa comprar milhares de cartas lixo pra conseguir as 1000 que ele vai usar, e contar com a sorte. Aí você vai falar "por que não compra single?". A resposta é: se alguém não comprou e vendeu a carta, não tem como comprar "single"." - Aqui que está o ponto, camarada. Se for pensar por esse lado da "obsolescência programada" (novamente palavra com apelo emocional e que não reflete a realidade), estaríamos ainda nos aos 50, com tvs de tubo e com carros de 50cv. As coisas precisam evoluir e a empresa precisa inovar e ganhar dinheiro. Como falei, é pura birra infantil sua, querendo que a empresa vire instituição de caridade.
"Agora, quem acha que empresa tem que fazer o que quiser, tem todo o direito de pensar assim, mas não deveria estar numa conversa de responsabilidade social." - a empresa já faz seu papel: gera empregos diretos e indiretos, paga impostos e criou uma comunidade em torno de um hobby. O resto é querer achar pelo em ovos.
"A WotC também poderia dar reprint nas cartas que não são do formato atual para que quem quer se divertir com o jogo e gosta tenha possibilidade, sem recorrer a Proxy, que é falsificação. Mas eles não estão preocupados com a diversão do público geral. O foco deles é nos "whales" que gastam uma fortuna por ano, inclusive aqueles cujo objetivo é tentar ganhar dinheiro com valorização de carta, e não pelo jogo." - mas ela já está fazendo isso.
"Agora se você vai dar showzinho na conversa tentando ridicularizar quem criticou a empresa que você quer defender incondicionalmente com mentiras, você está sendo tanto tolo quanto tóxico. Aproveite seu tempo para fazer algo mais útil, como por exemplo, aprender a ler antes de responder." - Não defendo a empresa, pois eu concordo que tem algumas merdas que eles fazem, mas sim o direito de fazer lucro, que virou uma palavra proibida nesse país chamado Brasil. As pessoas acham que empresas são igual o Estado, que precisa dar tudo para elas, como se fosse pai ou mãe delas. Enfim, se quer tanto "pensar no social", abra sua própria empresa de cartas e faça do jeito que achar melhor. Foda é quere dar palpite na empresa alheia, sem conhecimento de causa.

(Quote)
- 18/02/2021 13:59

Jogo competitivo não quer dizer profissional. Não são sinônimos. Se você entendeu isso, é por problemas com o idioma. Não vale agora querer distorcer o sentido do que eu disse pra fingir que você está certo. É ponto pacífico que você quis comparar coisas Incomparáveis, e está errado.

Os "welcome decks" são bons o suficiente para a pessoa jogar com quem está lá, ou é só pra aprender o jogo e depois, se o cara quiser jogar de verdade, tem que gastar? Se a pessoa vai conseguir jogar de igual pra igual com a galera na loja pra sempre com o welcome deck, então você estaria certo, mas todos sabemos a verdade. Vide o número de reclamações de pessoas com a lista de cartas banidas, que perderam dinheiro e agora vão ter que montar novos decks. Pode ter certeza que a maioria lá, que perdeu dinheiro, nunca pensou em gastar com hospedagem e viagem pra jogar campeonato nacional ou internacional, e mesmo assim está reclamando do dinheiro que perdeu montando um deck competitivo no formato. Logo, nem de longe se compara ao problema do cara que joga xadrez ou banco imobiliário.

Obsolescência programada é considerado antiético, e é o que a WotC faz. Seja por regra de formato ou simplesmente por lançar cartas novas que são muito melhores que as antigas, ou mesmo banindo certas cartas. O jogo muda regras e conceitos simplesmente pra vender mais cartas. "Evolução do jogo" é um ardil, vê se algum outro jogo de tabuleiro precisa disso?
Mesmo assim muitos vendem milhões todos os anos. Mas o Magic não se sustenta só pela "genialidade do design" do jogo, tem que fazer a pessoa comprar milhares de cartas lixo pra conseguir as 1000 que ele vai usar, e contar com a sorte. Aí você vai falar "por que não compra single?". A resposta é: se alguém não comprou e vendeu a carta, não tem como comprar "single".

A WotC também poderia dar reprint nas cartas que não são do formato atual para que quem quer se divertir com o jogo e gosta tenha possibilidade, sem recorrer a Proxy, que é falsificação. Mas eles não estão preocupados com a diversão do público geral. O foco deles é nos "whales" que gastam uma fortuna por ano, inclusive aqueles cujo objetivo é tentar ganhar dinheiro com valorização de carta, e não pelo jogo.

Agora, quem acha que empresa tem que fazer o que quiser, tem todo o direito de pensar assim, mas não deveria estar numa conversa de responsabilidade social.

Inclusive, você pode fumar também, não é proibido e é problema seu, mas tem que saber que numa conversa de responsabilidade social, a empresa que fabrica o cigarro que você fuma vai ser criticada duramente.

Agora se você vai dar showzinho na conversa tentando ridicularizar quem criticou a empresa que você quer defender incondicionalmente com mentiras, você está sendo tanto tolo quanto tóxico. Aproveite seu tempo para fazer algo mais útil, como por exemplo, aprender a ler antes de responder.

(Quote)
- 17/02/2021 22:28

hahahaha. Você claramente escreveu "EXCLUI DO JOGO COMPETITIVO". Jogo competitivo entende-se o cara que quer levar o esporte a sério e jogar profissionalmente. Jogar na esquina com os amigos não é ser competitivo e sim ser casual. E as lojas dão os welcome decks para quem quer jogar, introduzindo novatos ao jogos, mostrando que o jogo não é excludente, da forma que você quis passar.
"Onde está escrito no meu argumento original que eu acho que a WotC tem que dar cards de graça, que tem que deixar de ser uma empresa? Então sua conclusão só mostra como você não sabe sequer interpretar um texto." - bem, você usa palavras como antiético e exploratório, ficando subentendido que a empresa está errada em fazer seu dinheiro. Eu queria ver quais suas soluções para resolver esses "problemas". Vamos lá.

Últimos artigos de Leandro Dantes
Explorando seu Potencial
A ideia de focar certo envolve autoconhecimento
2.942 views
Explorando seu Potencial
A ideia de focar certo envolve autoconhecimento
2.942 views
Há 11 dias — Por Leandro Dantes
Kamigawa parte II
Kamigawa: tribos e folclore
4.046 views
Kamigawa parte II
Kamigawa: tribos e folclore
4.046 views
02/04/2021 10:05 — Por Leandro Dantes
Magic e o Flow
Talvez você nunca tenha ouvido falar disso, mas é certeza que já tenha experimentado isso.
4.091 views
Magic e o Flow
Talvez você nunca tenha ouvido falar disso, mas é certeza que já tenha experimentado isso.
4.091 views
25/03/2021 10:05 — Por Leandro Dantes
Por detrás das cenas
CRIANDO O MUNDO DE KAMIGAWA
3.866 views
Por detrás das cenas
CRIANDO O MUNDO DE KAMIGAWA
3.866 views
05/03/2021 10:05 — Por Leandro Dantes
Jeska
Renascida três vezes
5.586 views
Jeska
Renascida três vezes
5.586 views
08/01/2021 10:05 — Por Leandro Dantes