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Não caia em carta armadilha
Algumas cartas podem te prejudicar tanto no deckbuilding quanto no gameplay, entenda como identificá-las e não sofrer para essa armadilha.
01/12/2020 10:05 - 7.308 visualizações - 10 comentários
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Hoje vou te ensinar a contornar as cartas armadilha e se tornar um jogador profissional de Yu Gi Oh. MENTCHIIIIRA.

 

Eu me lembro que, quando comecei a jogar Magic, existiam mais de 12 mil cartas únicas, ignorando reprints da mesma carta em diferentes edições, hoje temos mais de 20 mil cartas diferentes. 20 k de carta é coisa pra caramba, e mesmo sendo mais fácil reduzi-las em “jogáveis e não jogáveis” ainda há uma gama muito grande de opções. E onde há opção, existe a chance de errar.


Cada deck tem um leque de opções para os mesmos slots, por exemplo, o Valakut pode usar Explorar, Busca Longinqua, Anciao da Tribo Sakura e Crescimento Exuberante no mesmo slot de ramp custo 2, cada com com seus upsides e downsides, no entanto, se você conhecer o suficiente sobre o deck saberá que o Crescimento Exuberante não é uma boa opção pois seus drawbacks são bem maiores que os das outras cartas de mesmo custo, eliminando-o automaticamente da competição. 


E, assim como no Valakut, todos os decks passam pelo “processo seletivo” de cartas com efeitos similares aos que já existente, e hoje vamos falar justamente sobre as cartas que são uma armadilha: cartas que parecem ótimas mas que fazem muito menos que prometem, consumindo um slot, muitas vezes, de maneira desnecessária.

 

Ao meu ver, existem 3 tipos de carta armadilha: a que faz algo de maneira inferior à outro efeito já existente, a que parece muito interessante mas na prática não faz nada, e a carta que é boa, mas que na hora errada se torna uma armadilha.

 

 

A primeira é aquela carta que parece boa, mas que existe algo que tem um efeito similar e o faz de maneira superior(pelo menos para a sua proposta).


Um bom exemplo é o Trofeu do Assassino no Jund. A carta é realmente boa e mata tudo, no entanto, ela brilha contra Big Manas e é bem medíocre contra aggros e decks onde as permanentes custam 3 ou menos. Não é que o Trophy seja ruim no Jund, mas devido ao fato de Big Mana ser uma Matchup bem ruim, ou você carrega seu deck para ganhar essa partida(múltiplos Trophy, vários Seize, infinitas Ashiok e Fulminator) ou o drawback de rampar do Trophy vai te prejudicar mais que ajudar quando você não estiver enfrentando um deck de Titan.


Durante o deckbuilding, você pode escolher cartas mais direcionadas para algumas partidas(Incendio Purificador) ou jogar com cartas mais abrangentes mas que podem não ser tão poderosas como Explosivos Fabricados. Grande parte dos jogadores escolhe a versatilidade, uma vez que o Magic é bem diverso, principalmente em formatos como Modern e Legacy, assim, sendo “versátil” você vai atingir um maior número de partidas mas com a possibilidade de ser menos eficiente em alguns momentos, o que não é ruim, só é perigoso caso você não entenda o que está fazendo(ex: jogar com 15 cartas ultra versáteis no side e nenhum hate direcionado, tornando suas partidas difíceis ainda piores).

 

 

O segundo caso é o das cartas que parecem interessantes mas na prática não fazem o que te prometem.


A carta armadilha mais famosa é a Extracao Cirurgica. Não por ser uma carta ruim, de fato ela é ótima, mas ela só é boa quando é boa, quando não é , ela é péssima? Deu pra entender?


Vou te explicar o porque a Surgical é a armadilha mais comum atualmente: à primeira instância, a carta pode ser um 4 pra 1, te dá informação sobre a mão e deck do adversário, e, em algumas partidas, pode até mesmo acabar com a única kill condition do outro lado, se tornando uma kill condition para você. Se a carta faz tudo isso, por que ela seria uma armadilha, você me pergunta.


É bem simples, na verdade, a Surgical só faz algo depois que alguma ação foi feita. Você não pode dar Surgical num Primeval Titan do Amuleto se nenhum Titan bateu no grave. Você não pode remover todos os Ad Nauseas com a Extração se não foi possível descartá-los antes do primeiro Ad Nauseam resolver e ganhar a partida sozinho. A Surgical é uma carta que só funciona de maneira reativa: primeiro você deve lidar com a carta que quer remover para, só depois, conjurar a instantânea. E isso entra no problema de que você geralmente perde algumas partidas porque não conseguiu resolver a PRIMEIRA carta problemática que gostaria de exilar do jogo, tornando sua extração inútil e ocupando um slot no deck que poderia ser de algo melhor.


Não é errado usar Extração Cirúrgica em seu side, errado é subir contra tudo achando que ela vai resolver a partida sozinha. Lembre-se, Surgical SÓ CONTRA DECKS DE CEMITÉRIO!!

 

A Extração é uma carta boa mas que em alguns casos é ruim, inclusive temos outros efeitos que podem te enganar por parecerem bons de verdade e não serem.


Modern Horizons foi o campeão nesse quesito, diversas cartas que pareciam boas ou que já foram boas no Legacy e agora passavam a ser válidas no Modern acabaram sendo bem inferiores ao esperado. Dois bons exemplos são Tempestade Atordoante e Kess, Maga Dissidente, duas cartas que já tiveram seu sucesso no Legacy e que, quando passaram a ser Modern encontraram seus slots no main e side de muito deck, só para serem descobertas como cartas armadilha, de efeito medíocre ou inútil onde acreditava-se que eram maravilhosas. O problema aqui foi não identificar que elas eram boas no Legacy pelos motivos X,Y e Z e que no Modern as coisas são diferentes: velocidade do formato, pool disponível, tornando-as péssimas opções durante o deckbuilding.

 

 

A terceira categoria de cartas que podem ser enganadoras é a mais complexa, pois ela não é sobre cartas ruins que deveriam ser boas e nem sobre cartas que poderiam ser substituídas por versões melhores, essa é a categoria onde uma carta do seu deck que é boa ou ótima passa a ser péssima num piscar de olhos.


COMO ASSIM ORELHA? NUM PISCAR DE OLHOS A CARTA BOA FICA RUIM, CE É MÁGICO?


É algo complexo que é bem simples(TOP 10 PARADOXOS), Eu sempre falo aqui para mapearmos nosso turno, pensar em qual jogada fazer invés de só olhar o custo de mana das cartas e ver se os terrenos conseguem pagar. E mapear o turno exige o que? Acertou quem disse CONCENTRAÇÃO. Você precisa se concentrar na partida, ver suas cartas e as opções que elas te dão para entender quais as jogadas pode fazer, diminuindo a chance de jogar uma carta em hora errada.


É bem comum mapearmos nosso turno com as jogadas X e Y, para, na fase de compra, acharmos uma carta Z que não condiz com nosso plano, mas que é interessante o suficiente para quebrar sua linha de raciocínio e jogar a carta Z na frente da X ou Y, aniquilando todo o seu plano para o turno e possivelmente se tornando uma jogada “errada” pois a emoção do momento acabou te deixando cego para o pensamento previamente estruturado.


Imagine que você está de Jeskai Wildfire, com uma mão que tenha Forca da Negacao, Incendio Purificador, Aprisionar e mais uns removals e terrenos. Sua ideia é fazer um Wildfire no seu próprio terreno para cantripar e ainda ficar com os counters de pé. Na sua Draw Step vem um Teferi, Manipulador do Tempo e você pensa: Tenho um Remand, vou fazer o Teferinho com o counter de pé e ganho o jogo desse control. Vira 3 manas e faz o Walker só para tomar uma Force of Negation com 2 azuis na mão para contornar seu Remand, anular seu Walker e fazer o oponente voltar com o Teferinho dele com a proteção do próprio Remand, só que você não tem 2 azuis para fazer a FON pela segunda vez. Graças à sua jogada, você acabou com um plano de jogo bem estruturado(ficar fazendo land drops e cantrips no mirror, deixar o oponente agir primeiro) para tentar resolver um haymaker importante mas sem pensar nas consequências disso, para ter o jogo virado completamente a favor do adversário. Tudo isso por causa de UMA MALDITA CARTA ARMADILHA que te seduziu a mudar imediatamente seu plano e, nesse caso, provavelmente perder a partida.

 

Em suma, as cartas armadilha têm algumas “regrinhas” para serem identificadas:

 

● Às vezes a carta é abrangente demais quando seu deck precisa de algo um pouco mais específico e potente. Entenda quais são suas good e bad matchups para não lotar o side de cartas super versáteis e que não são tão forte individualmente.

 

● Entenda a proposta do seu deck. Gargarote Anciao, por exemplo, é uma carta sensacional, mas se seu deck não tem ramps e não tem muitas criaturas, ele vai entrar e provavelmente morrerá antes de fazer algo efetivo, nesse caso, talvez uma Thragueopresa ocupe melhor o slot por ter um efeito já quando entra em jogo, mesmo sendo uma carta de power level bem menor.

 

● A última categoria é a mais perigosa pois ela pode ser qualquer carta do seu deck. Um Raio comprado que te parece interessante porque o oponente tem 3 de vida, mas ele dá uma FON no seu Bolt main phase jogado sem cautela, um Tarmogoyf  6/7 que parece a barreira perfeita e é jogado invés de deixar um removal de pé só para tomar uma Furia de Batalha Temur que fecha a partida que se alongaria mais se o Goyf não tivesse sido conjurado.

 

Existem diversas maneiras de identificar uma carta que pode te prejudicar, tanto durante o deckbuilding quanto durante a partida. 


Durante o deckbuilding é necessário entender das necessidades do deck para fazer a escolha certa, se você é novo com o deck e não entende muito de suas prioridades, evite ficar mudando bruscamente o main e/ou o side, nesse caso é melhor jogar com uma list stock da internet do que sair inventando moda e escorregar no próprio erro.


Durante a partida, para evitar esses erros, é necessário se concentrar e sempre pensar nas vantagens e desvantagens de fazer cada carta da sua mão, mesmo as recém compradas. Não se culpa se errar assim, eu erro, você erra, e vamos continuar errando nesse ponto, mas com mapeamento do turno e concentração na partida a chance do erro ocorrer é menor.


Antes de partir eu deixo aqui meu jabá de sempre: meu canal no Youtube onde posto vídeos teóricos e de gameplay. Joguem com cautela e se cuidem, até a próxima!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 09/12/2020 02:57
Necromentia no T2 resolveria várias coisas para mim rs. É muito embercleave, genesis ultimatum, foretold, zenith flare.

Mas não consigo me concentrar e analisar se é trap.
(Quote)
- 02/12/2020 13:39

brigadão mano! Surgical é mt trap, tem mts partidas onde ela é totalmente morta.


Brigadão!


Ah sim, toda carta tem sua vantagem. Mas você poderia não ter o descarte e nunca tirar todos os paths e perder no grind.


haha Orelhaception


Valeu manoo!


A velha trick da carta antiga que parece a nova, já usei mt carta errada assim hahaha


Valeu Histar!


Agradeço muito!

(Quote)
- 02/12/2020 01:24
Artigo muito bom, me inscrevi no canal só pela qualidade do artigo
(Quote)
- 01/12/2020 23:42
parabéns "oreiaaa" pelo artigo cmo sempre!

Da vontade de ler artigos como os seus, e os paradoxos foram os melhores...

Só sucesso pra vc e para nós da liga com esse nivel de artigos que vc compartilha de sua experiência com a comunidade.
(Quote)
- 01/12/2020 20:16
Artigo excelente! Ironicamente, a surgical tá entre umas cartas que eu cogitei usar no side do mono red blitz que eu tô montando pra ter algo do Modern pra jogar o formato (único deck pagável hahah). E depois que eu li com mais calma que eu vi que ela não funciona como a Extract antiga (azul de custo 1), que vc pode nomear qualquer carta - eu usava de side pro extended/legacy num deck de encantamento.

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