Load or Cast
A evolução dos Planewalkers
Um teaser antes do nosso preview de M21
03/06/2020 18:02 - 10.377 visualizações - 36 comentários
Load or Cast

ATENÇÃO!!!! O SPOILER FOI ADIADO!!!!! REPITO, ADIADO!!!!

 

O Preview foi adiado para AMANHÃ.

A Wizards entrou em contato conosco para adiarmos o spoiler em respeito ao Dia nacional do Luto nos EUA. 

Ela também postou o mesmo no twitter:

 

"We'll be postponing the debut of Core Set 2021 until Friday at 7 a.m. PT out of respect for the National Day of Mourning. #MTGM21"

 

 


 

Como muitos de vocês já sabem, a LigaMagic foi escolhida pela Wizards of the Coast Brasil para revelar uma carta exclusiva de Core Set 2021 - que será revelado amanhã as 13:00 hs. Ao ver a carta que será revelada, tive a idéia de escrever um artigo sobre como os Planewswalkers influenciaram e moldaram o metagame desde que foram lançados em Lorwyn. 

 

Além do nosso Preview que será revelado amanhã, uma das coisas que me inspirou a escrever este texto foi o fracasso da mecânica de Companheiro - onde a sua introdução no jogo foi bastante comparada a introdução dos Planeswalkers - que causaram muita estranheza e resistência na época, mas aos poucos conquistaram o coração dos jogadores. Pretendo explicar no meu texto os acertos e erros da Wizards durante todos esses anos criando Planeswalkers.

 


OS CINCO AMIGOS

 

 

  

 

  

 

 

Na minha opinião, um dos motivos que fez esse novo tipo de carta ser aceito rapidamente pela comunidade foi o design quase que perfeito dos cinco primeiros Planeswalkers, o que resultou em diversos reprints durante os anos. Pode parecer algo simples pra quem começou a jogar depois da introdução dos mesmos,  mas para quem jogava na época - e eu me incluo nesse grupo - o novo tipo de carta era algo realmente muito estranho. 

 

O ano de 2007 foi um dos anos em que eu mais joguei na minha vida. Eu pulava de loja em loja para jogar e tudo o que eu fazia girava em torno do Magic. Mesmo achando os Planeswalkers muito estranhos, o sentimento foi passando rapidamente conforme eu jogava com eles. 

 

A equipe de Design de Lorwyn merecia um prêmio por terem conseguido criar cinco Planeswalkers muito bem equilibrados e que conseguiram entrar no jogo organicamente sem se tornarem opressores em momento algum. E tirando talvez a Chandra Nalaar que ficou um pouco aquém dos outros, todos tiveram o seu momento, e eu fico muito feliz de ter participado dessa transição.

 

 

A MUDANÇA DE PATAMAR

 

 

    

 

 

Em Lorwyn, apesar dos cinco serem bem equilibrados, Garruk Falabravo certamente se destacava e foi o primeiro que começou a se sobressair. Mas foi em Fragmentos de Alara que começamos a ver os Planeswalkers ficando um pouco mais fortes: Vingador Ajani e Elspeth, Cavaleira Errante rapidamente se tornaram protagonistas no metagame e com isso, visualizamos os Planeswalkers se tornando o grande destaque dos decks pela primeira vez.

Não só isso como também uma das principais maneiras de realmente ganhar o jogo: Tezzeret, o Perseguidor  com seu 'ultimate' no deck de Peneira do Tempo  literalmente acabava com o jogo na hora. 

 

Duas coisas ficaram claras para mim nesse momento: Os Planeswalkers vieram para ficar e eles seriam protagonistas no jogo.

 

 

O PRIMEIRO ERRO
 

 

 


Dois anos depois de Fragmentos de Alara, planeswalkers foram lançados, reprints foram feitos e tudo parecia correr muito bem... Até que Jace, o Escultor de Mentes entrou em cena. Um Planeswalker que, por 4 manas consegue gerar uma vantagem absurda na partida, se defender, têm QUATRO habilidades e de quebra seu 'ultimate' ganha o jogo. 

 

A sua habilidade de Tempestade Cerebral por si só já era algo bem absurdo. Combinado com Falcao do Esquadrao essa dupla criou um dos melhores se não o melhor deck Padrão da História: Caw-Blade. Uma das melhores coisas que você pode fazer com 'brainstorm' é embaralhar o seu deck para devolver as cartas que você não precisa naquele momento e encontrar cartas novas, o Caw-Blade tinha efeitos de embaralhamento de sobra para isso. O Falcão, as Fetch Lands e claro, Mistico Litoforjador

 

Depois de resistir por muito tempo a pressão e quebrando um hiato que já durava 6 anos, Jace, o Escultor de Mentes foi banido do Padrão dezoito meses depois de seu lançamento. Mas não se enganem pois este poderoso Planeswalker continua jogando muito nos formatos onde ele é válido.

 

 

O VERMELHO TAMBÉM QUER JOGAR

 

 

 

 

No final de 2010 foi lançado Cicatrizes de Mirrodin, e apesar de Venser, o Visitante e Elspeth Tirel não terem impressionado muito, a edição ficou marcada, para mim, como a primeira que trouxe um Planeswalker vermelho de fato muito bom e que poderia sentar na mesma mesa que Jace e Garruk por exemplo. Koth do Martelo é uma carta que sozinha consegue colocar pressão no adversário e que se não for respondida tem um 'ultimate' com um grande potencial de acabar com a partida.

 

 

O PLANESWALKER QUE ATERRORIZA O MODERNO

 

 

 


A coleção de Nova Phyrexia mudou muitas coisas no Magic, mas o principal é que juntamente com o lançamento da edição, veio o Formato Moderno - que foi um formato extremamente impactado pela mesma.

 

Karn Liberto tem um custo de mana muito importante: Sete! O mesmo número que ao juntar Usina de Urza, Torre de Urza e Mina de Urza, você consegue produzir no terceiro turno de uma partida. O caos estava anunciado desde 2011: O Moderno foi criado quando seu oponente vira 3 terrenos de Urza - você já sabe o que acontece.

 


A QUEBRA DO CUSTO DE MANA

 


 


A edição de Innistrad não trouxe o primeiro Planeswalker de 3 manas, esse foi Jace Beleren. No entanto, por mais que Jace fosse um Planeswalker útil, ele era longe de ser opressor como Liliana do Veu. Um Planeswalker que se defende, coloca pressão na mão do seu oponente, tendo um 'ultimate' que pode vencer a partida por apenas três manas foi um divisor de águas. Jogou muito em seu lançamento e continua jogando até hoje nos formatos onde é válida.

 

Aqui vimos pela primeira vez a Wizards testar os seus limites de criação. Até então uma regra não escrita limitava os Planeswalker desse nível a custarem no mínimo 4 manas. Liliana mudou isso.

 

 

A QUEBRA DO CUSTO DE MANA II

 


 

 

Se Liliana do Veu quebrou o custo de mana para baixo, Elspeth, Campea do Sol quebrou para cima! Pois mesmo depois de muitos anos, nenhum Planeswalker de seis manas tinha se tornado o protagonista de um 'metagame' - Elspeth, Campea do Sol mudou isso. Sem ser opressora e bem equilibrada,  Elspeth conseguiu desempenhar um papel de destaque no 'metagame' - muitas vezes sendo utlizada como única maneira de vitória dos decks.

Uma habilidade de criar fichas, um efeito de destruição global e um 'ultimate' que poderia vencer o jogo foram os ingredientes para um Planeswalkers de 6 manas finalmente brilhar.

 


AS CRIATURAS QUEREM SE TRANSFORMAR

 

 

  

 

 

 


Magic Origens trouxe, entre suas muitas novidades, as criaturas que se transformavam em Planeswalkers. Algo que apesar de ter feito muito sucesso, eles repetiram muito pouco no futuro. Eu nunca entendi o por quê. A carta Jace, Prodigio de Vryn certamente era a estrela do time, apesar dos outros todos terem jogado em algum momento e de maneira não opressora. Mais uma vez o time de Design está de parabéns pelo trabalho aqui. Quando uma novidade é bem feita ela é sempre bem aceita!
 

 

GIDEON CHEGA PARA O JANTAR

 

 

 


Em Batalha por Zendikar ao lançar Gideon, Aliado de Zendikar eles fecharam o ciclo de ter pelo menos um grande Planeswalker em cada cor, e Gideon sentou na mesa junto de Liliana do Veu, Jace, o Escultor de Mentes , Koth do Martelo e Garruk Falabravo.

 

Muitas vezes chamado de 'Mind Sculptor' do branco, Gideon, Aliado de Zendikar fazia de tudo. Ele atacava, criava fichas e tinha um emblema muito poderoso. Mais uma novidade aqui: Ele poderia chegar na mesa e já deixar o seu emblema!

Depois de Jace, o Escultor de Mentes,  a Wizards parecia ter aprendido a sua lição. Mas acho que passaram muitos anos e eles esqueceram o quanto um Planeswalker de 4 manas que faz tudo pode ser opressor. Gideon jogou muito e ditou o ritmo do 'metagame' enquanto foi válido no Padrão, e por pouco não encontrou o mesmo destino de Jace, o Escultor de Mentes

 


CHANDRA, 'THE MIND SCULPTOR'

 

 

 

 

A diferença entre o lançamento de Jace, o Escultor de Mentes e Gideon, Aliado de Zendikar foi de cinco anos, mas entre Gideon e Chandra, Chama da Rebeldia foi de apenas um ano - o que começava a dar sinais que essa seria a tendência agora: Cada vez Planeswalker mais fortes. 

 

E mesmo Chandra tendo sido comparada a Jace, o Escultor de Mentes  ela estava longe de ser um Jace: Em um formato Padrão que foi assombrado com alguns banimentos, Chandra, Chama da Rebeldia passou ilesa. Chandra foi e é uma excelente carta que jogou e joga muito até hoje. Vale a pena mais uma vez exaltar o time de Design aqui, por mais que isso não pareça verdade hoje em dia, acreditem: É possível criar excelentes Planeswalkers que não precisam de banimento.

 


CHUTARAM O PAU DA BARRACA

 

 

 

 

Apesar de Chandra e Gideon terem conseguido passar pelos seus formatos Padrão sem a intervenção do banimento, a Wizards parecia arriscar cada vez mais com o power level dos Planeswalkers. Três anos com alguns reprints e outros Planeswalkers sem muito destaque depois, chegou o Teferi, Heroi de Dominaria.


Teferi chegou em uma época de inovações dentro do Magic - o MTG Arena estava chegando e o formato Melhor de Um junto com ele - e pudemos ver um grande erro por parte da Wizards em decidir que o primeiro grande torneio do Arena seria disputado em Melhor de Um. O resultado foi um dos torneios mais chatos de toda história com Teferi que não acabava mais.Realmente entediante. 

Sem contar que no formato Melhor de Três, Teferi, Heroi de Dominaria era o tipo de carta 'amo ou odeio'. Eu particularmente tenho zero saudades do Teferi. E agora os Planeswalkers estavam fora de controle.

Mas eu nunca poderia imaginar o que viria a seguir...

 

 

DESTRUIRAM O PAU DA BARRACA

 

 

 

  

 


TRINTA E SEIS Planeswalkers. Isso mesmo. Você não leu errado. Trinta e seis!

 

A Wizards decidiu lançar Guerra da Centelha, a coleção que contou com 36 dos mais variados Planeswalkers entre eles Incomuns, Raros e Míticos. E alguns de custo três muito 'roubados': Como Teferi, Manipulador do Tempo e Narset, Rasgadora de Veus. Além destes, também tivemos Nissa, Abaladora do Mundo, que abalou literalmente e moldou o Padrão por um bom tempo.

 

 A Wizards na minha opinião já tinha feito erros de design antes em seus Planeswalkers, mas para mim eles estavam com crédito, muito mais acertos do que erros. Mas foi em Guerra da Centelha onde tudo desandou de vez: Habilidades estáticas, baixo custo, todas combinações de cores. O négocio estava fora de controle. E ainda poderia piorar mais..

 

 

INCINERARAM O PAU DA BARRACA

 

 

 

No dia 14 de junho de 2019, um pouco mais de um mês depois do lançamento de Guerra da Centelha, a Wizards lançou Modern Horizons. Uma coleção que tinha como proposta ser uma edição com cartas novas mas que não teriam validade para o formato Padrão. Agregaria apenas os formatos eternos como, Moderno, Legado e Vintage, onde o time de criação teria mais liberdade criativa sem se preocupar em afetar o Padrão. 

 

Na teoria?! Uma grande ideia. Na prática?! Um verdadeiro desastre. Acho que a liberdade criativa foi longe demais. Os mesmos criaram um Planeswalker de DUAS MANAS, não obstante o custo, ABSURDO - Principalmente para o formato Legado mas ainda assim bem forte para o Moderno. Wrenn e Seis quebrou uma barreira que eu nunca achei que seria quebrada. Eles fizeram realmente um Planeswalker de duas manas que em alguns decks poderia ser muito opressor.

 

Jace, o Escultor de Mentes , Chandra, Inferno Desperto, Gideon, Aliado de Zendikar, Teferi, Heroi de Dominaria, Teferi, Manipulador do Tempo, Nissa, Abaladora do MundoWrenn e Seis: A comunidade estava começando a reclamar daqueles que um dia conquistaram nossos corações. Será que a Wizards tiraria o pé do acelerador?

 

 

NÃO TEM MAIS BARRACA

 

 

 

 

E então Trono de Eldraine chegou para o público com um trailer maravilhoso, e o 'hype' foi rapidamente criado. As pessoas cantavam "Can't take my eyes off you" nas ruas. Mérito do time de Marketing - e a eles eu tiro meu chápeu cem vezes. Mas para o time de Design...

 

Oko, Ladrao de Coroas foi se não o maior, um dos maiores erros da Wizards em quase trinta anos de jogo. E é claro, tinha que ser um Planeswalker. A carta que foi rapidamente banida de quase todos os formatos de Magic, pode ser vista dominando ainda no formato Legado, e não me espantaria nem um pouco se ela encontrasse o caminho do Banimento por lá também.

 

 

A VOLTA DA CALMARIA?

 

 

  

 

 

Theros e Ikoria trouxeram alguns bons Planeswalkers sem serem opressores, e apesar de Lukka, Paria Gibao de Cobre estar jogando bastante, é mais por conta de outras cartas do que individualmente. Eu gosto de Planeswalkers assim, que agreguem aos decks sem serem opressores. Nada de obrigar as pessoas a utilizarem uma carta por ela ser boa demais - ainda mais quando é um Planeswalker, onde as respostas muitas vezes são poucas, específicas ou limitadas.

 

E para finalizar nossa análise, pensemos que os Planeswalkers já eram uma realidade e moldavam o 'metagame' no Magic desde 2007, e sua importância para a evolução do jogo é inegável. Porém esperamos um bom trabalho como já foi feito no passado pelo time de Design para que eles continuem presentes para sempre no jogo.

 

Bem galera, espero que tenham curtido meu 'Teaser', e não esqueçam de amanhã às 13:00 ACESSAR A LIGAMAGIC E CONFERIR O NOSSO PREVIEW EXCLUSIVO DE CORE SET 2021 oferecido pela Wizards of the Coast Brasil.

Patrocinador Oficial LigaMagic Bolts
Patrocinador Oficial LigaMagic Bolts
Patrocinador Oficial LigaMagic Bolts
Juliano Gennari ( Juliano_Bolts)
Jogador competitivo desde 2010, já tendo participado sete vezes do Pro Tour, Vice-Campeão Grand Prix Santiago 2018.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 08/06/2020 01:07
Muito bom o artigo, parabens!
(Quote)
- 06/06/2020 20:10
O karn, grande criador tbm faz um estrago, principalmente no mono red prision no legacy.
(Quote)
- 05/06/2020 20:26

Vai vir um Teferi que ativa lealdade em instant speed, (+1) compra uma carta e descarta uma carta, (-3) toda um bicho de frase, (-10) você ganha dois turnos. Custo 4 com 3 de lealdade inicial... E o manipulador ainda vai demorar um pouquinho pra rotacionar...

(Quote)
- 05/06/2020 12:06

Quando Teferi herói rotacionou, galera ficou feliz, aí veio Teferi manipulador. Agora manipulador vai rotaciona, e o que vai vir?

(Quote)
- 05/06/2020 11:59
Cripta de tormod e containment priest já sairam pra m21
Últimos artigos de Juliano Gennari
Atualização: Banidas e Restritas - 12/10/2020
Atualização da lista de Banidas e Restritas
16.368 views
Atualização: Banidas e Restritas - 12/10/2020
Atualização da lista de Banidas e Restritas
16.368 views
Há 11 dias — Por Juliano Gennari
Resumo: Season Grand Finals
Um resumo de tudo que aconteceu no torneio que agitou o final de semana
3.821 views
Resumo: Season Grand Finals
Um resumo de tudo que aconteceu no torneio que agitou o final de semana
3.821 views
Há 11 dias — Por Juliano Gennari
2020 Season Grand Finals - Metagame
Descubra quais decks Standard e Histórico irão aparecer no final de semana
4.235 views
2020 Season Grand Finals - Metagame
Descubra quais decks Standard e Histórico irão aparecer no final de semana
4.235 views
Há 15 dias — Por Juliano Gennari
2020 Season Grand Finals
Detalhes sobre o torneio que acontece no próximo final de semana nos formatos Histórico e Standard.
3.471 views
2020 Season Grand Finals
Detalhes sobre o torneio que acontece no próximo final de semana nos formatos Histórico e Standard.
3.471 views
Há 20 dias — Por Juliano Gennari
Guia de Draft: Renascer de Zendikar
Escrito por Juliano Gennari com colaboração de Danilo "Kaies" Modesto.
13.279 views
Guia de Draft: Renascer de Zendikar
Escrito por Juliano Gennari com colaboração de Danilo "Kaies" Modesto.
13.279 views
Há 21 dias — Por Juliano Gennari