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Aprendendo com o passado
O passado pode ser tão importante quanto o presente. A história de como o Magic funciona te ajuda a entender como solucioná-lo
31/03/2020 10:05 - 4.927 visualizações - 6 comentários
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Fala aí meus guerreirinhos, tudo tranquilo?


Esses dias eu estava olhando fixamente para as 15 cartas de side do meu querido Valakut. Tentava, arduamente, encontrar uma maneira de melhorar as partidas contra Jund e Bant Blade, que estavam bem ruins. Fucei as últimas listas, olhei aqui e ali, tentei lembrar das últimas cartas vermelhas e verdes lançadas mas nada resolvia meu problema contra Croxa, Tita da Fome da Morte e Santuario Mistico. Foi quando abri minha caixinha de pool do deck que reparei que a solução não estava no presente(cartas mais usadas recentemente) mas sim no passado, olhei pra ela, uma carta que eu sempre amei mas que por estar ineficiente nesses últimos 2 anos foi deixada de lado. Foi quando bati o olho na Reliquia de Progenitus que percebi algo, eu estava tentando solucionar um problema que já havia sido solucionado, no passado, e como disse o grande Edmund Burke: 

 

“Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la”. 

 

O que eu quero dizer com essa introdução é que relevamos a história do jogo muito mais do que deveríamos.


Como falei em um artigo sobre Netdecking(que você pode ver aqui), o Netdecking é algo importantíssimo para o desenvolvimento do jogo, jamais teríamos alguns decks tão refinados como Grixis Shadow com Bauble ou o finado Simic Urza se dependêssemos do esforço individual de cada deckbuilder, é NECESSÁRIO o trabalho em conjunto para produzirmos um “Magic” melhor, no entanto, isso não pode nos fazer esquecer do passado, que é onde tudo começou, todos os conceitos como Card advantage, Turbo Xerox, que foram aperfeiçoados até os dias de hoje, onde os percebemos em todos os formatos e praticamente todas as decklists.

 

O ano de 2011 foi quando eu realmente comecei a estudar sobre Legacy, passava horas e horas das minhas tardes à toa, já que estava no colegial, lendo sobre os primeiros decks Legacy, GPs passados e claro, acompanhava, na íntegra, todos os decks usados em eventos competitivos pelos meus 3 jogadores preferidos da época(LSV, PV e Kibler).


Claro, passei muitas horas vendo Grixis Psychatog que, segundo a própria equipe do Kibler, foi um fracasso, ou o 5C Control do LSV que fez Progenitus com 2 counters de custo 5 de backup, não vou dizer que cada segundo foi provido de informação relevante. Mas onde eu encontrava infos boas eu as mantinha em mente(como faço até hoje), e quando via um Grixis Tog falhar eu tentava entender o porquê o deck performou mal: Foi por causa da base de mana horrível sem suporte? O field não era propício? Os pilotos não souberam operar bem? Acredite, mesmo em nível de PT alguns prós ainda operam de maneira ineficiente alguns decks por serem criações novas demais.

 

E era com essas questões que meu Magic evoluia, às vezes de maneira mais lenta quando dependia apenas de informações que eu presumia, e beeem mais rápido quando conseguia algum artigo de pró explicando o “lesson's learned”.

 

Na prática há muito o que aprendermos no deckbuilding, algo bem comum que passa despercebido são os decks atuais com conceitos antigos.


O estilo DRAW GO é um dos mais conhecidos entre os decks de Controle. Ele consiste, basicamente, em ser um deck que faz o terreno do turno e passa com interação em velocidade instantânea, inúmeros counters e outras interações com um número bem baixo de condições de vitória. Esse tipo de deck perdeu popularidade graças aos novos Planeswalkers que tornam os controles mais tappout e sobra pouco espaço para ficar passando aberto todo turno. 


Mas não é porque os novos controles são tappout que é impossível voltar às origens: em 2018 eu ganhei minha primeira Liga Paulista Legacy jogando de UW Landstill, um deck draw go que usa de conceitos bem antigos do Magic.


A lista foi baseada em conceitos utilizados pelos landstill de mais de uma década atrás, vejamos este Esper Still de 2008.

 

UWx Landstill
3326 visualizações
24/03/2020
R$ 8.579,45
R$ 11.978,61
R$ 35.121,38
3326 visualizações
24/03/2020
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (1)
1  Dragão Perpétuo   0,75
Mágicas (24)
4  Espadas em Arados 3,90
4  Tempestade Cerebral 2,35
4  Contramágica  1,80
2  Desejo Astuto  14,00
2  Cólera de Deus   14,45
2  Decreto de Justiça     0,25
2  Fato ou Ficção  0,50
4  Força de Vontade   315,00
Artefatos (5)
3  Explosivos Fabricados 42,08
1  Crisol dos Mundos 67,53
1  Disco de Nevinyrral 4,90
Encantamentos (6)
4  Pausa  5,80
2  Humildade   79,95
Terrenos (24)
2  Delta Poluído84,90
3  Fábrica de Mishra0,30
3  Ilha0,00
3  Planície0,00
4  Praia Inundada62,90
1  Ruínas da Academia79,94
1  Scrubland549,99
1  Terras Ermas95,90
1  Tolária Ocidental19,20
4  Tundra920,00
1  Underground Sea1.999,00
60 cards total

 

O deck foi criado para obter vantagens da carta Pausa. Então, é cheio de anulas e removals, para garantir que resolverá uma Pausa em mesa vazia e forçar o adversário a te dar 3 draws. As Fabrica de Mishra te permitem fazer uma Pausa com pressão na mesa até que o adversário se sinta obrigado a jogar uma mágica.

 

UW Standstill
Por Ruda
8531 visualizações
02/09/2018
R$ 9.403,43
R$ 12.884,94
R$ 30.455,45
8531 visualizações
02/09/2018
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (4)
3  Mago da Conjuração-relâmpago  149,99
1  Facção Vendilion   36,99
Planeswalkers (3)
3  Jace, o Escultor de Mentes   380,00
Mágicas (23)
1  Caminho para o Exílio 13,90
4  Espadas em Arados 3,90
2  Perfurar Mágica 0,30
4  Tempestade Cerebral 2,35
1  Ausência Inesperada   0,74
3  Contramágica  1,80
2  Council's Judgment   53,99
2  Veredito Supremo    33,84
4  Força de Vontade   315,00
Artefatos (2)
1  Explosivos Fabricados 42,08
1  Crisol dos Mundos 67,53
Encantamentos (4)
4  Pausa  5,80
Terrenos (24)
4  Fábrica de Mishra0,30
4  Ilha0,00
1  Karakas80,00
2  Lago Alpino Fervente190,00
2  Planície0,00
4  Praia Inundada62,90
3  Terras Ermas95,90
3  Tundra920,00
1  Underground Sea1.999,00
60 cards total

Sideboard (15)
2  Extração Cirúrgica 52,00
1  Tempestade Atordoante 10,00
1  Bastão da Invalidação 94,99
2  Canonista Etherólatras  15,60
2  Descanse em Paz  15,89
2  Desencantar  0,03
2  Sacerdotisa do Confinamento  7,50
1  Facção Vendilion   36,99
1  Gideon, Aliado de Zendikar   45,00
1  Veredito Supremo    33,84

 

A minha versão de Standstill é de 2018. Ela usa o mesmo conceito de counter, anulas e fábricas para pressionar a mesa do adversário, mas agora com a tecnologia mais avançada(porém, pré war of the spark).


A exuberância de anulas garante uma mesa limpa de permanentes e te previne que os combos não rirão da sua mão cheia de Espadas em Arados.


O importante é realçar que, apesar de ser um deck atual, ele é totalmente baseado num estilo antigo de jogo, estilo cada vez menos comum nos dias de hoje, e que pode até garantir free wins devido à inexperiência do oponente neste tipo de partida(que foi exatamente o que aconteceu comigo no torneio, o report está aqui).

 

Não é só na teoria(deckbuilding) que a história nos ensina, a prática está presente no dia-a-dia, só que nem sempre é evidente pois não reparamos nas mudanças sutis.


Durante a temporada de PTQS em 2014 eu joguei muito de GW Hatebears com ótimos resultados, perdendo a chance de top 8 por uma partida. Na época o deck era bem completo, tinha matchup boa contra Pod, ótima contra Scapeshift e se virava contra Jund e Twin. Os outros decks foram ganhando novas armas e o Bears foi ficando cada vez mais anêmico. Hoje, 6 anos depois, o deck tem muita coisa nova(Stoneforge, Giver) e, de quebra, os Big Manas que são favoráveis para ele voltaram a jogar.

 

Hatebears
3361 visualizações
24/03/2020
R$ 1.879,65
R$ 2.937,46
R$ 5.682,44
3361 visualizações
24/03/2020
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (28)
4  Doadora de Runas 23,99
4  Árbitro Leonino  5,00
4  Místico Litoforjador  96,00
4  Thalia, Guardiã de Thraben  24,45
4  Asas da Inexistência   0,75
3  Implantador de Lâminas  2,98
2  Mnemocensor Aviano  2,00
1  Thalia, Cátara Herege  4,99
2  Anjo da Restauração  6,50
Mágicas (4)
4  Caminho para o Exílio 13,90
Artefatos (6)
4  Frasco do Éter 89,90
1  Espada de Fogo e Gelo 210,00
1  Crânio-Marreta 67,10
Terrenos (22)
1  Castelo Eiganjo22,33
1  Caverna Mutável62,50
3  Confim Tectônico1,50
3  Copas do Horizonte99,99
10  Planície0,00
4  Quarteirão Fantasma1,89
60 cards total

Sideboard (15)
3  Descanse em Paz  15,89
2  Guarda-Relíquias Leonino  0,07
2  Revogador Phyrexiano 5,00
2  Cruzado Mirraniano   4,00
1  Espada de Aço e Tendão 27,75
1  Assentar nos Destroços   11,16
4  Linha de Força da Santidade   13,52

 

O core do deck foi mantido, baseado em softlocks com Arbitro Leonino travando as fetchlands e outros tipos de buscas adversárias(Chord of Calling, Whir of Invention, Primeval Titan), e voltando com uma carta que já foi muito boa na época do Birthing Pod: Mnemocensor Aviano.


O passarinho dá risada de todos os decks de Titan, e, de quebra, ainda ajuda muito contra esses controles de Santuário Místico que usam 10~11 fetchlands. O Passarinho com certeza é uma boa pedida para o momento.


Thalia, Catara Herege melhora ainda mais a partida contra big mana, travando o adversário desde a capacidade de buscar, quantidade de mana paga, até aos land drops entrando virados.


Agora com acesso à Mistico Litoforjador o deck ganha aquele clock que sempre pecou por não ter, mesmo que venha ao custo do nonbo entre a Gaga e o Leonino.

 

Não digo também que devemos ser formados e termos doutorado sobre a história do Magic, nem todo mundo tem tempo/vontade de aprender tudo que já passou(principalmente as coisas menos relevantes), no entanto, se você pretende ter sucesso como deckbuilder ou quer surpreender o field(qualquer um, desde o do GP até o da sua loja local) é necessário entender as nuances que fizeram com que o Magic tenha se tornado o Magic que é hoje. Desde mudanças devidas ao lançamento de novas cartas como Empurrao Fatal até o descobrimento de novos artifícios de gameplay como a criação do Lantern Control, que surgiu mesmo sem ter nenhuma carta lançada para ele na época.


Quando tiver um tempinho, dê uma procurada em alguns artigos históricos como “Who’s the Beatdown” de Mike Flores e “The Philosophy of Fire” de Adrian Sullivan, para entenderem como os conceitos do jogo, apesar de evoluídos com o tempo, se mantém os mesmos em sua base.


Fiquem com esse conselho aqui e até semana que vem!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Aficionado por Legacy, sempre que pode joga com decks que matam com terrenos e não dispensa uma ativação de Vial no passe.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 09/04/2020 19:52
Parabéns pelo artigo, gostei bastante. Não muito longo, mas bem explicativo e cheio de referências.
(Quote)
- 03/04/2020 19:08
Entendi! Muito obrigado! Até a próxima!!!
(Quote)
- 03/04/2020 14:55

Fala mano!
Então, o hatebears é uma versão bem mais fraca que o Death and Taxes no legacy, justamente porque o plano do DnT é uma versão 2.0 do Hatebaers. Mas algumas pessoas já jogaram com 4 wasteland e 4 ghost quarter e Leonin Arbite rno dnt, cortando batterskull de main e usando 2~3 Stoneforge apenas. Por questões budget, vale a pena se usar, é uma lista uns 700~800 reais mais barata que o DnT convencional.

(Quote)
- 03/04/2020 11:21
Bruno? Bom dia! Posso fazer o hatebears no legacy? Adaptando o death and taxes?
(Quote)
- 01/04/2020 17:19

Muito obrigado, mano!
É realmente importante passar pela evolução do deck em um determinado formato.A quilo que um dia já
foi ótimo pode não ser bom mais, e o que foi apagado pelo desuso pode ser a nova bomba.

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