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A Hora do Pauper - O Pauper consegue se autorregular?
Entendendo como o formato está se estabilizando após a predominância do Tron.
25/03/2020 10:05 - 4.736 visualizações - 17 comentários
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E aí galera, tudo bem? Aqui quem vos escreve é o Heli e hoje venho fazer uma análise do comportamento do metagame atual e sua capacidade de autorregulação. Para nos situar, precisamos entender que o formato vem de um período dominado por três decks: final de 2018 até a Blue Monday tivemos o UB Delver (ou Two Drops); com o lançamento de Modern Horizons, tivemos o surgimento do Jeskai Ephemerate até o banimento do Astrolábio de Arcum; e mais recentemente, tivemos o Fog Tron dominando até o lançamento de Santuário Místico em Theros Além da Morte. Polêmicas sobre a Blue Monday a parte, banimento tem sido uma constante para o jogador do formato, criando algumas incertezas e fazendo com que cada jogador procure um deck seguro para jogar. Porém, ser um deck consistente no Pauper acaba carregando a alcunha de ser forte demais e/ou quebrado para o formato. Passamos mais de dois anos sem banimento, entre a queda do Dragonete Peregrino em nov/16 até a Blue Monday em mai/19, e durante esse período, o formato procurou se reinventar, mas sem grandes inovações. Alguns decks apareceram, como o próprio UR Skred, evidenciando a predominância do Azul, atraindo ainda mais a atenção para o arquétipo.


Com o banimento do Astrolábio, ficou evidente a fragilidade do formato com novas edições, principalmente do tipo Masters. Conceitualmente, o Pauper nunca foi pensado como formato, por ter sido concebido para ser nostálgico não passou por um estudo e análise, além do mais surgiu da comunidade. Tendo isso em mente, a fragilidade de cartas comuns é enorme, ainda mais considerando a grande mudança em relação ao power level das novas edições em relação as antigas. 

 

As cartas comuns possuem um papel fundamental no Limitado, sendo essenciais para o desenvolvimento do formato, consequentemente do impacto de vendas das novas coleções, ou seja, o Pauper tem pouco efeito na decisão de como as cartas serão desenvolvidas. Ano passado o Gavin Verhey (R&D WotC) deu uma entrevista para o Professor da Tolarian Community College falando que uma pequena porcentagem das cartas das novas edições levaria em consideração o Pauper. Isso se torna evidente a partir de Trono de Eldraine, onde podemos ver que as habilidades de algumas cartas possuem sinergia e/ou interações com vários decks que temos no formato.


Tudo isso é relevante para entendermos o impacto de Santuário Místico nos decks azuis e, principalmente no metagame em geral. No meio de novembro até umas duas semanas após o lançamento de Theros, o Tron dominava o formato com aproximadamente 20% do metagame, com vários pedidos de banimento da comunidade, criando uma situação onde você jogava com o deck ou com algum que pudesse vencê-lo, aumentando exponencialmente a quantidade de Burn nos torneios relevantes. Desse ponto em diante, tivemos um aumento dos decks Ux, que surpreendeu boa parte da comunidade, com sua consistência e capacidade de lidar muito bem contra geração de recursos e recursão do Tron. O chamado soft lock entre o terreno e Lição Trágica e Desprover, possibilitaram uma evolução do metagame, trazendo consigo toda uma diversidade para lidar com essa nova interação, o que possibilitou um aumento expressivo de deck que estavam ausentes, como Monowhite Heroico, Boros Monarca, BW Pestilência, Fractius, UW Familiar e Monoblack Control, para citar alguns.


Para ficar melhor para entender, vamos ver alguns números:



OBS: Os números consideram apenas os decks do top32 divulgados semanalmente pela WotC.

 

Na tabela da esquerda, temos os cinco maiores vencedores do Challenge, desde o banimento do Astrolábio em 26/10/19 até o lançamento de Theros, que contemplam 11 eventos; na tabela da direita, consideremos o mesmo período, mas apresentamos as quantidades de cópias dos cinco decks mais presentes no top8. Mesmo que o número não seja tão massivo como vencedor, o Tron mostrou um equilíbrio em suas listas para fazer ótimos resultados no período.

 

Não podemos dizer que foi uma surpresa, até porque as listas que usavam o Astrolábio de Arcum e Efemerar já eram bem resilientes e começaram a mostrar sua força quando o banimento veio, mas esperávamos um aumento do número de outros midranges. Os Tron decks começaram a sufocar o formato, criando um cenário complicado de navegar, gerando uma polarização na escolha de decks para eventos maiores. Inclusive, tivemos o Nacional Pauper nesse período com o Tron sendo o deck mais jogado, mas tendo apenas uma cópia no top8. Analisamos bastante para entender porque isso ocorreu e, no geral, a dificuldade de jogar com o deck no tabletop foi crucial para o que o resultado não fosse o mesmo que o digital.

 



OBS: Os números consideram apenas os decks do top32 divulgados semanalmente pela WotC. 

 

Como podemos ver na tabela acima, a quantidade de Tron decks parece não ser tão superior, mas quando vemos o todo e sua winrate de mais de 55%, com certeza temos um problema no formato.


Então, veio Theros e o Santuário Místico começou tímido, mas logo começou a se mostrar eficiente nos decks com azul, muito mais que qualquer outro terreno do mesmo ciclo (o preto se mostrou bem útil no Monoblack). O chamado soft lock começou a ser amplamente utilizado e colocou os decks Ux de volta em evidência, sendo capaz de vencer a eficiência do Tron com vantagem de cartas.

 



OBS: Os números consideram apenas os decks do top32 divulgados semanalmente pela WotC.


Aqui vemos duas tabelas nos mesmos moldes das anteriores, mas considerando até o Challenge do dia 15/03/2020. Por mais que o Tron tenha aumentado sua presença em 50% no período, o UR Skred fez o mesmo, bem como vários outros, porém o Affinity aumentou de duas para nove cópias, o que mostra que tivemos um aumento da diversidade. A questão não é que houve um enfraquecimento do Tron, até porque ele ainda tem conquistado resultados muito bons em outros eventos como o Showcase no MTGO e no tabletop também, mas o interessante é notar como é possível mexer e impactar um formato como o Pauper sem banir nada. A evolução dos decks Ux trouxeram outros decks que fazem partidas justas contra eles como Boros Monarca e Bully, por consequência outros predadores vieram juntos, criando um cenário em que, mesmo que o Tron seja eficiente contra boa parte do metagame, eventualmente ele vai enfrentar seus predadores.

 


OBS: Os números consideram apenas os decks do top32 divulgados semanalmente pela WotC.

 

Podemos ver no gráfico quatro grupos distintos, que procuram criar estratégias para se enfrentarem. Por mais que pareça que o Tron ainda é o deck mais jogado, lembro que esses dados saem apenas do Challenge, porém devemos considerar um cenário bem mais amplo para entender como o Tron deixou de ser o vilão do formato.



Dados retirados de: https://www.mtggoldfish.com/metagame/pauper#paper. Acesso em 17/03/2020

 

Nessa tabela podemos ver como o formato está convergindo para um ponto de equilíbrio, embora os critérios do MTGGolfish usem também os números divulgados das ligas (aqueles que fazem 5-0), porém representa muito bem o sentimento da comunidade em relação a queda do Tron.


Sabemos que é difícil equilibrar cartas comuns de novas coleções entre o Limitado e o Pauper, mas Santuário Místico é a prova que é possível fazer isso. Talvez não seja necessário criar uma edição com várias cartas para o formato, mas é possível ir acrescentando respostas e sinergias que impactem o formato sem desequilibrá-lo. Entendemos que o formato é sensível a esse tipo de lançamento, como foi com Modern Horizons, mas claramente temos uma carência por novas formas de aproveitar o formato, combinando habilidades antigas com novas. Sendo um formato eterno, essa é uma característica inerente ao formato que precisa ser explorado, mas só será possível e realmente relevante quando mais poder de fogo possa ser adicionado o formato, criando ferramentas para que ele se autorregule, possibilitando um ambiente saudável e mais competitivo.


Galera, vou ficando por aqui e espero que tenham gostado da análise. Um abraço a todos e até mais!

Heli Mateus ( helimateus)
Heli Mateus conheceu o Magic em 1998, mas começou a jogar em 2015 quando conheceu o
formato Pauper. Hoje é entusiasta do formato e produtor de conteúdo, principalmente como
podcaster sendo host do PauperView e cohost do RakdosCast.
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 15/04/2020 23:45
Aonde vejo mais informações para o próximo nacional de pauper? É evento oficial wizards ou algo forte em paralelo? Sim! Sei do covid..enfim

Só que informações para acabar isso tudo e podermos jogar Irl
(Quote)
- 09/04/2020 10:38
Será que vão banir santuário ?
(Quote)
- 06/04/2020 13:26

opa! mto obrigado por compartilhar sua situação, pois ela é parecida com a de várias outras pessoas. O Pauper é sim um bom formato de entrada, principalmente por termos bastante conteúdo para ajudar nas decisões. A questão financeira é sim uma variável importante no formato, o que me motivou para o assunto no próximo artigo..fique ligada que logo mais estará disponível. Muito obrigado!

(Quote)
- 05/04/2020 23:10
Olá, não sou fã do formato, mas estou aprendendo a jogar e a gostar. Acredito que esse seja o formato que permite quem começou a jogar agora e não tem muita grana a montar um deck maneiro e se divertir. Sou apaixonada pelo 4fun, então sempre vejo os formatos mais "baratos" com bons olhos. Amei a materia e já aguardo a próxima sobre o assunto 😘
(Quote)
- 27/03/2020 17:45

opa, valeu Beto! estou procurando melhorar nesse quesito, buscando auxilio de quem entende mais tbm...realmente, banir não resolve, só diminui as opções..as vezes precisamos olhar por próprio formato e procurar respostas

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