Card Advantage na Mesa
Como verde tornou-se a melhor cor do Magic.
13/01/2020 10:05 - 8.849 visualizações - 15 comentários

Olá! Hoje falaremos de um tópico que já foi mencionado em artigos e lives anteriores, mas nunca abordado mais a fundo em um artigo próprio - a Card Advantage "na mesa", e como esse aspecto na filosofia de design acabou colaborando para que o verde, ano após ano, se tornasse a melhor cor do Magic.


Card advantage é um dos conceitos estratégicos mais antigos do jogo em si - Visao da Quimiomante ou Oportunidade são os exemplos mais simples, quando um card seu se transforma em mais de um. Colera de Deus e Clarim Ensurdecedor atuam no campo contrário, já que ao invés de gerar recursos adicionais para seu controlador, elas interagem com mais de um recurso do oponente ao mesmo tempo, ao matar múltiplas criaturas.


Porém, de alguns anos para cá, na busca por cards cada vez mais interessantes e poderosos, além da filosofia de design que favorecia Permanentes sobre as Mágicas, a Wizards foi embutindo o card advantage em cards que progridem, também, o campo de batalha. Os Planeswalkers são o melhor exemplo disso, quando pensamos em um card como Ob Nixilis Reaceso ou Teferi, Manipulador do Tempo, capazes de lidar com uma ameaça do oponente ao mesmo tempo em que desenvolvem o jogo do controlador. Ou seja, fazem o 1x1 básico do jogo interativo, mas deixam um recurso a mais na mesa ao final da troca - esse que precisa ser, eventualmente, respondido pelo adversário.

 

Os cards de Aventura em Trono de Eldraine se encaixam também nesse grupo. Gigante Esmaga-ossos // Pisar, Ginete Homicida // Fim Celere e Caloteiro Descarado // Pequeno Furto são cards que respondem algo que o oponente possua na mesa, e em seguida colocam uma criatura funcional que exigirá esforço por parte do adversário em respondê-la.


Certo, mas se essa filosofia se aplicou para o design do Magic como um todo, em qual ponto o verde acabou deslanchando para tão a frente das demais cores? Comecemos observando os cards a seguir, todos eles que foram ou ainda são staples do Standard, buscando o que eles têm em comum:

 

Centaura-cacadora de Crufix
Nissa, Vidente de Matavasta
Rastreador Incansavel
Krasis Hidroide
Nissa, Abaladora do Mundo
Recife Soerguido
Oko, Ladrao de Coroas

 

Se a resposta for, "capacidade de gerar card advantage na mesa", você acertou! Vamos até um pouco mais além, já que além de gerar um recurso imediatamente no turno em que entram em jogo, todos esses cards em maior ou menor grau foram ou são capazes de gerar o dito efeito "bola de neve" caso não respondidos, que é escalonar a vantagem de recursos provida no decorrer dos turnos. Seja uma Centaura-cacadora de Crufix que olhou fundo no deck e ganhou bastante vida, um Rastreador Incansavel gigante que forneceu uma mão nova, ou um segundo Recife Soerguido proporcionando ramp+compras infinitos com outros cards simples, como Druida Foleo.


Nissa, Abaladora do Mundo e Oko, Ladrao de Coroas no clube de Planeswalkers também dispensam comentários, já que cada turno com eles na mesa significam mais Elementais ou Alces que pressionam fortemente para o oponente responder, e se a própria fonte de 3/3s não for removida, eles continuarão aparecendo turno depois de turno.


Todos os cards supracitados são capazes de emplacar esse jogo - forçam uma resposta imediata do oponente sob o risco de ganharem o jogo sozinhos, mas em muitos casos, mesmo quando removidos no mesmo turno, acabam deixando o seu controlador positivo nos recursos. Mate a Nissa, Abaladora do Mundo, tenha de lidar com um 3/3. Resolva o Rastreador Incansavel, e uma ou duas pistas vão repor a criatura morta. Recife Soerguido deve morrer, mas caindo no turno 2 ou 3 faz com que o oponente tenha de abdicar de desenvolver seu próprio jogo para matá-lo, e ainda assim ficar atrás na troca de recursos. Basicamente, não existe "troca boa" em se tratando desses cards.

 

Quando observamos o histórico da Color Pie no Magic (o guia que define o que cada cor vai fazer no jogo, no caso, o vermelho ser melhor com queima e dano direto, enquanto o preto tem sacrifício e dano auto-inflingido, etc.), o verde sempre foi a cor das criaturas grandes, aceleração de mana, efeitos que ganham vida e interagem com coisas "não-naturais" como artefatos/encantamentos. Ou seja, um jogo muito mais pra mesa do que voltado para mão/pilha/vida do oponente.


Logo, acabou sendo bem plausível que, em se tratando nesse tipo de card, o verde fosse recebendo opções cada vez melhores e mais eficientes - uma cor que já era boa em jogar para a mesa tornou-se ainda mais especialista nisso, com a cereja do bolo sendo a Wizards adicionando cada vez mais efeitos que mexiam com compras de cartas e luta (remoção direta), além da já atribuída aceleração de mana.


Cards lançados no decorrer do ano de 2019, com a cereja do bolo sendo em Eldraine tornaram o verde uma cor totalmente completa, com domínio de mana, mesa, cartas e determinados tipos de interação - e quando pareado com uma segunda cor como Azul ou Preto, era possível responder tudo que o oponente fazia ao passo em que possuía as melhores ameaças e jogo proativo.


É possível enxergarmos que, mesmo cards de menor power level que os citados acima, casos de Lobo Mau e Cavaleiro dos Espinhos, contribuem para esse jogo, funcionando como remoção/aceleração ao mesmo tempo em que são criaturas robustas no campo de batalha.


A solução para esse dilema é bater de novo na tecla já citada por vários produtores de conteúdo e jogadores competitivos/profissionais: se em um momento do jogo o balanço de Mágicas x Ameaças(criaturas em sua maioria) estava pendendo demais para as mágicas, agora estamos provavelmente no extremo contrário, em um mundo de ameaças resilientes, capazes de gerar card advantage na mesa e super eficientes em termo de custo, com respostas condicionais e muitas vezes
lentas. Em toda a história dos arquétipos Controle no Magic, esse é talvez o momento em que eles estão menos representados em termos de decks Tier, principalmente quando falamos de Standard.


Por ora, seguimos colhendo as consequências dessas decisões com decks como Jund Sacrifice, Simic Ramp e Simic Flash dominando o Standard com pouca oposição de outras cores, torcendo para que Uro não seja a nova ameaça verde superpoderosa que joga pra mesa da vez - e que Theros nos traga mais mágicas fortes e capazes de começar a retomar o equlíbrio das outras cores e das mágicas.


E quanto a vocês, leitores, quais as suas opiniões a respeito da filosofia de Design de Card Advantage na mesa? Como acreditam ser a melhor forma de combater alguns dos cards citados no artigo em termos de jogo interativo? Também enxergam o verde como a melhor cor atualmente? E o que mais poderia ser feito para equlibrar e até virar esse jogo por parte das outras cores? Deixem suas respostas nos comentários!


Abraços e até a próxima!

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Matheus Akio Yanagiura ( sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está sempre na vida do grind dos torneios, com destaque para o título do CLM 10 Modern, o maior realizado até então, e o Top 16 no Grand Prix São Paulo 2018. É um entusiasta do Magic competitivo e totalmente dedicado à produção de conteúdo referente ao jogo, publicando artigos periodicamente desde 2012, colaborando para o Blog da LigaMagic desde 2015 e atualmente produz vídeos em seu canal no YouTube Sandoiche's Grind e streama ao vivo regularmente na Twitch.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 15/01/2020 00:52

Sinistro

(Quote)
- 14/01/2020 22:54

O jogo tem sido tão desequilibrado por uma série de fatores:
1) contingenciamento de gastos: A Wizards tem tomado uma SENHORA NABA da Hasbro do que diz respeito à verba alocada pra eles do orçamento da empresa. Eles estão colocando dinheiro que poderia ser investido em uma equipe de playtest maior (tiveram que demitir muita gente fazem uns 3 ou 4 anos (até mais se bobear) e desde então não contrataram mais) pra outras marcas da empresa poderem simplesmente continuar operando, porque lucros não geram; e isso faz com que a WotC tenha que operar com pouco pessoal pra fazer funções básicas necessárias pra que uma coleção saia bem projetada, balanceada e divertida de jogar.
2) pressão interna: Como mencionado anteriormente, a Hasbro está mantendo várias de suas outras marcas com dinheiro da Wizards. Isso acontece porque a Wizards é literalmente uma das duas únicas marcas/subsidiárias da Hasbro que geram lucro. Todo o resto ou se paga, ou dá prejuízo. Naturalmente, os executivos da Wizards estão com a faca no pescoço porque eles precisam gerar receita o suficiente pra alimentar pouco mais da metade de todo um acervo de marcas da empresa maior da qual eles fazem parte. A Wizards precisa vender cartinhas. Precisa que as coleções sejam mais atraentes pra isso. Como tornar uma coleção mais atraente gastando pouco ou nada a mais do que a gente já gasta, porque a grana tá encurtando cada vez mais? Estoura o medidor de power level das cartas e abraça o power creep.

É triste dizer, mas do jeito que as coisas estão, por mais que eles tentem priorizar o branco nas próximas edições: a chance de eles criarem um novo Oko fazendo isso é maior do que a de conseguirem realmente ajudar a cor de uma maneira palpável. :/

(Quote)
- 14/01/2020 22:47

Tanto é o caso, que a próxima coleção pós-Theros será Ikoria... Focada em CRIATURAS GIGANTES :(

(Quote)
- 14/01/2020 10:23

Concordo plenamente. Eles derrubaram tudo que o branco fazia de bom (que desde o início, já não era tão bom quanto o que as outras cores faziam) e mantiveram tudo que é fraco e obsoleto. Jogo de Monowhite no Commander há 4 ou 5 anos, e venho sempre observando atentamente as cartas brancas que saem, coleção após coleção. Faz muito tempo que eu percebi o quanto o branco é desfavorecido. Venho comentando há anos que o branco é a pior cor do Magic, em diversos posts aqui da Liga Magic, e o pessoal sempre ignorou.

Eles insistem em colocar aqueles "removals encantamentos" que são uma porcaria. O da vez é o Prison Realm que consegue ser ainda bem pior que o já medíocre Oblivion Ring. Cazzo... Oblivion Ring já é uma carta medíocre. Vez ou outra joga medianamente no Standard. Nem no Pauper ela joga direito. E os caras vem e lançam um Oblivion Ring nerfado? Que sentido faz isso? Compara Prison Realm com o Murderous Rider. Dá até dó. Agora com Theros, aparentemente teremos Banishing Light. Ooooooohhhhh!!! Que baita carta! Banishing Light! Pois é... agora será o melhor removal branco do Standard. E ela é medíocre demais.

Outra coisa... não adianta os bichinhos brancos serem bacaninhas, se eles são sobrepujados pelos verdes. Até os bichos pretos e vermelhos tem sido mais efetivos que os brancos. "Ah... vamos fazer um bichinho bacana pro branco. 2 manas, 2/2 First Strike". Aí o vem o verde e põe um 4/4 ou 5/5 na frente do seu 2/2, e aí? Adianta de quê? Não adianta por keyword no bicho se tem uma montanha de bife na frente. Já que o verde sempre vai ter bichos muito acima da curva, ok, mas pelo menos que os brancos não sejam tão abaixo assim. Ou então, põe keywords que realmente compensem. Não adianta ter First Strike ou Vigilance se o poder do bicho do outro lado do campo é 2 ou 3 vezes maior.

Enfim... é um apanhado de coisas que fizeram do branco a cor mais fraca do Magic. Eu sinceramente acho que sempre foi, e agora, isso está mais evidenciado que nunca. O branco perdeu a soberania sobre os hates (ainda é a melhor, mas seguida muito de perto pelo verde e pelo preto), sobre os removals (o preto, o azul e o vermelho estão milhas à frente dela agora), sobre o campo de batalha (novamente o verde, o preto e até o vermelho estão muito à frente)...

(Quote)
- 14/01/2020 09:38
Excelente artigo, sandoiche!
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