Competindo em 2020
Analisando 2019 e o que esperar do novo ano.
27/12/2019 10:05 - 5.072 visualizações - 12 comentários

Magic tem como uma de suas grandes forças o seu OP, ou seja, Organized Play. O sistema de torneios do jogo faz uma rede gigante que liga o jogador Profissional ao jogador que pisa pela primeira vez na loja, essa rede diferencia Magic de qualquer jogo já feito e de fato é de uma capacidade tão extraordinária que ainda serve muito bem mesmo em 2019, mais de 20 anos depois de ser criado. Mas ele tem mudado muito, nos últimos anos Magic mudou radicalmente, se adaptando a um novo mundo, onde jogos online são a realidade e jogar com cartas de papel que valem milhares de dólares se torna antiquado.


No começo de 2019 escrevi como diversos pontos do OP, que estava mudando, tinha falhas e queria fechar esse ano falando sobre coisas que melhoraram e pioraram nesse sentido.


Por volta de 4 anos atrás, Chris Cocks se tornava o novo CEO da Wizards of the Coast, essa é de longe a notícia mais importante para todo o jogo na era moderna e o que explica muito do que aconteceria com o MTG nos próximos anos. Chris vinha da Microsoft, uma gigante de tecnologia e entrava como manda-chuva de uma empresa que tentava se colocar como gigante nos jogos digitais assim como era nos cards games. O Magic Online não pode ser considerado um fracasso, em 2012, de acordo com a Forbes, metade da receita da Wizards veio dessa plataforma, mas ele é ruim quando pensamos em captação de novos jogadores, o MOL é ótimo quando falamos de simulação do que acontece no Magic competitivo, mas péssimo para chamar novos jogadores. Eram necessárias mudanças na empresa, colocando o MTG no século XXI.


A guinada na era digital explica muita coisa do que aconteceu em 2019, com esse planejamento entrando à todo vapor tivemos a ingressão de diversos ex-funcionários da Blizzards, do concorrente Hearthstone, na equipe de planejamento e Marketing do Magic, tanto que logo no começo de 2019 tivemos o primeiro Mythic Invitational e 8 vagas disponibilizadas para os 8 primeiros no ranking do recém aberto MTG Arena, essa medida é muito comum em jogos online, você prioriza o jogador que está gastando o máximo de tempo possível, fazendo mais e mais jogadores gastarem tempo em sua plataforma, já que eles não vão gastar dinheiro. O problema é que nós estávamos acostumados com métodos de classificação que priorizasse menos o tempo gasto e mais a qualidade, o resultado foi um sistema mega criticado e que não deve mais ser usado. É curioso como aceitamos processos como os PTQs, onde só é permitida uma rodada em 10, mas não aceitamos um sistema que basicamente peça que você fique o máximo de horas online.


Digital e Físico ganham proporções parecidas em 2019, minha grande crítica no começo do ano era como era difuso o caminho para o competitivo, e quando penso no começo de 2020 esse caminho está mais claro, ele é bem difícil, mas se você quiser ir ao Mythic do Arena, ficar entre os 1200 do principal ranking online é uma ótima medida. Aqui vem uma melhora, no aspecto online o caminho está bem mais claro, faça top1200 no Arena, vá bem nos PTQs e MOCS do Msgic Online, e seu caminho existirá. Quando falamos dos Mythics do Arena, em específico, ainda tem a questão dos Mythic Points, que você acumula para entrar na Liga Base do jogo profissional, a Rivals. O problema, pensando no “professional”, é que no online é onde temos a maior quantidade de slots para invites, ou seja, jogadores convidados, e estes convidados podem bagunçar em muito essa corrida por pontos, seja pegando slots importantes e “tirando pontos da corrida”, seja sempre se classificando e assim ficando muito à frente dos outros, casos de Raphael Levy e LSV na última temporada. Pela enésima vez existe uma mistura do “professional” e do “promotional” que parecia que seria mais clara agora que temos vários eventos do Arena com convites, mas que voltou a ficar confusa quando os Mythic Points entram na brincadeira.


No físico o caminho está claro, mas é difícil fazer uma trilha segura quando tivemos tanta desinformação. Explico, em poucos anos passamos por PPTQ/RPTQ-WMCQ-WPNQ/PTQ, são muitas siglas, apesar de serem o mesmo caminho ao mesmo objetivo, o jogo profissional. Quando você fica mudando o nome de algo, fica complexo explicar para o público e em nenhum momento foi feito um trabalho intensivo para explicar essas mudanças de siglas, o resultado é que mesmo o público-alvo, vulgo os grinders, ficam confusos e nem eles sabem como chegar aos evento. Um exemplo disso é como a Lu Couto, da LGM, adaptou um gráfico da WOTC para tentar explicar para alguns como está o caminho.



Um caminho confuso é um caminho que poucos trilham e isso explica menos jogadores tentando grindar, claro que outros motivos podem interferir, mas essa desinformação e instabilidade tem uma parcela de culpa considerável.


WPNQ


Este evento merece um tópico a parte porque ele pra mim reflete uma série de erros da temporada. O WPNQ é um evento que algumas lojas poderão fazer e que dará vaga para o Players Tour, primeiro que temos o problema da sigla, que já citei, e por fim a falta de um apoio importante para o jogador sul americano, a passagem. Durante os WMCQs já podíamos sofrer com a falta deste subsídio, mas as lojas brasileiras acabaram colocando esse fator na balança da premiação, nos WPNQs poucas lojas o fizeram e resultado foi a pior temporada em termos de números de jogadores, chegando ao ponto de eventos em São Paulo com 17 jogadores, um número digno de pena e que parecia o prenúncio da morte de um jogo. O fato é que uma conta de três mil reais é pesada além do que muitos podem e nem de longe a premiação paga tal gasto, desanimando assim os jogadores. A coisa também preocupa quando vemos que em países como EUA esse mesmo problema se repete, novamente pela falta da passagem.


Magic Fest

 

Outro evento que começou a colecionar recordes negativos foram os antigos Grand Prixes, atualmente Magic Fest, mas que apenas mudou o nome. O processo do evento se manteve, mas com sutis mudanças que tornaram o evento principal menos interessante e assim chegamos ao final de 2019 com eventos como o feito em Oklahoma City, nos Estados Unidos, com 348 jogadores, um número absurdo de pequeno. E não apenas nos states, em diversos países, Brasil incluído, foi observado uma diminuição no número de jogadores, sendo que isso em diversos formatos. Explicações? Um evento principal que sem Pro Points acabou virando um grande PTQ, paralelos mais interessantes, inscrições caras, divulgação ruim, uma série de fatores que contribuíram para que a dita “festa” do Magic seja menos festa do que seus antecessores.


2020


Muito do que foi feito no OP foi feito com o trem andando e é esperado que muita coisa dê errado, o esperado para 2020 é justamente que começando um ano com tudo consolidado, os jogadores voltem a competir, tendo mais segurança no sistema. Ainda que em Maio já tenhamos o anunciado fim dos BYEs em Magic Fests, que deve proceder uma série de mudanças nesse evento. Em um cenário onde o design cria cartas que tomam bans rápidos e os eventos mudam toda hora, ao ponto de um jogador não saber o que classifica para o que, é esperado que ninguém queira entrar nessa briga. Minha esperança para o ano que está por vir é estabilidade, de preferência alguns bons anos dela.


Até mais, boas festas!
Ruda

Rudá Andrade dos Reis ( Ruda)
Aficionado por decks azuis agressivos, mas que não dispensa um bom Siege Rhino nas horas vagas, está no Magic desde 2003, em Flagelo.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
Comentários
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- 02/01/2020 15:41
otimo artigo no entanto sempre bom ler seus artigos man 👍🏼
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- 02/01/2020 12:56

Esta virando um legacy por falta de reprint não por reserved, a wiz tem o direito de fazer oque ela quiser sendo dona do jogo, mas acho que empurrar pessoas para o pioneer tornando o modern um "legacy" meio desleal. quanto a torneios eu acho q seria legal se tivesse um caminho apenas jogando modern ja que tem tantas maneiras de se classificar poderia ser uma opção, me expressei errado dizendo que tds deveriam ser torneios de modern.

(Quote)
- 31/12/2019 21:35

Não deveriam. Esse formato, está virando um Legacy e a menina dos olhos agora é o Pioneer.

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- 31/12/2019 21:35

Eu não vejo pq, como empresa, incentivar quaisquer etapas que não sejam Standard.

(Quote)
- 30/12/2019 21:47

concordo deveriam ser torneios modern

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