Sideboarding e sua ciência
Sideboarding não é nada fácil, estas dicas podem maximizar sua eficiência durante um torneio
29/10/2019 10:05 - 5.707 visualizações - 13 comentários

Fala meu Gengibruto, tudo docinho por aí?

 

Desde que Campo dos Mortos foi banido no t2…. Perae, achou mesmo que eu iria falar sobre isso? YOU ARE JUST WRONG!


Hoje falaremos sobre um dos conceitos mais sutis e controversos do Magic, algo que você usará em todos os torneios e que pode mudar a estratégia cada vez que você for precisar fazer, vamos falar sobre o Sideboarding!

 

Antes de começar o torneio você escolhe as 60 cartas do seu Principal e 15 complementares do Sideboard, as quais você pode trocar(ou simplesmente adicionar) com as do principal a partir do segundo jogo.


A construção de seu sideboard é tão importante quanto a de seu maindeck, da mesma maneira que você usa Fuga de Mana no maindeck invés de No Logico por um motivo específico, as escolhas do side também devem ter uma razão. Não adianta você usar 4 Stony Silence, por exemplo, se prevê que não enfrentará decks de artefato.

 

O primeiro passo aqui é entender como formar as 15 cartas. Antes deve primeiro entender que tipo de torneio vai jogar: é um PTQ de 8 rodadas ou um FNM de 5? 


A amostragem dos decks mais comuns do formato é um dos dados mais importantes de se obter, você vai querer muito hate para decks de Urza num torneio grande, e talvez precise de 0 cartas contra eles no seu field onde ninguém tem o baralho.


Com isso em mente, você distribui as cartas entre: Decks mais presentes, bad matchups e cartas flexíveis(que servem para mais de uma partida), não existe fórmula mágica aqui, vai depender do seu baralho, do seu conhecimento e da sorte ao enfrentar oponentes, mas é assim que eu construo meu side, seguindo essas 3 linhas.

 

Como fazemos para sidear? É simples!


Você tira as ruins e coloca as boas, não é assim que todo mundo faz? É… mais ou menos….

 

Não existem mal sem bem, quente sem frio, buxexa sem claudinho… O que quero dizer é que cartas “boas” e “ruins” são relativas, uma vez que o bom ou ruim deve ter uma aplicação válida.


O conceito convencional de carta boa pós side é levemente errôneo, ao meu ver. Pensar que um Empurrao Fatal é ruim contra um control sem bixos é bem simples, no entanto, esse control pode subir Mentor do Monasterio, e se você ficar sem nenhum removal, o jogo pode ser roubado rapidamente pelo exército de monges, então, antes de classificar como boa, média ou ruim a sua própria carta, pense como o SEU deck e o de seu OPONENTE estarão DEPOIS de sidear, já removendo as “ruins” e subindo as boas, já que alguns decks têm o plano de side transformacional, criando virtual card advantage(Você pode entender melhor este conceito AQUI).

 

Vamos imaginar que estejamos jogando de Valakut vs Humans no Modern, após sidear, minha lista fica nesta exata configuração:

 

Valakut Pós Side
3831 visualizações
23/10/2019
R$ 1.568,44
R$ 2.276,51
R$ 7.515,30
3831 visualizações
23/10/2019
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (12)
4  Ancião da Tribo Sakura  1,50
1  Centaura-caçadora de Crufix   16,82
1  Rastreador Incansável  53,00
2  Baloth Obstinado   2,69
4  Titã Primordial   29,75
Planeswalkers (1)
1  Chandra, Chama da Rebeldia   74,50
Mágicas (19)
1  Pacto do Invocador 38,99
3  Raio 6,79
1  Abrasão  3,96
3  Busca Longínqua  0,80
2  Explorar  0,20
1  Frigir  1,97
4  Buscar pelo Amanhã  0,10
1  Fúria dos Deuses   4,95
1  Sóis Escaldantes   2,00
1  Metapaisagem   49,90
1  Sumidouro Magmático  0,07
Terrenos (28)
1  Arvoredo Resguardado4,00
1  Campo dos Mortos22,28
1  Catacumbas Verdejantes161,50
2  Clareira das Cinzas7,00
4  Contraforte Arborizado75,53
1  Floresta0,00
1  Floresta Tropical Nebulosa207,79
1  Floresta da Neve1,76
4  Montanha0,00
2  Montanha da Neve1,75
4  Solo Pisoteado29,75
1  Urzal Ventoso47,42
4  Valakut, o Pináculo Derretido46,74
1  Vista Prismática98,00
60 cards total

 

Se olharmos para a configuração do G1 do Humans, Mago Refletor parece uma carta bem fraca na partida, já que ela só serve para remover o Titan por um turno, e pode nem ser o suficiente. Mago Interferidor nomeando Metapaisagem e Primeval Titan travam as kill conditions no G1. Se olharmos para a versão post board, 3 Scapes vão para o side, o deck fica com 9 removals(6 de nomes diferentes) e com 12 criaturas, melhorando o uso do Reflector e piorando bastante o Meddling Mage no escuro. Um oponente desavisado que removesse todos os reflectors e talvez nem subisse os Deputy of Detention poderia ser pego de calça curta. Ou alguém que nomeie Scapeshift muito agressivamente nos Meddling, sem saber que apenas uma cópia resta no baralho. O segredo aqui é entender quais cartas virão e sairão do outro lado, para que suas cartas tenham mais valor.

 

Depois de entender o plano de G2 que você pode começar a classificar suas próprias cartas, como vimos no exemplo do valakut, algumas cartas boas do Humans se tornavam médias e algumas médias/ruins se tornavam ótimas. Este ensinamento vale para todo o seu side. Enquanto Expurgo Celestial é bem óbvio contra Jund ou BR Midrange, se você reparar na big picture, ele também tem boas aplicações contra o Humans: Purge exila qualquer permanente vermelha e/ou preta, mas não precisa ser monocolorida, então uma carta que parece sem serventia contra um deck baseado em cartas brancas, pode brilhar. Ginete de Mantideo, Kitesail Freebooter, Plague Engineer, Sin Collector, Kambal, Consul da Alocacao. De “inútil” sua carta passa a lidar com 10~12 cartas, um número bem bom considerando que você nem a colocou para lidar com essa matchup.

 

Os meus anos de Legacy me ensinaram que os Storm geralmente sobem Xantid Swarm no g2, portanto eu deveria deixar alguma quantidade de removal, no entanto, eu deveria ser consciente com a quantidade, porque não adianta eu deixar 4 Espadas em Arados, Council's Judgment e Terminus para lidar com uma carta que deve vir apenas uma ou duas cópias do outro lado, pondere na quantidade de respostas para ameaças muito específicas.


É importante ser criativo aqui, pense nas interações marginais que suas cartas podem te salvar(Veil of Summer “anulando” um Gifts Ungiven contra Storm, Espada de Luz e Sombra voltando Collector Ouphe contra Scales depois de tomar dismember mesmo ele sendo um nonbo com a espada), mas não se esqueça que para cada carta entrando, uma “ruim” tem que sair. Vale tanto a pena assim você subir Leyline of Sanctity só para parar os burns do Jeskai Control? É tão importante você ter seus 14 spot removal no G2 contra Storm só para matar os Aceleradores? Será que o oponente não vai cortar algumas dessas cartas que você tem medo? Ter uma carta marginal nota 4 que pode funcionar em algumas situações pode ser melhor que uma nota 9 ou 10 que só funciona se todos os planetas estiverem alinhados e for um sábado 14 depois de uma Sexta-Feira 13.

 

Alguns prós indicam não se seguir um guia de Side, dizendo que as partidas podem ter nuances de cartas diferentes ou estilo de jogo dentre os pilotos, enquanto eu concordo com esta afirmação, acho que algo muito importante não foi falado.


Se presumirmos que toda vez que jogarmos com um deck nós estaríamos bem treinados e confortáveis com as 75 cartas, o guia de side não serviria para muita coisa mesmo, mas nem todo mundo masteriza um deck antes de jogar um torneio, seja por vontade, tempo ou simplesmente por falta de cartas. O guia de side é literalmente um GUIA, ele não te obriga a fazer aquelas exatas escolhas de cartas para saírem e cartas para entrarem no deck, no entanto, o guia foi feito por alguém(seja você ou outra pessoa) que estava estudando as partidas num momento tranquilo, pensando nos ins e outs sem limite de tempo, e que, muitas vezes, fez e refez o guia após alguns testes, então seguir esse guia significa que você está ouvindo uma opinião baseada em estratégia, tentativa e erro além de conhecimento, novamente, isso não quer dizer que você não possa mudar algumas coisas durante o side caso tenha visto algo diferente. Eu mesmo sempre disponibilizo meu guia de side para o Titanshift e acabo mudando algumas coisas de última hora, seja por ter entendido algo diferente da partida ou porque o deck do meu oponente tinha algo que eu não esperava.

 

Outra estratégia importante que não recebe a atenção que merece é a Play vs Draw.


Mesmo que você saiba a exata estratégia adversária nos jogos sideados, existe chances de você precisar mudar sua estratégia se estiver no play ou no draw, isso é devido à eficiência de algumas de suas cartas. Liliana do Veu é mais fraca no draw quando você não consegue ter um “turno de respiro” do oponente sem ameaças/para você matar tudo menos uma criatura que seria sacrificada para o -2. Algumas cartas não funcionam tão bem no draw como Pasmar já que você estaria dando o play duplamente pro oponente por “perder um land drop” do custo alternativo da carta.


Trocar a estratégia play e draw é bem relevante, primeiro pelo ponto citado de cartas menos efetivas, segundo pois um oponente pode estar preparado para uma configuração de baralho que você estava mas mudou(principalmente em decks com side transformacional). Quando eu não pretendo mudar meu deck para o G3 eu tendo a remover do main alguma carta que eu já tinha tirado mas não todas, pegar as mesmas do side e recolocar no deck(exemplo: se tirei 2 Scapeshifts para o G2 eu tiro os 2 Scapes para o g3 e recoloco os do side), assim vai parecer que eu mudei algo no meu deck, meu oponente vai reparar e pode residear pensando que mudei de estratégia, é um bom mind game para se fazer com quem não te conhece.


Sidear de menos e sidear demais também é problemático, falhar em identificar se as cartas que você está colocando são, de fato, melhores que as que você está tirando. Isso entra na teoria do “boa ou ruim” mas também se encaixa no quesito de virtual card advantage.


Ter uma carta completamente morta(ou marginal demais) pode dar a vantagem necessária para o adversário virar o jogo. Aquela carta que te salvaria de uma situação muito específica fica muito tempo na sua mão quando poderia ser o Burn letal da partida ou qualquer resposta efetiva para a ameaça que finalizou o jogo para o outro lado.

 

Diferente da ciência de foguetes, sideboarding não é uma ciência exata, nem sempre é fácil identificar o que tirar, o que colocar, pesquise como funciona seu baralho, o baralho do seu oponente, principalmente postboard, assim você minimizará a chance de apresentar um deck “falho” nos jogos 2 e 3, e a partir daí vai ser só habilidade nas jogadas com uma pitada de sorte para levar a partida. O homem nasce bom, a zika de mana o corrompe. Até semana que vem, amiguinhos!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Aficionado por Legacy, sempre que pode joga com decks que matam com terrenos e não dispensa uma ativação de Vial no passe.
Redes Sociais: Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 05/11/2019 10:23
Excelente artigo, meu caro! O único escritor da liga que não perco um artigo. Bom trabalho!

Tenho uma tendência a variar pouco ou quase nunca meu side no G3, achei bem interessante a proposta do mind game!

Queria aproveitar para agradecer seu artigo sobre a stoneforge, muitas tricks que citou no artigo me ajudaram bastante a melhorar.

Grande abraço!
(Quote)
- 04/11/2019 23:15

Valeu pela presença de sempre mano!

(Quote)
- 31/10/2019 19:08
Muito foda, Brother!! Sideboards sempre será um assunto interessante. Gostei bastante das técnicas. Abraço e parabéns.. tu é pika
(Quote)
- 30/10/2019 23:21

Valeu novamente mano!
É bem complicado ter que aprender sozinho como jogar com o arquétipo, eu fui assim com o Lands e o DnT, pela falta de informação sobre os decks, depois de muito bater a cabeça entendi alguns conceitos importantes.


Brigadão!

(Quote)
- 30/10/2019 13:48
Outro post absurdo de bom e útil.
Últimos artigos de Bruno Ramalho
Como ganhar no Mirror
Pouca gente gosta de jogar o mirror, com essas dicas você nunca mais perderá um.
4.681 views
Como ganhar no Mirror
Pouca gente gosta de jogar o mirror, com essas dicas você nunca mais perderá um.
4.681 views
Há 4 dias — Por Bruno Ramalho
A Estratégia do Próximo Nível
Next Level Thinking é um termo antigo e bem conhecido. Aprenda a elevar sua estratégia para o próximo nível!
7.224 views
A Estratégia do Próximo Nível
Next Level Thinking é um termo antigo e bem conhecido. Aprenda a elevar sua estratégia para o próximo nível!
7.224 views
Há 16 dias — Por Bruno Ramalho
Controlando o Pioneer
"Todo formato merece seu control, veja os competidores do Pioneer"
13.293 views
Controlando o Pioneer
"Todo formato merece seu control, veja os competidores do Pioneer"
13.293 views
Há 19 dias — Por Bruno Ramalho
Legacy no Brasil, metagame dos fortes
Legacy aos olhos dos brasileiros
11.773 views
Legacy no Brasil, metagame dos fortes
Legacy aos olhos dos brasileiros
11.773 views
Há 26 dias — Por Bruno Ramalho
Aprendendo a pilotar o Crabvine
O novo deck de cemitério do Modern, aprendendo a otimizá-lo
6.051 views
Aprendendo a pilotar o Crabvine
O novo deck de cemitério do Modern, aprendendo a otimizá-lo
6.051 views
17/12/2019 10:05 — Por Bruno Ramalho