A Hora do Pauper - Base de Mana
Avaliar a base de mana de um formato, ajuda a entender como ele funciona
19/09/2019 18:05 - 6.290 visualizações - 24 comentários

E aí galera, tudo bem? Aqui quem vos escreve é o Heli e hoje venho trazer uma análise de como a base de mana disponível no Pauper, influencia diretamente nos decks mais jogados do formato. Eu acredito ser um excelente momento para discutirmos sobre isso, até porque uma das cartas que está em evidência é o Arcum’s Astrolabe, sendo a melhor correção de cor de mana que o formato já teve.


Tratar a base de mana do Pauper como um problema a ser resolvido é uma das minha maiores bandeiras, desde que comecei a produzir conteúdo e estudar o formato. Eu entendo que considerar uma base de mana muito flexível, tendo apenas cartas comuns, é uma realidade difícil de ser alcançada, pois afeta não só o construído, mas principalmente o limitado. Existem muitos artigos sobre o assunto, tanto em português quanto em inglês, seguem alguns aqui:


MTG101 - Terrenos e Matemática, Presente e Futuro por Raphael Soares Bonfim;
Deckbuilding – O Medo da base de lands por Gabriel Luiz Martinez;
How Many Colored Mana Sources Do You Need to Consistently Cast Your Spells? por Frank Karsten.


Estes são alguns exemplos de artigos que abordam o tema, instruindo e discutindo como definir quantos e quais terrenos você deve utilizar em seu deck. Porém, nosso assunto aqui é Pauper, por isso recomendo a leitura do artigo do Alex Ullman, intitulado “Building Pauper Mana Bases” ou em tradução livre “Construindo Bases de Mana no Pauper”. Alex procurou avaliar todas as opções de terrenos disponíveis que temos no formato, descrevendo suas funções e destacando quais decks se encaixam melhor com eles. Eu acho muito importante que todos possam conhecer às possibilidades e também apresentar às características do formato à quem ainda não o conhece.


Muito mais do que conhecer as opções de terrenos, temos que entender como elas influenciam no formato, possibilitando (ou não) a criação ou adaptação de builds para as variações do metagame. O Pauper exige um equilíbrio complexo, pois boa parte das cartas mais antigas do formato possuem um power level maior que as atuais, ficando a cargo das raras e míticas a responsabilidade de carregar essa bandeira nas edições mais recentes. No Standard, as combinações de cores são influenciadas diretamente pelas opções de terrenos disponíveis; no Modern as opções são maiores já que a combinação de Shock e Fetchlands cria uma base de mana ampla, porém utilizando sua vida como recurso, o que força o jogador a entender seu deck e escolher as melhores opções para esta build; no Legacy, as opções são inúmeras e as Old Duais criam a base de mana perfeita para um
formato tão complexo, facilitando a criação de praticamente qualquer combinação.


Vou apresentar os terrenos que temos disponíveis, dando ênfase aos que são mais utilizados no formato, procurando explicar como eles influenciam diretamente no metagame. Um usuário do TappedOut compilou os terrenos válidos em uma lista.

 

Lembro que os terrenos básicos ainda são os mais utilizados no formato, principalmente em decks agressivos. Agruparei de uma forma mais simplista,
visando facilitar a explicação dos motivos do usos de cada grupo.

 

Duais Taplands


Resumidamente, aqui temos todas as lands que entram viradas e geram duas manas de cores diferentes, sendo as principais os Guildgates, Lifegainlands e Bouncelands. Antes do lançamento das Lifegainlands em Clãs de Tarkir, os Guildgates eram as únicas opções de terrenos que gerassem duas manas coloridas diferentes, o que sempre dificultou a criação de deck aggros multicoloridos, porém ajudou muito o crescimento dos decks midrange. As Bouncelands sempre foram escolhidas em decks control, pois deixam poucos terrenos desvirados disponíveis nos turnos iniciais, para que você tenha mais opções no mid para o late game e também tem uma sinergia importante com terrenos com ETB (trigam ao entrarem em campo). Vejam que qualquer uma dessa opções favorecem o jogo mais lento, mesmo que possibilitando decks com mais de uma cor, ter muitos terrenos entrando virados cria um metagame mais reativo ou por vezes passivo, onde você procura ter opções para responder as ações de seu oponente e até fazendo seu jogo sem se preocupar muito com as jogadas do outro lado. Os decks mais agressivos do formato são monocoloridos o que dificulta ter respostas para a quantidade de opções que várias cores podem
disponibilizar.

 



 

Terrenos Nevados


Essa é a base de mana que tem dado a maior dor de cabeça para muitos jogadores, devido ao Inverno Pauper, onde boa parte dos decks tier 1 tem usado esses terrenos. Sendo lançados em Era Glacial, só tiveram seu uso disseminado no formato com a criação do UR Skred no MTGO, sendo usado basicamente somente nesse deck. Com o lançamento de Modern Horizons e o retorno dos terrenos nevados, Arcum's Astrolabe se tornou uma carta quase que obrigatória em um formato que apresenta tantas opções lentas para correção da base de mana. Na verdade, o Astrolabe e a base nevada possibilitou a criação de decks com até cinco cores, o que parecia impossível ainda mais se falando de competitivo. O peculiar é que somente Skred e Arcum's Astrolabe tem interação direta com o uso de terrenos nevados, pois boa parte do que é comum não é muito relevante dentro formato, o que me parece ser um ponto a ser desenvolvido pela WotC no futuro.


"Fetchlands"


Claro que o Pauper não tem as mesmas opções para busca de terrenos que outros formatos e dependemos de poucas opções. Evolving Wilds / Terramorphic Expanse são as utilizadas, Ash Barrens veio em Commander 2016 para complementar essa busca por terrenos básicos; temos também os Panoramas, mas que pelo custo para buscar, acabam sendo preteridas.


Uma das grandes discussões em torno do uso de Ash Barrens e Evolving WIlds é qual delas usar e em qual quantidade. Não tenho uma resposta definitiva, mas Ash é uma boa opção quase você tem um splash e necessita que esse terreno entre desvirado, como no Tireless Tribe com a mana branca ou os Jeskai atuais com a mana vermelha; em decks como BW ou UB você pode esperar para ter a mana correspondente, não tendo problema nela entrar virada.


Mais uma vez temos terrenos que entram virados em campo, diminuindo a velocidade que decks aggros precisam, não atrapalhando muito as estratégias mais lentas do formato.



 

Lands Artefato e kit Urza

 

Sendo o único formato onde são permitidas ainda, os terrenos Artefatos de Mirrodin mantém o Affinity vivo, além de permitir outras builds que podem se aproveitar da habilidade de Metalcraft, como o Boros Monarca, principalmente pelo Galvanic Blast. Com Cranial Plating banido e as opções comuns de cartas que possuem afinidade com artefatos sendo poucas, o Affinity se mantém com um deck forte, mas justo dentro do formato.


Já as lands de Urza criam uma enormidade de opções, principalmente agora com Arcum's Astrolabe e Ephemerate, possibilitando splash para qualquer cor, tanto no maindeck como no sideboard. Não temos Sylvan Scrying e Ancient Stirrings não busca tantas opções como no Modern, mas o Tron assumiu seu protagonismo como o deck big mana do formato, após o banimento de Cloudpost. É um deck difícil de ser mantido em apenas uma cor, como no Modern, pela falta de cartas que decidem, como Karn Liberated, Ugin the Dragon Spirit e Wurmcoil Engine, então temos visto builds com pelo menos três cores visando aproveitar a quantidade de mana disponível.


Utility Lands


Aqui temos um série de terrenos, que em sua maioria possuem ETB e te ajudam com alguma habilidade além da geração de mana. Essa habilidades têm funções de mágicas, procurando equilibrar o fato de entrarem viradas e acabam sendo amplamente utilizadas, sendo a mais conhecidas Bojuka Bog, Mortuary Mire, Radiant Fountain, Kabira Crossroads e Haunted Fengraf. Mais uma vez temos um conjunto muito útil ao formato, porém todas entram viradas, o que favorece seu uso em decks midrange e control, tendo uma sinergia considerável com às bouncelands.


Outros terrenos


Temos alguns ciclos de terrenos, mas que vou abordar de forma mais genérica:


Depletion Lands - por gerarem duas manas com apenas um terreno, favorece seu uso em decks combos ou LD;



 

Cyclelands - ajudam a dar um draw no late game, podendo diminuir seu flood;



 

Saclands - fazem algo a mais quando sacrificando, sendo somente (e muito pouco) usadas em decks combo



 

Acredito ter conseguido abordar de forma resumida todas os tipos de terrenos que temos a disposição e isso é interessante para que possamos compreender o que o formato precisa e porque o nosso metagame está dessa forma. Conheço muitos jogadores que são unânimes em dizer que a base de mana define o formato e hoje o Pauper acaba por ser limitado nesse quesito. Temos um grande quantidade de terrenos à disposição mas apenas alguns são utilizados, sendo que essas opções empurram o formato para um jogo lento, com muitos terrenos virados e interações reativas, que sempre visam responder as jogadas do oponente.


Sinceramente, eu acredito ser um dos pontos com maior problema no formato, já que é onde define-se a estratégia e criam-se as opções a serem utilizadas, principalmente em resposta ao metagame. Reclama-se muito do Arcum’s Astrolabe, mas ele te permite ter duas manas de cores diferentes no turno 2 sem depender apenas da sorte, o que para mim é uma situação importante para que exista variabilidade e possamos usar totalmente o que o formato oferece. Antes de Modern Horizons sair, estava discutindo com a comunidade Pauper que tipo de fetchland seria boa pro formato, sem comprometer o limitado, mas ainda sendo útil. Bom, cogitando algumas possibilidades, um texto surgiu e acabou sendo muito parecido com a Prismatic Vista que saiu como rara, sendo uma referência do que podemos esperar para o formato. Como exercício mental, procurei conceber algo entre essas limitações, mas que ainda fosse relevante pro formato e acabei chegando nisso:


Fetchland Boros
“Vire, pague 2 pontos de vida, sacrifique Fetchland Boros: Procure por uma Planície básica ou Montanha básica, coloque no campo de batalha e depois embaralhe seu grimório.”


Claramente que esse terreno é apenas hipotético, mas o que vocês acham? O que vocês acham que a base de mana do Pauper precisa? Um downgrade resolveria ou um novo terreno precisa sair? Pensando nisso, vou deixar um link de uma pesquisa com alguns terrenos que hoje não estão no formato, avaliando quais deles ou não, poderiam estar disponíveis:


LINK PARA A PESQUISA


Gostaria muito que vocês respondessem a pesquisa, pois irei trazer uma análise sobre esse resultado, junto com meu próximo artigo. Bom galera, vou ficando por aqui e espero que tenham gostado da análise. Um abraço a todos e até mais!

Heli Mateus ( helimateus)
Heli Mateus conheceu o Magic em 1998, mas começou a jogar em 2015 quando conheceu o
formato Pauper. Hoje é entusiasta do formato e produtor de conteúdo, principalmente como
podcaster sendo host do PauperView e cohost do RakdosCast.
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 23/09/2019 13:19

Fala Alanzito, no Pauper 1K que rolou na Cards também não teve Jeskai no top 3 e o ambiente estava diverso assim como esse torneio que você mencionou, mas acho que não podemos usar apenas o field desses torneiros regionais para avaliar a situação.

Concordo que o Astrolable não é um bicho papão, só acho que ele limita o ambiente por todo mundo querer usar o kit. Se tivesse que apontar um vilão pro ambiente seria o Ephemerate, assim como o Heli disse.

A questão que levantei do Astrolable foi o fato de ele não diversificar estratégias, umas vê que não há estratégia tão eficiente quanto usar o Kit e tirar o máximo de valor que a carta pode proporciona. Se fosse apenas pela correção de mana, há outro artefato 1 de custo que entra em pé e filtra e só não dá o draw. Mas não vejo hoje o Astro ser tão ruim quanto o Ephemerate para o formato.

(Quote)
- 23/09/2019 12:19
Land boros entra de pé se você revelar uma criatura de custo 1 da sua mão
(Quote)
- 23/09/2019 11:06

Amigo o Astrolábio não é tão bicho de sete cabeças. A uma semana teve um evento muito grande organizado em SP para pauper com premiação e 1.5k de premiação com 50 players eu fiquei em 2 lugar fazendo 6x1. E o astrolábio não fez tanta diferença assim. Confesso ele que ajuda e adianta muito o jogo sim.
Mais existe muito draw no pauper então é só adaptar mesmo por enquanto.

Mais o legal que os 3 primeiros colocados não jogavam de astrolábio.

No final das conta o que conta é mais importante você conhecer o deck do adversário e saber jogar sem erro, e sorte na compra

Campeão Affinity 500 reais
2 Stompy 300 reais
3 Burn 150

O restante do premio dividido até o 8 colocado.

(Quote)
- 23/09/2019 09:38

Amigo, primeiramente, não estou interessado na sua arrogância. Nem se vc fosse multi campeão de Challenge (que provavelmente não é) teria esse direito. Não te interessa se sou jogador competitivo ou não, pois não te devo explicação alguma.

E só para o seu conhecimento, eu mesmo uso o Astrolable e posso dizer com propriedade o quão forte a carta é, e ainda assim a minha opinião é que ela não torna o formato diverso, como todos dizem, embora eu tenha acabado de jogar um torneio físico com 45 jogadores na Cards of Paradise e um formato diverso.

É difícil comparar o meta game físico e online, principalmente no RJ, onde o Pauper ainda está crescendo, ou seja, nem sempre eles estão alinhados, portanto não posso tomar como base o meta game diverso de um torneio regional. O MOL é a maior amostragem, e para ilustrar o que estou falando, pega o top 8 do último Challenge. Foram 3 Stompy, 4 Jeskai e um Elfos. "Coincidentemente" o deck que usa o kit Astrolable e a melhor opção para batê-lo atualmente dominaram. Outro dado importante é que mais uma vez, a participação do Jeskai Ephemerate no Challenge ultrapassou os 20%. Nesse último foi 23%.

Quanto às Lands, não sei se vc entendeu a proposta, mas era uma brincadeira de imaginação, mas já que vc apresentou certa dificuldade na interpretação de texto, vou apenas desconsiderar.

Por favor, não perca seu tempo vindo aqui pra cuspir suas conclusões sobre a opinião dos outros, principalmente as escritas em poucas linhas, pois todas serão sim superficiais. Se eu QUISESSE explicar minha opinião de forma detalhada e com dados estatísticos eu teria feito, mas essa não foi a intenção.

(Quote)
- 22/09/2019 20:18

Amigo, o asrtolabe só corrige o card advantage, pois vcs cicla no manafilter, sua análise é muito superficial, sem querer ser grosso, mas me parece que vc é um jogador casual e saudosista que não quer mudar de deck é acha que o metagame tem que mudar pra vc ter seu pet deck Tier 1.
Magic é isso meu bom, evolução e mudanças sempre se vc gosta do jogo, melhor ficar se atualizando ao invés de reclamar.
Com relação ao seu comenTÁrio de dual que entra em pé, pelo que entendi sem draw back (kkk) tu é muito otimista pq isso só existe no legacy kkk no modem temos as shock, para pauper seria necessário pain lands com dano turbinado, ou uma mistura de shock e pain pra ser no mínimo justo.

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