21st Century Digital Game
13/06/2019 18:05 - 4,884 visualizações - 7 comentários

Play the Game, See the World significa, não pensando na tradução literal, viajar pelo mundo enquanto joga algo. Essa filosofia é o objetivo da maioria dos jogadores de qualquer modalidade, do futebol ao Magic, e ter ela enquanto slogan, foi uma das maiores sacadas que o marketing da Wizards.


Por muito tempo o Magic teve um sistema de jogo profissional que me parecia quase perfeito, pensando como jogador. Era um caminho claro da loja da minha cidade até o circuito profissional, eu podia apenas jogar e me esforçando, chegaria ao Olimpo. Por “apenas jogar”, significa que eu não precisava de uma equipe, eu não precisava conhecer pessoas, eram apenas eu, as cartas e o quanto eu queria investir do meu tempo nisso. A Wizards aproveitava esse sistema se apoiando nos jogadores profissionais, ela tentava tirar o máximo possível dessa cara que tinha como principal característica sua qualidade como jogador e como o jogo se desenvolvia com esses incentivos. O sonho era chegar ao nível onde a empresa te pagava
para jogar.


O ponto é que, Magic era o único jogo que tinha essa abordagem.


“Pro players não são a única maneira de você incentivar novos jogadores e eles representam uma fatia bem pequena do seu público.”


Essa premissa é a base para entendermos todas as mudanças que estão acontecendo no sistema de jogo profissional da Wizards e de certa maneira também nos faz entender como funcionam hoje os sistema de jogo do esports, lembrando que agora nós estamos incluídos nesse sistema.


O jogador profissional é um jogador pago para jogar, o jogador promocional é aquele que é pago para promover o jogo. Tem uma grande diferença entre ambos. O primeiro caso vende o meu jogo quando ele o desenvolve ao máximo, o segundo é um garoto-propaganda que consegue fazer uso de mídias para vender meu jogo. É muito fácil preferir o segundo caso quando eu sou uma empresa querendo marketing e muito fácil preferir o primeiro caso quando sou um jogador.


Ambos conseguem conviver? Sim. Mas a novidade para o Magic tem sido o segundo caso, já que ficamos anos apenas vivendo com o primeiro. A alguns anos Amaz, streamer conhecido do Hearthstone, foi convidado para jogar um Pro Tour, ele então começou a stremar e falar mais sobre o jogo, segundo o próprio, uma paixão muito antiga. Na época, muita gente criticou a ação da Wizards e começou a discutir até que ponto era justo convidar alguém para o principal evento do circuito profissional apenas com a credencial dos números de viewrs na Twitch. Hoje vemos que aquele era o começo do que seria o “mundo arena”, onde streamers e jogadores profissionais são ambos tratados como “pro players”.

 

Até aqui tivemos a parte análitica do texto, onde concluo que estávamos em uma fase focada no “jogador profissional” e estamos migrando não para uma completa transformação, mas para um mundo onde “pro” significa ambos, profissional e pomocional, a ideia é que eles vão conviver. A partir daqui entramos na parte opinativa do texto.


MF, Path to Pro e PPL


O Pro Players Club morre em 2019, e digo isso baseado no fato do sistema “bronze à platinum” terminar esse ano, e o Magic Pro League nem de longe tem qualquer ligação com tal sistema. O PPL era o resumo da filosofia de valorização do jogador unicamente enquanto jogador e o fim do programa e remanejamento da verba para um evento com maior premiação, logo, mais fácil de “vender” para anunciantes e imprensa, marca a mudança total do pensamento. Mais do que isso, o caminho até o profissional, ou “path to pro” fica nebuloso e essa é um dos problemas mais simples das mudanças que a Wizards tem aplicado. Até o final do ano passado era claro o caminho que um jogador precisava fazer para subir no competitivo, hoje ela não é clara, eu sei como chegar ao Mythic Championship, que tem seus classificatórios, mas como se manter lá não é algo claro. Por mais que o competitivo não seja o maior público de qualquer jogo, ter um caminho claro de ascensão é o que mantém essa parcela jogando e estamos falando de uma parcela fiel e que não pode ser simplesmente ignorada


Ainda nesse tópico, os MagicFests eram um dos caminhos para o Mythic Championship, mas os diversos cortes, de passagens e pro points, combinados com um evento que ainda deve o porquê de usar a palavra “fest” tem desanimado em muito os jogadores. Inclusive, a falta dos pro points nesses eventos tirou o incentivo para os jogadores profissionais competirem, tirando parte do glamour do evento.


MPL


A Magic Pro League foi uma das melhore iniciativas da Wizards para o Magic competitivo, um pagamento anual para jogadores profissionais onde suas obrigações envolvem uma liga semanal e streams constantes. Tudo ótimo, tudo lindo. Mas a divulgação tem sido cada vez mais fraca, a MPL começou com 50 mil viewrs e no último fim de semana ficou com míseros 3 mil, não conseguindo bater SCG Invitational, que também estava streamando Standard, ou Nummot, um famoso streamer que estava jogando Magic Online. É impossível dizer que a MPL não tem conteúdo para gerar audiência, mas é possível falar que a falta de divulgação dos torneios (usar a plataforma do Arena como divulgação, por exemplo), e uma certa confusão da Wizards com o que fazer, tem ajudado à números modestos para um grande investimento. Representatividade


MPL nos traz a outro tópico muito discutido que é a diversidade no competitivo. No Mythic Invitational já havia sido apontado que boa parte dos convidados atendia mais à diversidade do que à uma meritocracia do jogo, na época comentei que essa medida fazia todo sentido quando pensávamos o Invitational como uma grande plataforma de divulgação do Magic, curiosamente esse mesmo torneio foi um sucesso de números de coverage, seja em números, seja em crítica. Para o Invitational e dois pro players são retirados da MPL, por cheating e por mal comportamento, o que mostra uma Wizards preocupada com a imagem que seus jogadores vão passar do jogo, os convidados para essas vagas são Jéssica Estephen, melhor jogadora do ranking, e Savjz, streamer conhecido. Eu não cito os resultados do Savjz, como o top4 no Invitational, porque ele não foi chamado por isso, um cara que joga a 10 anos e tem completa ausência de resultados, não pela sua habilidade, mas pela falta de interesse, não precisa ser citado quando o resultado é em um evento que ele foi convidado e que tinha um sistema de double-elimination que ajudava em muito a variância e não a constante dos jogadores profissionais, Savjz foi chamado pelos números, ele foi empurrado para a MPL por esses mesmos números e sim, essa é uma política que pode acontecer muito. Sobre a Jéssica, eu acredito em representatividade e prefiro que a Carol comente sobre, mas ainda é uma jogadora em um torneio de jogadores.


Conteúdo


Se pelo lado de jogador eu tenho ficado completamente perdido e visto um ambiente nada agradável, pelo lado de produtor de conteúdo eu tenho vivido uma fase muito boa. A Wizards tem dado um suporte incrível para quem tem feito conteúdo baseado em Magic, seja com eventos no Magic Arena ou mesmo uma abertura da própria empresa para uma aproximação. Um mundo onde o “promocional” cresceu tanto é um mundo onde sentar e escrever, stremar e gravar vídeos vale muito a pena. .

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2018 é um ano de transição, Arena, MPL, fim do PPL não sendo isso suficiente ainda temos uma enxurrada de novos jogadores com o Arena, jogadores que não conhecem o Pro Tour, que não sabem quem é Paulo Vitor Damo da Rosa ou John Finkel, mas que gostam de ver streams e já odeiam nexus of fate. Temos uma empresa e um público acostumado com pedaços de papel a 25 anos e acabamos de pedir para eles sentarem com quem não sai do computador. Junte com isso o predatório mundo do marketing digital e temos essa aparente confusão da Wizards, a empresa que anuncia Modern Horizons no Magic Arena.


Até mais!

Ruda

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Rudá Andrade dos Reis ( Ruda)
Aficionado por decks azuis agressivos, mas que não dispensa um bom Siege Rhino nas horas vagas, está no Magic desde 2003, em Flagelo.
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Comentários

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Figs (14/06/2019 14:00)

Muito!!
Já teve referência à NOFX, agora Bad Religion, belo gosto musical!

Comecudecurioso (14/06/2019 10:37)

Anunciar Modern Horizons no magic arena..... pqp kkkkk a wizards tá mais perdida que cego em tiroteio kkkk

Gandalf_the_magician (14/06/2019 09:37)

Curti a referência.

Caio2201 (14/06/2019 05:15)

Sobre o Amaz, vale sempre lembrar que ele tem 2 top8 em Grand Prix, então é meio idiota quem acha que ele só tá lá pq é famosinho no HS
O cara é bom e muito bom no nosso querido MTG tbm

Denfaceupp (14/06/2019 00:34)

Sobre views na twitch: o primeiro boom de 100k+ de views foi mais em razão dos serviços contratados para 'co-stream' (saca aqueles anúncios chatos da amazon? Tipo isso) do que por público que como eu, fica horas e horas em frente a tela... agora que a stream da MPL iria flopar tava muito na cara!!! Eles pagam jogadores para stremar arena! Aí fazem uma liga semanal de ARENA! tendo que concorrer com muitos produtores de conteúdo de ARENA! saturou tanto a coisa que fica fácil entender o Numot emplacando um público maior pelo Mol! Convenhamos que, nessa última semana, você iria preferir ver Arena ou draft de Modern Horizons no mol? Sim! Draft! Até o draft tava muito mais legal de se ver do que infinitas partidas de dreadhorde (o novo nexus do quesito chatisse em se assistir)!
E olha que só citei concorrência direta! Magic vs Magic, porque se fosse citar o irmão mais velho nos e-sports, HS, a lavada seria tipo a que as Americanas meteram na copa!

Ruda (13/06/2019 21:42)

Ao abrir o Arena é possível dar de cara com um banner vendendo Modern Horizons. E não, a edição não é válida nesse programa.

luizleo (13/06/2019 20:42)

Boa noite Rudá, primeiramente parabéns pelo excelente artigo, só gostaria de fazer uma pergunta:
No final do seu artigo temos "a empresa que anuncia Modern Horizons no Magic Arena" pesquisei e não achei nada sobre isso, queria saber se isso foi um erro de digitação.