O futuro da Magic Pro League
Confiram essa reportagem sobre as decisões da Wizards em relação ao presente e ao futuro da MPL.
14/05/2019 18:05 - 10.361 visualizações - 19 comentários

Desde semana passada, com a saída de Yuuya Watanabe da Magic Pro League, a comunidade vem especulando quem entraria no lugar dele em uma das 32 vagas de maior prestígio para um jogador profissional atualmente. Hoje, o twitter amanheceu com duas notícias enormes para o jogo: Gerry Thompson resolveu se desligar da MPL e abrir mão do contrato e a Wizards anunciou a entrada de dois novos membros, além de outras novidades no programa. As duas vagas disponíveis foram ocupadas por Jessica Estephan, jogadora feminina com o maior número de pontos profissionais, e Savjz, jogador profissional de Hearthstone, influenciador e top 4 do Mythic Invitational.


No anúncio oficial, Wizards começa explicando que, ao lançar a Magic Pro League, estavam cientes de que o modelo do programa seria estudado e adaptado ao longo do tempo para ajudar a definir o futuro do Magic competitivo. A preocupação com inclusão ficou muito clara durante o texto. É sabido que a maioria dos e-sports podem ter barreiras de entrada e apresentar dificuldades para mulheres. O caminho da empresa foi decidir que a MPL seria parte da solução. A partir de agora, para a temporada de 2019, 16 vagas de inclusão serão adicionadas a todos os Mythic Championships. Isso não significa que as 16 vagas serão obrigatoriamente para mulheres, mas que o jogo se preocupará mais com diversidade e com figuras importantes para a comunidade.


Janne “Savjz”Mikkonen foi o challenger melhor qualificado no Mythic Invitational, já sendo um jogador de Magic há 10 anos.


Jessica Estephan foi a primeira mulher a ganhar um Grand Prix, teve o maior número de pro points entre as mulheres e fez top 16 no Mythic Invitational, além de ser a primeira MPL da Australia, uma região que, historicamente, sempre teve menos oportunidades para jogadores competitivos. Conversei um pouco com a Jessica hoje e consegui perguntar um pouco mais sobre a rotina dela como jogadora profissional.


C: Ano passado, você ganhou um GP, ficou no Top 16 do Mythic Invitational e competiu em alguns Mythic Championships/Pro Tours, tudo isso enquanto trabalhando full time, certo? Como você conseguiu treinar e se preparar para esses eventos?
J: Envolveu muito sacrifício. Minhas horas de sono eram tensas, assim como o meu trabalho. O custo de viajar veio junto com a progressão da minha carreira, e muitas vezes junto com a minha saúde. Eu acordava às 3h ou 4h da manhã para jogar ligas no MOL ou jogar Arena, quando ele virou uma opção. Muitas vezes, eu jogava à noite também, se eu me sentisse bem o bastante. Meus finais de semana eram programados para encaixar vários eventos no MOL.


Gerry Thopson publicou uma nota em seu perfil pessoal explicando os motivos pelos quais decidiu se desligar da MPL. Thompson explicou que, inicialmente, se interessou em entrar na MPL pela possibilidade de fazer a diferença de dentro, mas algumas coisas o incomodaram ao longo do tempo. Alguns dos motivos envolveram uma comunicação ruim com Wizards todas as vezes que questões contratuais apareciam, a falta de respostas com os feedbacks que eles passavam para a empresa e uma falta de informação geral quanto aos torneios, organização dos mesmos e como se qualificar para a MPL em 2020.


A resposta da comunidade a todas essas notícias foi extremamente negativa. A maior parte das críticas não foi direcionada a membros novos ou antigos da MPL, mas a à falta de informação por parte da Wizards e ao fato de que os critérios e informações como o que uma pessoa precisa fazer se almejar entrar na MPL não são claras para ninguém.


Veja abaixo algumas opiniões de jogadores no Twitter:


Kai Budde apontou que com certeza havia problemas com as decisões da Wizards no passado, mas agora com o departamento de marketing no comando dos torneios, tudo parece estar indo ladeira abaixo muito mais rápido. Ele acredita que o Pro Tour sobrevive mais alguns anos, antes de virar um show na twitch com convidados baseados apenas no número de visualizações.


Sam Pardee postou que está de coração partido pelos anúncios de hoje. Sua parte favorita do jogo é competir contra os melhores do mundo e perceber que cada vez menos eventos serão sobre isso é desapontador.


Saffron Olive adicionou que não faz a menor ideia do que se trata a Magic Pro League e acredita que a Wizards também não faça ideia.


Chris Macioli declarou que se sente extremamente mal por todos aqueles que trabalharam duro em seus pro points e pro levels para tentar entrar na MPL e que, se alguém quiser conversar sobre como transformar suas habilidades no jogo em uma carreira, ele está disponível para conversar.


Max Kahn declarou que, se fosse a Wizards, faria um anúncio hoje sobre o que é a MPL, o que a MPL faz, como entrar na MPL, o que pode te remover da MPL e porque os viewers deveriam se importar com a MPL.


Reid Duke publicou que em todos o seu trabalho com MTG, o mais ingrato foram as horas passadas estudando sozinho e as centenas de eventos que ele jogou e obteve resultados desapontadores. Ele espera que sempre seja uma prioridade recompensar pessoas que se devotaram para o jogo puramente por melhoria pessoal e amor pelo jogo.
 

Javier Dominguez concordou com ele e acrescentou que por trás do sucesso de todos, existem horas incontáveis de trabalho duro e resultados frustrantes.


As redes sociais hoje estão cheias de manifestações como essas. O sentimento geral parece ser de indignação pela falta de informação e incerteza pelo futuro.


Debatendo hoje com amigos, o que eu estava defendendo era: Magic Pro League me arremete a jogadores profissionais, mas não necessariamente ao top 32 do jogo e aqui eu vejo dois cenários: o primeiro, onde a MPL seria formado pelo Top 32 de pro points e esse seria o único critério, o segundo onde a empresa escolhesse os 32 profissionais que melhor representam o jogo, garantindo uma representação geográfica de todos os continentes, resultados consistentes, conduta de jogo impecável e, sim, representatividade de gênero. Acredito que a grande revolta da comunidade hoje se deu pela maioria das pessoas entenderem a MPL como o primeiro cenário, quando ele está migrando para o segundo no meio da temporada. Não há nada de errado com nenhum dos dois casos, são escolhas válidas para estratégias diferentes, mas a comunicação e a clareza precisam acompanhar a estratégia escolhida.


Ainda não sabemos como essas mudanças afetarão o cenário profissional e quais serão os próximos passos da Wizards em relação aos jogadores profissionais e competitivos, nem como será a temporada de 2020 e o que precisamos fazer para nos classificar.


Mas se eu posso deixar vocês com uma mensagem: O que devemos uns aos outros é gentileza. Não nos deixemos mirar frustrações em um ou
outro jogador por discordar das escolhas da empresa. Todo jogador profissional carrega uma carga de horas de dedicação imensa.


Até a próxima, espero que com notícias melhores,
Carol

Carolina Anet ( carolinaanet)
Jogadora competitiva desde 2015. Pode ser encontrada jogando com decks aggro em torneios, independente do formato. Ou falando sobre representatividade com outros jogadores.
Redes Sociais: Instagram, Twitter
Comentários
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- 16/05/2019 11:39
Mais um tiro no pé.. a MPL deveria ter critérios claros e apenas jogadores profissionais. Nada contra os dois novos membros, mas o LSV, por exemplo, nao faz parte da liga. Com mudanças assim, transformam o que era para ser um 'e-sport' em um show apenas.

Muitos pro players ficaram bem decepcionados com esse anúncio. Como já dito, fica um clima de incerteza.. é triste, pq mais uma vez o melhor jogo do mundo sofre nas mãos da pior empresa do mundo. A MPL deveria ser uma liga profissional, mas vai ser uma liga promocional.
(Quote)
- 16/05/2019 04:43
Matéria excelente.
(Quote)
- 15/05/2019 18:08

Enfim alguém indo no cerne do role. Tulio 3

(Quote)
- 15/05/2019 17:47
Na real, quem está ou não está na MPL, pouco faz diferença. O problema é apenas a falta de clareza e de promoção. Eles aparentemente se preocupam tanto com visibilidade mas, por exemplo, eu nunca vi no Arena ou no MOL um anúncio sobre a MPL estar jogando(ou prestes a jogar), e um link para clicar e assistir, nem vi material promocional com os jogadores da MPL nem nada do tipo. Nem os Mythic Championship estão com clareza nas informações, com critérios de classificação e datas de torneios sendo anunciados 1 mês ou menos antes, apenas. A cobertura do Mythic Invitational foi bombástica e etc, mas depois já voltaram para a mesma cobertura enfadonha e horrível de antes, nos Mythic Championship. Fora que colocam datas chocando com data de promoção dos próprios produtos, como o MC chocando data com o Pré-Release de WAR, fazendo com que um atrapalhasse a visibilidade do outro.

É tiro no pé atrás de tiro no pé, manobra obscura atrás de manobra obscura, mudanças de planos, falta de comunicação, vai-não-vai, anúncios em cima da hora, falta de planejamento e estrutura. Fica difícil querer continuar jogando as cartinhas desse jeito. Só falta o GP do final do ano ter a mesma premiação medíocre que o de Abril, e ser Modern de novo... te contar, viu.
(Quote)
- 15/05/2019 15:41
Se temos um Campeonato Brasileiro com critério único de desempenho esportivo, temos por outro lado uma Copa do Brasil com representação regional.
Me parece que uma boa alternativa seria mesmo a criação de duas ligas diferentes com concomitância na MPL dos membros da liga dos melhores jogadores ( critério desportivo) e com premiações com níveis distintos. esse comentario foi perfeito que fizeram ai em baixo
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