Processo de escolha de Deck
08/03/2019 10:05 - 4,823 visualizações - 6 comentários

Olá! Algumas pessoas me perguntaram recentemente sobre como faço o processo de escolha de deck, seja para jogar online ou para algum torneio físico relevante. Embora isso possa variar de situação para situação, existem alguns passos em comum que sempre acabo seguindo nos diferentes formatos de Magic e que pretendo compartilhar com vocês no artigo de hoje com exemplos recentes da minha preparação.


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Começando pelo Standard, um formato mais simples de se jogar, e onde posicionamento do deck acaba sendo mais importante do que saber pilotá-lo com exímia capacidade, já que a quantidade de decks tiers é muito menor. Isso porque mesmo que você tenha jogado com o Mono Red desde o lançamento da última edição e seja o deck que você consiga pilotar perfeitamente, de nada adianta quando o metagame estiver muito hostil, por exemplo, carregado de Esper com Absorver + Moment of Craving e Sultai com Wildgrowth Walker.


Portanto, no Standard, eu geralmente busco ter alguma noção de como pilotar cada um dos principais decks, e vou flutuando entre eles de acordo com o posicionamento no metagame. Eu jogo a maior parte do meu Standard no ranqueado do MTG Arena, e é importante atentar-se às tendências do momento, tanto anotando as partidas como pelo simples "feeling" do que seus oponentes andam fazendo.


Nessa Pré-Temporada 3, a de Março, eu comecei jogando de Temur Reclamation. Cheguei ao deck acompanhando conteúdo na Internet, especificamente, o artigo do Pascal Maynard no Channel Fireball e ele me chamou a atenção. Wilderness Reclamation é uma carta quebrada que eu sempre quis utilizar, mas eu não queria jogar de Nexus of Fate pelo excesso de hate e por ser um baralho que todos estão preparados para jogar contra. Portanto, ver um baralho que tinha match boa contra Midranges e Controls me parecia a boa, já que são baralhos mais comuns nos tiers mais altos do Arena.


Temur Reclamation
4768 visualizações
05/03/2019
R$ 848,91
R$ 1.359,70
R$ 3.433,71
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05/03/2019
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (2)
2  Niv-Mizzet, Parun      5,66
Mágicas (26)
4  Fogo de Shiv 0,04
2  Optar 0,23
2  Sincopar  0,10
4  Espiral de Crescimento  0,23
2  Canhonada Ardente  0,28
4  Sabotagem Sinistra   0,98
4  Visão da Quimiomante  1,35
4  Expansão // Explosão  //     5,71
Encantamentos (6)
2  Busca por Azcanta  49,95
4  Reconquista da Natureza  3,50
Terrenos (26)
4  Bueiros de Vapor49,50
4  Cascata de Enxofre13,00
4  Charco da Procriação37,70
2  Ilha0,00
1  Montanha0,00
3  Penhasco do Raizame8,50
4  Porto do Interior13,99
4  Solo Pisoteado33,24
60 cards total

Sideboard (15)
2  Negar  0,05
2  Canhonada Ardente  0,28
1  Dádiva do Paraíso  0,06
3  Dossel Esmagador  0,03
2  Melodia Arrebatadora   1,88
2  Fênix Reavivante   17,88
2  Lodo Biogênico   14,01
1  Niv-Mizzet, Parun      5,66


O deck estava uma máquina no primeiro dia. Emplaquei um 9-0 indo do Platina 4 ao Platina 1 em poucas horas, e depois até o Diamante 3 no dia seguinte. O deck ainda era um relativo desconhecido no ambiente pós-Pro Tour, e conseguia predar facilmente os Sultais "Wildgrowth", bem como os
Controles que não estavam preparados para jogar no nível dele, completamente "over the top". O plano de Phoenix/Ooze no pós-side pegava todo mundo de surpresa, e roubei vários games que não deveria com o baralho, mesmo fazendo coisas simples como punir Aggros que não jogavam em volta do Fiery Cannonade.


Mas quando fui jogar num terceiro dia, depois de passar o fim de semana do Carnaval, comecei a estagnar naquele "perde-ganha" consecutivo. Não somente porque comecei a enfrentar mais baralhos Aggro (cada Mono Red ou White Weenie era um sofrimento pra tentar roubar um game, pra rapidamente perder a match), mas porque os decks que eu deveria ganhar estavam muito mais bem- equipados para a match. Sultai Midrange com Thought Erasure e Thief of Sanity main deck, e deixando várias remoções no pós-side que inviabilizavam meu plano de bichos. Gruul Warriors, com bichos parrudos que não morriam pra Shivan Fire e Fiery Cannonade, além de contar com Rekindling Phoenix "imortal" e Collision // Colossus pra matar meu Niv-Mizzet, e um sideboard infestado de Cindervines e Thrashing Brontodon que anulava completamente meu principal payoff junto do clock rápido. Isso me fez perceber que não era o momento mais ideal para seguir de Temur Reclamation.
 

Com os decks ficando maiores, mais pesados e com mais cartas de valor, parecia uma boa hora para jogar mais "pro chão". E o Mono Red com splash pra Cindervines que fez Top 8 no Pro Tour foi o baralho que parecia capitalizar bem nisso. Num mundo de Thief of Sanity, Goblin Electromancer, Kraul Harpooner e Growth-Chamber Guardian, Shock voltou a ser uma excelente opção junto dos amiguinhos de curva baixa. E não apenas isso, mas um mundo onde todo mundo joga mais pesado dificultou a vida do Esper Control, diminuindo a quantidade de Mortify presentes e permitindo Experimental Frenzy (ao menos de G1) brilhar infinito. Após algumas horas jogando com o deck, consegui sair do Diamante 3 e atingir o Mítico.


Rg Aggro
4694 visualizações
05/03/2019
R$ 336,35
R$ 612,35
R$ 1.296,12
4694 visualizações
05/03/2019
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Criaturas (19)
4  Corredor de Lava Ghitu 0,07
4  Instigador Fanático 0,08
4  Piromante Viashino  0,20
4  Vapóreo em Fuga  2,63
3  Goblin Lança-correntes   3,95
Mágicas (16)
4  Choque 0,07
4  Golpe Relampejante  0,20
4  Iluminar o Palco  8,00
4  Relâmpago do Mago  1,76
Encantamentos (4)
4  Frenesi Experimental  6,65
Terrenos (21)
13  Montanha0,00
4  Penhasco do Raizame8,50
4  Solo Pisoteado33,24
60 cards total

Sideboard (15)
1  Destemida da Frota Macabra  17,59
4  Hélice de Lava  1,50
4  Lianas Ardentes  7,22
2  Mapa do Tesouro 11,00
1  Goblin Lança-correntes   3,95
3  Colidir // Colosso  /  0,16


Toda vez que pego um deck novo, gosto de ter alguma base sólida para me guiar de início, e só depois parto para as minhas mudanças de acordo com o que me agrada, e com o que espero do metagame. Calhou só de eu conseguir alcançar o Mítico enquanto ainda estava na "fase de testes" desses dois
baralhos, sem fazer alterações pessoais. Afinal, mesmo que aquelas listas estivessem perfeitamente tunadas por jogadores que conseguiram bons resultados no Mythic Championship, aquele era outro metagame, e diferente do que vivemos agora que com certeza exige adaptação ou os decks acabam "ficando pra trás".
 

Por exemplo, penso em coisas como Lava Coil no side do Temur Reclamation para ajudar contra Gruul Warriors e Rekindling Phoenix, de brinde servindo também para matar outros bichos chatos como Thief of Sanity. Talvez diversificar os bichões seja interessante, e Siege-Gang Commander é um que me chama a atenção justamente por ter sinergia forte com Wilderness Reclamation e interagir bem contra bichos "utility" do outro lado. Talvez dê pra cortar um pouco do hate para Mono Blue, seja fazendo esse mix nas removals de main deck (Shivan Fire) ou no sideboard (Entrancing Melody), já que essas removals não servem tanto contra o Gruul, e o fato do Mono Blue ter um alvo gigante na testa fez com que o deck diminuísse a quantidade no Arena, possibilitando uma diminuição no hate à ele.

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Já o Modern e o Pauper são animais completamente diferentes do Standard. Bom, talvez o processo como um todo seja similar, mas eu com certeza adicionaria muito mais tempo em cada etapa, como se sentir confortável para jogar com um deck novo (já que saber pilotar um baralho com proficiência é requisito mínimo para tentar uma performance boa no formato) e por consequência saber quando mudar de acordo com posicionamento de metagame.


Tomemos como exemplo o Magic Fest São Paulo, daqui a aproximadamente um mês. Eu considero esse tempo como muito baixo para começar jogar com um deck do zero e aprender não somente o próprio funcionamento do deck, mas como se comportar e sidear em todas as dezenas de matchups que um grande evento Modern pode colocar no campo de batalha do seu oponente. Hoje é o dia onde a sua escolha de deck, caso não esteja definida, deve ao menos estar restrita a um número pequeno de arquétipos que você saiba o que está fazendo.


Vou tomar como exemplo a minha preparação. O baralho que eu considero a escolha mais segura pra mim é o Titan Shift, com alguma versão que esteja bem preparada para o ambiente atual do Modern (provavelmente a com Courser of Kruphix e Flame Slash, que me ganhou a Grande Final do CLM 12, e segue postando Top 8s Magic Fests afora). Com esse baralho, me sinto confortável para enfrentar qualquer matchup, que por pior que seja, ao menos consigo sair com um plano e tentar me agarrar ao mínimo percentual que seja para arrancar uma vitória.


Só que, eu não enxergo o posicionamento do Titan Shift como ideal. Não acho a partida contra Izzet Phoenix boa; Grixis Death's Shadow é uma match equilibrada, e que fora tentar roubar um jogo ou outro com Chameleon Colossus, você fica à mercê do quão forte é a abertura dele; Dredge deixou de ser um passeio no parque e se torna uma match bem equilibrada, já que ele consegue te matar no turno 3 ou 4 mesmo tomando um Anger of the Gods com a combinação de 4 Creeping Chill + Conflagrate (que não é nada improvável de acontecer, já que não interajo com o cemitério no G1). Burn e Spirits são outras partidas próximas, que dependem de esforço de deckbuilding com slots no sideboard e conhecimento da matchup para tentar levar para o lado do Titan Shift, e sabemos que o sideboard no Modern é como um cobertor curto - quando tenta cobrir um braço, descobre a perna. Até BGx, esse sim a verdadeira disneylândia dos Big Mana, anda super preparado, com a combinação de Field of Ruin, Trofeu do Assassino, Fulminator Mage e Surgical Extraction!


Levando todos esses fatores em conta, durante a minha preparação tenho olhado com bastante carinho para o Amulet Titan, especialmente a versão com branco para Path to Exile, melhor equipada num mundo de Thing in the Ice e Death's Shadow. Afinal, o deck parece bem posicionado ao olharmos os principais tiers, e vêm correspondendo com consecutivos resultados nos eventos gringos. Acompanho listas no MTG Goldfish, reports e streams de vários dos principais nomes do arquétipo (como o Francisco Pawluszek e o Edgar Magalhães) e montei o baralho no Magic Online, onde tive a oportunidade de jogar várias ligas com ele.


Com essa pequena quantia de prática, consegui aprender os principais sequenciamentos do deck. Quais mãos mulligar e quais manter, para quais outs ficar jogando dependendo de como o jogo progride e fazer alguns dos "minigames" do deck, como ficar reutilizando Caverna das Almas para resolver
ameaças, Kabira Crossroads para fugir do range do burn, como "combar" dependendo de quais terrenos você ainda tem no deck. Mesmo os planos de sideboard para os principais decks fica algo bem simples e intuitivo, já que depois da terceira ou quarta vez enfrentando já dá pra ter uma noção melhor.


Mas, diferente do Standard, onde em coisa de um ou dois dias eu consigo pegar qualquer deck novo e testar as principais matchups mesmo num Arena da vida, onde não tenho controle sobre os oponentes, no Modern isso não é possível. Leva tempo. Posso jogar uma liga por dia até o dia do Magic Fest, e ainda assim nunca enfrentar algum baralho Tier 2 que com certeza existe a chance de eu enfrentar lá. E então me encontrar despreparado, sem nem fazer ideia de qual deve ser a minha postura, quais cards são importantes na match, e, pior ainda, como sidear. Afinal, nem só de "preto no branco" e da primeira página do MTG Goldfish se fazem os grandes eventos com centenas de jogadores, muitos que não largam seu "pet deck" ou, acertadamente, não saem de uma "zona de conforto" onde dominam determinados decks.
 

Por esse motivo, acredito que dificilmente terei tempo de masterizar o Amulet Titan até o Magic Fest, mesmo jogando com o deck há mais ou menos um mês e com outro de preparação pela frente. Mesmo outros baralhos que joguei por mais tempo, como o Ad Nauseam e o Affinity tradicional, tornam-se escolhas complicadas para mim considerando que recentemente não tenho jogado com os decks mais a sério. O Ad Nauseam segue o mesmo, mas não tive a oportunidade de testar várias das novas matchups, apenas acompanhar outros jogadores falando sobre e assistindo jogos. E o Affinity entrou repaginado em uma versão com Experimental Frenzy, além de não estarmos mais em um mundo de Humans e Hollow One da época que joguei com ele, requerindo outras adaptações majoritárias de main deck e side.


Mas mesmo esses baralhos, são opções que devem somar algo como 5% das minhas chances de serem usadas no Magic Fest. E importante frisar que, QUALQUER OUTRO BARALHO QUE NÃO ESSES, está totalmente descartado para mim como escolha, simplesmente porque não tem tempo hábil para eu ficar proficiente com eles até o dia do torneio. Death's Shadow, Phoenix, Dredge? Por mais poderosos e bem-posicionados que estejam, simplesmente não vou ter como pilotar esses decks em um nível que me agrade.


É importante notar que, caso o mesmo evento fosse Standard, seria não apenas possível decidir o deck numa janela de tempo bem mais próxima de acordo com o que esperar do metagame, mas muito mais CORRETO de ser feito, já que a chance de um Sultai Midrange ou um Mono Red estar num momento muito ruim daqui a um mês é real, e pode acontecer com qualquer um dos decks do Standard; fora que, novamente, por contar com uma pool muito menor de decks e interações bem mais simples que nos formatos Eternal, é possível pilotar a um nível decente qualquer baralho em um intervalo mais curto de dias de preparação.
 

De forma resumida:

- Acompanhe sempre listas, reports, conteúdo de outros jogadores na Internet, dessa forma mantendo- se informado quanto a possíveis baralhos para utilizar de acordo com o que está indo bem no momento;

- Teste o baralho por um tempo, preferencialmente sem efetuar mudanças na decklist/sideboard para ir pegando prática;

- Com algumas partidas de bagagem, e entendendo a função de cada carta no deck (bem como os side- ins/outs), faça as mudanças de acordo com o metagame esperado;

- Siga tunando a lista e aperfeiçoando seu jogo com o deck, mas sempre com olhos atentos caso seja necessário mudar, seja reiniciando o processo ou voltando a jogar com o deck anterior.

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E quanto a vocês, leitores, como realizam o processo de escolha e mudança de decks de vocês? Algum passo ou critério interessante que possa ser adicionado? E como flutuam entre os baralhos nos diferentes formatos, Standard, Modern, Pauper? Deixem suas opiniões nos comentários!


Abraços e até a próxima!


Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como Sandoiche, começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está sempre na vida do grind dos torneios, com destaque para o título do CLM 10 Modern, o maior realizado até então, e o Top 16 no Grand Prix São Paulo 2018. É um entusiasta do Magic competitivo e totalmente dedicado à produção de conteúdo referente ao jogo, publicando artigos periodicamente desde 2012, colaborando para o Blog da LigaMagic desde 2015 e atualmente produz vídeos em seu canal no YouTube Sandoiche's Grind e streama ao vivo regularmente na Twitch.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
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Comentários

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slambrer (08/03/2019 23:07:16)

Bacana as seu processo. Masterização realmente leva tempo. Será que é hora de deixar o pináculo esfriar? Nenhum deck hj, tier me agrada jogar!

slambrer (08/03/2019 20:55:10)

Sempre sigo as suas dicas e me dou bem.

didimax (08/03/2019 13:29:45)

sou jogador do tipo pet deck. kkk

marcos_dutra (08/03/2019 12:59:21)

Artigo excelente. Eu tenho uma trajetória parecida com a sua, falando de decks modern. Me sinto masterizado com o titanshift (que me deu um day2 ano passado, abrindo 6-0 no day1) e ando treinando há algum tempo com o amulet. Só que eu já estou há quase um ano com ele. Cheguei a cogitar jogar com ele ano passado, mas ainda estava muito verde com o deck. TB sigo o fpawlusz e o Edgar Magalhães direto. Foram ótimas dicas! Parabéns pelo excelente artigo!

Gobbi3678 (08/03/2019 12:49:35)

Parabéns Sanduíche, artigo excelente! Go titan 3

Walter_Makoto (08/03/2019 12:43:00)

Só tenho um baralho competitivo no momento, então não tenho como escolher qual o melhor por hora, mas gostei muito da forma como você o faz e já favoritei o artigo pra quando meu Storm chegar eu já ter uma base de qual entre meus combos escolher. Parabéns pelo artigo.