“Mas não tem por que se vitimizar”
31/01/2019 10:05 - 26,860 visualizações - 256 comentários

 

Oi, amores! Esse artigo está sendo escrito ao longo de vários meses, em várias partes, e vai passar por um monte de edições. Pura e simplesmente porque eu não quero errar uma palavra nele. Essa pode ser a coisa mais importante que eu vou vincular a uma plataforma, e ele precisa de todo o cuidado e todo o carinho que essa responsabilidade traz.

 

Meu dia começou altamente normal; era, inclusive, dia de escrever artigo pra cá. Aí meu telefone começou a apitar. Era um jogador a quem eu não dei meu telefone me mandando mensagens que nada tinham a ver com Magic. Tentei cortar algumas vezes e ele insistiu. Ele ficou insistindo por um tempo e não foi nem mal educado, nem grosso, nem nada, então estendi a mesma cortesia a ele quando eu disse que não estava interessada. Alguns dias depois, coincidentemente ou não, eu comecei a ouvir rumores e fofocas de que eu “me acho demais”, vindo do mesmo grupo da pessoa que tinha me chamado pra sair. Sabe quando alguma coisa tá entalada na sua garganta faz um tempo e a coisa vai te consumindo aos poucos, te machucando aos poucos, te ofendendo até você estourar? Foi exatamente o que aconteceu hoje. Nos últimos 3 anos, eu parei de contar quantas vezes eu precisei dizer não e quantas mais vezes eu quis dizer não e não consegui. Por medo, por falta de reflexo, por hábito, por receio de criar uma situação ruim. Mas eu acho que já passou da hora da comunidade começar a ouvir quando nós dizemos que alguma coisa não está certa. E se você leu o artigo (brilhante) Death by a Thousand Paper Cuts, você já entendeu do que se trata esse artigo, mas eu peço que você continue lendo e, por favor, tente ler com uma mente aberta. Esse artigo não é direcionado a ninguém em particular. E se nós nos conhecemos pessoalmente e já aconteceu alguma coisa que você reconheça aqui e eu disse que está tudo bem entre a gente, está tudo bem entre a gente. Eu só estou usando exemplos.

 

Pelos últimos meses, eu pesquisei, eu li, eu entrei em contato com vários grupos de jogadoras nacionais e internacionais. Eu pedi relatos, pontos de vista, o que elas gostariam que os jogadores soubessem, tudo que vocês possam imaginar. Eu acabei essa pesquisa com quase 100 relatos, sugestões e um material tão incrível que eu quero colocar o máximo possível aqui.

 

O que eu quero passar pra vocês com esse artigo é que há certas coisas, tão básicas, que podem ser evitadas e facilitam muito nossa vida. Não quero que vocês pensem que achamos que todos os homens são assim, mas acontece e, infelizmente, acontece muito. Se você for uma pessoa que se preocupa em fazer da comunidade um lugar melhor e de acolhimento, toda a minha gratidão a você. Mas algum amigo, conhecido ou alguém do seu lado pode fazer diferente, e precisamos de toda a ajuda que pudermos ter para mudar essas situações. Então, eu peço, por favor, que mesmo que vocês não se identifiquem com nada que foi citado como problemático aqui, estejam abertos a nos ajudar. Ao longo do texto, nós vamos passar por exemplos do que fazer, o que não fazer, como fazer, e alguns exemplos para vocês verem que não é loucura da nossa cabeça. Não seria possível inventar tudo que foi documentado nesse artigo.

 

Comecemos por coisas que ninguém deveria fazer, todas sugeridas por jogadoras:

 

Mansplaining: esse termo foi envolvido em polêmicas há pouco tempo, mas não torçam o nariz ainda. Nada mais é do que um termo utilizado para um homem que explica alguma coisa óbvia para uma mulher porque parte do princípio de que ela não saberia aquilo em primeiro lugar... por ser mulher. Querem um exemplo prático? Eu já cansei de receber aula de como jogar Magic pós partida. E eu já cansei de presenciar outras jogadoras recebendo a mesma aula. Não interessa se eu ganhei, se eu perdi, se eu empatei. Parece que enquanto eu tiro o side, eu sou obrigada a receber coaching de pessoas que não conheço e que normalmente jogam competitivo com menos frequência que eu. Se você acha que seu conselho é altamente irrecusável e ele deve ser ouvido, chega no sapatinho, pergunta se pode falar, escute a pessoa do outro lado da mesa. Não assuma que ela não sabe o que está fazendo. Combinado? Combinado.

 

Dar em cima de uma jogadora dentro de um ambiente de jogo: somos seres humanos, certo? Seres humanos se interessam uns pelos outros e não tem absolutamente nada de errado em tentar se aproximar de alguém que te interessou. Parece óbvio dizer isso, mas quando você faz isso dentro da área de jogo, você pode constranger a pessoa por vários motivos. Primeiro, por ter gente em volta prestando atenção; segundo que, se ela não estiver interessada, o resto do dia fica um tanto quanto estranho, já que vocês continuarão dividindo um espaço não muito grande. Meu conselho: século XXI, procura nas redes sociais depois, não insiste. “Ai, mas que exagero, ninguém faz isso.” Gente, já teve menina que saiu correndo de área de jogo do GP porque foi agarrada à força. Dentro. Do. Evento.

 

Assumir que o único motivo pelo qual uma garota está lá é por causa do namorado/marido/irmão: esse tópico ficou no topo de todos os comentários que eu recebi. Gente, eu vou contar uma coisa pra vocês: Magic não se joga com o pênis. Não é necessária uma figura masculina para abrir um DCI, juro pra vocês. 40% dos jogadores de Magic do mundo são mulheres. Vocês sabem por quê 40% dos torneios não são compostos mulheres? Ambientes tóxicos. Não é porque mulheres são menos competitivas, jogam por causa de namorado ou qualquer outra bobeira que vocês escutaram por aí. Existe um motivo para que torneios exclusivamente femininos façam sucesso: menos estresse. Querem um caso pra ilustrar? Em 2017, eu fechei o dia 1 do Nacional 5-1. Quando eu acabei minha última rodada, levantei pra encontrar um amigo meu que estava acabando de jogar e botei minha mão no ombro dele para avisar que eu estava ali. O oponente dele prontamente sorriu e disse “eu acho muito legal sua namorada te apoiar e ficar aqui o dia inteiro esperando você jogar!” O Nacional de 2017 tinha um crachá de identificação para os jogadores e eu estava usando um como todos os outros presentes.

 

 

 

 

Ficar claramente incomodado e expressar indignação verbalmente por perder para uma menina: de novo, Magic não se joga com o órgão sexual, então não tem motivo para assumir que alguém é um jogador pior ou inexperiente pura e simplesmente porque não é um homem do outro lado da mesa. Ninguém gosta de perder, faz parte do jogo, mas eu já ouvi histórias absurdas sobre jogadores perdendo completamente a compostura por perder para uma jogadora, histórias tão pesadas sobre isso que eu tenho até vergonha de reproduzir pra cá. Exemplo prático: um dos meus oponentes do último GP São Paulo veio me contar no dia seguinte que os amigos dele zoaram por ter “perdido para uma menina”. Gente, 2018, século XXI, sério?

 

Não se dar ao trabalho de aprender o NOME da pessoa: que coisa óbvia de se dizer, né? Mas essa foi uma das maiores reclamações nos grupos. Quando a menina vem acompanhada de alguém, especialmente um namorado, aparentemente é muito comum que só se refiram a ela como a namorada/mulher do fulano na frente dela ao invés de perguntar o nome. Eu acho que o básico do respeito que você pode ter por alguém é não trata-la por um título e perguntar o nome do teu oponente.

 

Misgender: deixei em inglês porque acho que não tem tradução exata para isso e porque essa reclamação eu recebi quase que exclusivamente das meninas de fora do Brasil. Então, misgender seria tratar alguém por um gênero que não é o seu. Eu não ouvi nenhuma menina brasileira reclamar de ser chamada de cara, rapaz, mano, parça ou qualquer coisa do tipo. Acho que a nossa linguagem é bem coloquial e eu não costumo ver isso dar problema por aqui. Porém, reparei que isso dá um estresse BRABO em outros países, coisa de fechar o tempo e encerrar o assunto na hora. As meninas odeiam serem chamadas de “dude”, “man”, “guys” ou qualquer coisa do tipo. O motivo para isso varia, mas os casos mais graves acontecem quando a menina em questão é trans, pois isso pode servir como gatilho e acabar com o dia da pessoa. Eu só vi um caso desses acontecer e foi muito triste, a menina se aproximou no balcão da loja para falar com o lojista e um monte de marmanjos começaram a rir e cochichar, até um deles me puxar pro lado segurando o riso e soltar o seguinte comentário “reparou que é homem, né?”. Não era um homem, era uma menina trans, e esse tipo de comentário é extremamente tóxico. Por favor, não sejam essas pessoas que tiram sarro da aparência dos outros. Eu não vou entrar muito nesse debate porque eu sinto que não é meu lugar de fala, mas eu tenho certeza que tem gente não-binária que pode responder melhor qualquer questão que surgir nos comentários.

 

Tá certo, Carol, e o que que eu faço? A resposta não poderia ser mais simples. Trate com respeito. Quando você senta para jogar com outro cara, o que acontece? Provavelmente um aperto de mãos, um jogo normal, talvez uma conversa. Só isso, certo? É simples assim. Não é tratamento especial, ficar cheio de medos e de não-me-toques, é pra tratar todo mundo igual. Só isso.

 

Mas você tá tirando isso tudo de onde ?! Certo, vamos ao que todo mundo veio aqui pra ler — os famosos relatos. Foram muitos, a maioria aconteceu há um tempo, alguns são meus, a esmagadora maioria não é, alguns foram editados para ficarem mais curtos. Todos estão sendo postados de forma anônima e não, claro que não dá pra verificar o grau de veracidade de todos, mas pelo volume de material que eu juntei, eu imagino que não seja delírio coletivo de dezenas de mulheres de países diferentes que nem se conhecem.

 

“Tive um dia ruim em um torneio, então dropei e fui pra casa mais cedo. Quando olhei meu Facebook, tinha uma mensagem de um jogador que eu mal conheço dizendo ‘vi que você dropou, não aguentou me ver não?”’

 

“Tive uma loja por um tempo, eu era a dona, mas os caras simplesmente mandavam chamar meu noivo e se recusavam a negociar qualquer coisa comigo até que ele explicasse que eu era a dona e tinha que ser resolvido comigo.”

 

“Sou juíza, e me irrita demais quando duvidam de mim e mandam chamar o TO, que não é juiz, ao invés de aceitar a ruling.”

 

“O pessoal da loja que eu jogo demorou 3 meses para aprender meu nome, mesmo me vendo toda semana. Eles só me chamavam de “namorada do fulano”.

 

“Um amigo meu disse que a esposa dele me chamava de ‘aquela puta’, mas que ele entendia o lado dela. Afinal, pra jogar Magic e só andar com homem, só sendo puta mesmo e tendo um caso com todos. Ou lésbica, ela disse que eu podia ser lésbica também.”

 

“Cheguei em uma loja para jogar, e o balconista disse que dava para ver que eu não era casada nem tinha filhos para ter todo aquele tempo para jogar.”

 

“Ouvi que ‘só mulher mesmo pra combinar a cor do esmalte com a cor do shield’. Eu nem tinha reparado.”

 

“Já recebi aula de como administrar minha loja de jogador que nunca teve loja na vida, falando que homem sabe melhor como funciona uma loja deMagic por ser... Homem. E essa conversa começou porque ele reclamou do perfume floral que eu coloquei para melhorar o cheiro de urina do banheiro masculino.”

 

“Perdi para um jogador que eu não conheço, e ele disse que era muito legal que eu, assim como a namorada dele, estivesse começando a me aventurar no Magic. Perguntei quando ele tinha começado a jogar, descobri que eu já jogava competitivamente antes dele ouvir falar de Magic.”

 

"Uma vez, num campeonato, eu caí na primeira rodada contra um amigo meu. Rimos muito, então o cara que sentou do lado do meu amigo disse ‘putz, que azar hein’, ficamos confusos porque não o conhecíamos e perguntamos o porquê do azar. A resposta do cara foi ‘porque você caiu pra jogar contra a menina, se você perder, ninguém vai perdoar.’”

 

“Quando eu aprendi a jogar, me disseram que era uma pena, porque agora meu namorado não tinha mais refúgio pra jogar sozinho.”

 

“Um jogador uma vez virou pra mim no meio de um PPTQ e disse: ‘você que é mulher, posso colocar essa embalagem no micro-ondas?’

 

 “Meu oponente viu que tinha sido emparceirado comigo, virou pros amigos e disse ‘é guria e é gata, volto em 5 minutos.’”

 

 “Eu tenho uma loja. Perguntaram para o meu sócio se eu sou autorizada a comprar cartas.”

 

“Estava atrás do balcão enquanto tinha um torneio rolando. Um jogador pediu para falar com o meu sócio. Perguntei se era só com ele, o jogador disse que sim. Chamei meu sócio, ele virou e disse ‘então, fiz 2-1’, perguntei se era só isso e por que ele não tinha me dito. A resposta dele foi ‘você sabe passar resultado?’”

 

 “Um jogador me disse que achava muito ousado da minha parte ir para um torneio de Magic sozinha depois de me perguntar quem estava me acompanhando.”

 

“Peguei um avião para um evento em outra cidade e acabei sentando do lado de um outro jogador. Antes do avião decolar, eu já tinha tido que gritar para ele parar de tentar me beijar à força”

 

 “Ganhei um torneio relativamente grande. Um dos meus oponentes não me conhecia, mas escolheu conceder porque achou que meu deck seria melhor na semifinal e na final do que o dele. Uma terceira pessoa que não tinha nada a ver com a história disse “também, jogando de legging, quem que não concederia?”

 

 “Durante um torneio, um rapaz parou atrás de mim (enquanto eu estava jogando) e disse: “você deveria fazer isso, isso, e depois isso.” Eu tive que chamar o juiz, ele contou minha mão inteira para o meu oponente. Ele não fez isso com mais ninguém no torneio, nem antes, nem depois.”

 

 “Por sermos minoria nesses campeonatos, saibam, meninos, precisamos da ajuda de vocês. Talvez se cada um puder chegar perto de um amigo e dizer “ei, você poderia por favor só jogar Magic com ela e deixá-la em paz?” provavelmente já nos ajudaria.”

 

 “Eu sinto que alguns jogadores não escutam as jogadoras, mas eles escutam os amigos homens e outros jogadores homens.”

 

 “Um jogador pediu para falar comigo depois de uma rodada e disse que eu era a melhor mulher com quem ele já tinha jogado. Não jogadora, mulher. Ele fez questão de destacar mulher, como se a minha classificação fosse diferente e eu não competisse com os jogadores homens.”

 

“Escondi o término do meu namoro com outro jogador porque tive medo do assédio que eu já sofria namorando.”

 

 “Estava no balcão da minha loja, entrando as slips de um campeonato, e um cara passou e deu um tapa na minha bunda. Assim, sem intimidade, sem mais, nem menos”

 

 “Fui dona de loja e já tive jogadores tentando me agarrar à força dentro da minha loja.”

 

 “Estava parada em um evento bem grande, e um jogador disse que adorava meu perfume e perguntou se poderia sentir o cheiro. Estendi meu pulso pra ele. Ele me segurou pela cintura e me impediu de me soltar enquanto ele afundava a cabeça no meu pescoço. Eu saí de perto o mais rápido que eu consegui. Fiquei tão constrangida, tive vontade de chorar a rodada seguinte inteira.”

 

 “Um dono de loja já virou pra mim e disse ‘você ainda não conhece a minha loja, vamos lá em cima só nós dois que eu te mostro.’”

 

 “Tem uma menina que joga na mesma loja que eu que precisa ouvir comentários depreciativos sobre o corpo dela sempre.”

 

 “Uma menina chegou para vender cartas uma vez na loja que eu frequento, e todos os jogadores ignoraram-na. Justificaram dizendo que aquele não era o ambiente dela e eles ficariam excitados demais conversando com ela.”

 

 “Pessoas na loja que eu jogo disseram que a ilustração da Olivia não era de uma mulher de verdade, que ela era trap. Quando perguntaram o que era trap, eles explicaram, em meio a risadas, que ela era uma “armadilha”, por ser trans. Eu me incomodei demais, disse que não estava entendendo a graça, pessoas trans não são armadilhas e, mesmo que a personagem fosse trans, isso não faria dela menos mulher.”

 

 “Assisti a uma partida em um top 8 de PPTQ que me deixou muito desconfortável. A menina tinha aberto 3-0  e dado dois ids, passou em primeiro. O oponente dela jogou de uma maneira excessivamente explicativa, fez questão de tentar “ensinar” até coisas básicas, como o que as habilidades das cartas dele faziam (habilidades normais das cartas standard na época). Parecia que ele não acreditava que ela sabia jogar e era missão dele explicar tudo passo a passo para ela. Fiz questão de acompanhar o jogador no resto do torneio e ele jogou normalmente contra o oponente masculino, não explicou nada.”

 

 “Joguei com um deck que tinha algumas expeditions e meu oponente perguntou, enfatizando a surpresa dele, como eu tinha conseguido aquele deck e com quem eu estava andando, como se eu precisava de outra pessoa para jogar com cartas caras.”

 

 “Durante um pre-release, meu oponente disse, assim que eu sentei à mesa, que era bom eu me apressar já que mulheres jogam devagar. Eu fiquei super nervosa e acabei chorando por causa disso.”

 

 “Já aconteceu comigo e com amigas de oponentes desistirem do evento depois de perder para uma de nós com a justificativa de que “é muita humilhação perder para uma garota.’”

 

 “Um jogador estava no telefone com a esposa perto de mim, não nos conhecíamos. Quando ele desligou, ele virou pra mim com cara de deboche e falou “mulher né, não entendem nada, tem que explicar tudo.’”

 

 “Durante um paralelo de um evento grande em que eu estava trabalhando, uma menina me chamou para me contar que o oponente dela virou e falou “por que você está aqui? Eu ganhei de você agora tão fácil, como que você conseguiu ser emparceirada comigo?” ela explicou para ele os resultados dela e ele prosseguiu dizendo “ah, mas mulher só ia perder para mim, não tinha a menor chance”. Chamei o head judge para investigar e eles ficaram conversando. Quando passou o processo de investigação, eu voltei a falar com ela e ela estava chorando. Eu agradeci pela coragem dela de dividir o que aconteceu, disse que ia ficar tudo bem, para ela não desistir de jogar. O juiz conversou com o oponente dela e ele disse que era tudo mentira. O caso foi confirmado quando as mesas do lado foram chamadas e confirmaram o comportamento do rapaz e ele foi desqualificado do torneio. A história deveria ter terminado por aí, mas o oponente dela não só não foi embora, como ficou o tempo inteiro rondando a mesa dela, a organização teve que intervir e pedir para ele se retirar.”

 

 “Tentei organizar um evento só para meninas aqui na minha cidade, e um jogador reclamou, disse que era preconceito com homens e que, se a preocupação eram homens procurando parceiras nesses eventos, com certeza em eventos femininos, lésbicas também gostariam de aparecer para arranjar parceiras.”

 

 “Já perdi a conta de quantas vezes eu precisei chamar um juiz para acompanhar o jogo que tinha mulher jogando porque o oponente simplesmente não conseguia respeitar a oponente. Fosse com a forma de falar, fosse tentando se aproveitar nas jogadas ou perdendo a compostura.”

 

 “Pode parecer exagero, mas quando eu chegou em uma loja e vejo que não tem banheiro feminino, ou que o banheiro está totalmente despreparado para receber uma menina, eu não me sinto bem-vinda na loja. Quando a lojista é mulher, eu sinto uma preocupação com banheiros separados, algumas lojas tem até absorvente, mas a esmagadora maioria parece não se importar com essas coisas.”

 

 “Quando eu tinha 14 anos, cheguei em uma roda de meninos que estavam jogando Magic e me interessei, eles disseram que eu não podia jogar, que era jogo de menino.”

 

“Eu jogo tem muito tempo. Voltei a jogar quando conheci meu ex-namorado. Ia nas lojas e fiz amizades lá, mas a maioria era amigo dele. Acontece que, quando terminamos, ele começou a falar mal de mim para todos os caras com quem ele tinha amizade. Ele chegou a postar em um grupo de Whatsapp de uma das lojas que tinha nojo de mim e que se eu estivesse no grupo ele sairia. Senti-me completamente deslocada quando isso aconteceu, mas aos poucos estou ganhando meu espaço e até aquelas pessoas para quem ele tinha falado mal de mim estão vendo que não sou nada do que ele falou... Hoje, estou nos dois grupos da mesma loja e todos conversam comigo normalmente. Vou nas duas lojas e todos jogam e conversam comigo, o que antes não ocorria. E acho que ficou meio chato pra ele, pois é só eu botar os pés na lojas que ele estiver, ele vai embora, sempre. Foram 6 meses para desconstruir a imagem que ele passou de mim, mas hoje sinto que estou vencendo sendo eu mesma.”

 

 “Eu e uma amiga passamos metade de uma rodada de um GP junto a um juiz vigiando o jogo de uma terceira amiga. O motivo foi que o oponente dela começou a se alterar, bater na mesa, falar alto e ser grosso com ela quanto mais vantagem ela ganhava no jogo. Ela ficou super nervosa, mas precisava continuar jogando. Recentemente, eu joguei com o mesmo sujeito e foi a mesma coisa, ele começou a surtar quando começou a perder, meus amigos e um juiz também acompanharam o jogo e ele ficou mais nervoso ainda.”

 

 “Durante um Friday, estávamos esperando uma jogadora chegar. O próprio namorado dela disse que poderíamos começar sem ela, já que ela era café com leite. O próprio namorado.”

 

 “Ouvi de um casal dentro de uma loja que o namorado não ensinaria a menina a jogar Magic porque “é muito complicado para você, não vai entender nem conseguir aprender’”

 

 “Eu joguei contra outra menina em um GP e foi uma experiência ótima, leve e divertida. Acabei ganhando e, quando achei meus amigos, eles disseram “ah, era mulher, claro que você ganhou”. Acho que às vezes eles esquecem que eu também sou mulher.”

 

 “Eu escuto muito que uma amiga minha, que é uma excelente jogadora, só ganha por causa do decote.”

 

 “Eu me vejo escondendo toda minha vida pessoal porque a quantidade de comentários maldosos e xingamentos do tipo “piranha”, “fácil” ou “Maria-pro-player” que eu escuto dos homens se referindo às garotas que são apenas solteiras é suficiente para eu não querer que ninguém saiba nada sobre mim, nunca.”

 

Os próximos relatos são da Marcela Almeida, jogadora competitiva, que a maioria das pessoas que joga eventos grandes conhece. Marcela conversou comigo sobre três situações que ocorreram com ela fora do país e, logo em seguida, resolveu publicar seus relatos e disse que eu poderia usar seu nome no artigo. Não faria sentido trazer esses relatos de forma anônima, sendo que vocês podem localizá-los com alguma facilidade. Seguem abaixo:

 

 “O primeiro evento constrangedor aconteceu comigo em Las Vegas em 2017. Estava usando uma legging e uma blusa levemente decotada que deixava parte da barriga de fora. Fui chamada de canto por uma juíza para conversar. Não sabia a pauta do assunto. Com muito constrangimento, ela disse que eu deveria colocar uma blusa ou casaco que a Channel Fireball me daria para que eu cobrisse melhor o meu corpo. Conversamos e eu disse que já estava coberto. Fazia um calor desértico. Ela disse que entendia, mas que era um pedido para que eu não causasse desconforto alheio. Olhamos para o evento e vimos meninas de shorts curtos, decotes maiores, roupas com mensagens de conotação sexual e, para nenhuma delas, nada foi pedido. Questionei isso à juíza, e ela disse com muito pesar que sim, o pedido era só pra mim. O problema não eram as demais e sim eu com as minhas roupas. Depois de uma extensa conversa, pareceu um claro preconceito por se tratar de uma mulher latina.”

 

 “Durante o GP Lille, logo na sexta-feira, fui abordada por um homem da organização do evento enquanto eu saía do banheiro. Eu estava de calça, outra blusa que mostrava parte da barriga e sobretudo. Ele me disse para não ficar com os botões do sobretudo abertos, fechar todos, não retirá-lo e lembrar disso nos próximos dias de evento para evitar problemas. Tudo que eu queria era sair de lá. Passei a noite mandando e-mail para a Wizards. Logo no sábado de manhã, uma pessoa da Channel Fireball me pediu desculpas pelo ocorrido e me ofereceu uma compensação pelo que eu havia passado. Acabei aceitando, mas na realidade eu só queria que nada tivesse acontecido.”

 

 “Em Atlanta, fui acompanhar o jogo de um amigo que fez Top8 em um PTQ. Estava calor, então tirei o casaco que estava por cima da minha blusa e fiquei de calça e cropped. O evento principal já havia acabado, e os juízes já estavam recolhendo as mesas. Havia mais staff do que jogadores no evento. Novamente, uma pessoa da Channel Fireball veio e me pediu para colocar de volta meu casaco. Eu disse que não. Ela disse que poderia me dar uma blusa para eu me sentir à vontade. Eu disse que estava bem à vontade até o momento da abordagem dela. Chegou um juiz brasileiro para conversarmos, e a pessoa acabou se desculpando. Dessa vez, não aceitei nenhuma compensação, só queria respeito.”

 

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Ano passado, uma australiana ganhou um GP Trio, tornando-se a primeira mulher a ganhar um desses eventos na história. Jessica Estephan escreveu um artigo sobre a sua experiência com o jogo que tem diversos pontos de paridade com o que vimos aqui. Em “Oh, you’re the girl that won a GP”, Estephan conta desde o início sua trajetória com Magic. Ela começa dizendo que, logo que aprendeu a jogar, ela ouvia comentários do tipo “é uma garota, deve ser fácil ganhar dela”, e pessoas se referiam a ela como “o bye”. Todas as vezes que ela pensava em parar de jogar, ela racionalizava com “não posso, se eu parar, eles ganham”. Quando começou a melhorar no jogo, ela relata que os comentários mudaram para “você é muito boa...para uma garota”. Ouvir isso era frustrante, ela não queria ser boa para uma garota, queria ser boa e ponto. Com o tempo, ela começou a ganhar PPTQs, fazer day 2 em GPs e acabou ganhando um GP. Quando isso aconteceu, ela relata não ter ficado feliz nos dias que se passaram. Estephan recebeu uma onda de comentários de ódio de pessoas reclamando que os companheiros de time dela não receberam o mesmo reconhecimento. Ela sabe que não ganhou sozinha e que o time estava lá tanto quanto ela, mas ela entende que existia uma figura maior para se olhar naquele momento. Ela precisou fechar as mensagens diretas no Twitter dela e passou dias pedindo para que nenhum amigo dela mostrasse os comentários maldosos que estavam sendo feitos. Jessica foi chamada de feia e gorda em todas as variações dessas duas palavras, disseram que ela não merecia a atenção que estava recebendo porque ela não era fotogenicamente ideal para estar lá. Em outras palavras, não era bonita o suficiente para ser boa em MTG. Ela termina dizendo que os comentários que a fizeram lembrar do porquê ela jogava foram os femininos. As meninas a agradecendo por dar esperança a elas.

 

 

Eu reconheço muito da trajetória de Jessica quando eu lembro da minha. Lembro de ser considerada uma oponente fácil, de ser a namorada de alguém, a garota que é boa para uma garota e, por maior que seja o respeito que eu conquistei para mim, assim como ela, eu conquistei esse respeito a ferro e fogo. Eu ouvi uma dúzia de comentários machistas no primeiro PPTQ que joguei. Saí de lá arrasada e decidi, ali, que ninguém me faria parar de jogar. Enfrentei de cara quase tudo que aconteceu comigo e comprei mais brigas nesses últimos anos do que havia feito ao longo da minha vida inteira. Eu tive estômago para isso. Eu tenho estômago para isso. Ainda passo por uma ou outra situação desconfortável e, hoje, sei como não me deixar atingir. Mas não pensem por um segundo que é essa trajetória que eu quero para outras meninas. Eu não quero que ninguém precise do meu pulso firme pra conquistar espaço. Eu quero que elas possam fazer exatamente como os meninos: que possam sentar e jogar. Sem precisar responder onde está o namorado, se as cartas são delas mesmo, sem receber olhares surpresos se elas forem bem nos torneios. Eu quero que seja fácil. Todo mundo merece o caminho fácil.

 

Eu poderia passar o dia inteiro aqui escrevendo relatos, aumentando minhas pesquisas e entrando em mais grupos. Se eu fizer isso, esse artigo não vai acabar nunca. Então fecharemos os relatos de terceiras por aqui e eu gostaria de incluir um relato meu para fechar esse assunto.

 

Quando eu soube que ficaria escrevendo para a Liga após o GPSP, eu me programei para não ficar trazendo sempre assuntos de representatividade para os meus artigos. Então, meu planejamento foi para escrever sobre o assunto 3 vezes: a primeira, com um parágrafo introdutório no artigo do GP; a segunda, com o Meninas de Ouro, para que mais pessoas conhecessem mulheres incríveis que fazem a diferença no cenário nacional; e a terceira nesse artigo, para que a gente possa ter um debate saudável sobre hábitos que precisam acabar.

 

Logo depois do meu artigo Jogue Como Uma Garota, a onda de feedback e de apoio que eu recebi por causa dele foi de colocar esperança no coração de qualquer pessoa. Contudo, recebi uma mensagem privada, assinada por uma loja, que foi um tanto quanto triste de se ler.O rapaz se apresentou como lojista e seguiu me contando a trajetória dele no jogo para dizer que sempre jogou com mulheres, nunca teve problemas com isso (que bênção, né?). Ele seguiu me contando um relato totalmente torto de um dia que ele estava jogando contra uma menina e esqueceu o trigger de uma carta. Quando a menina disse que não tinha problema, ela chamaria o juiz. Ele a convenceu a não chamar ninguém, pois ela também tomaria um warning e o juiz com certeza seguiria o jogo. Ela foi convencida. Eu preciso explicar por que essa postura foi errada? Sempre chamem o juiz. Cabe ao juiz decidir se o jogo vai seguir normalmente ou não e qual vai ser a ruling. Warning por esquecer o trigger e falha ao manter o estado de jogo são coisas diferentes, e convencer seu oponente a não chamar o juiz não é uma postura legal. O lojista concluiu o e-mail dizendo que tinha certeza que “não tem porquê se vitimizar” sendo mulher no jogo.

 

Eu não o respondi na época, mas quero respondê-lo publicamente aqui: não se trata de vitimismo, não se trata de mimimi, e defitivamente não se trata de condições especiais para jogar. É sobre respeito, empatia e fazer a comunidade se sentir bem jogando como um todo. Se não pudermos ter o básico, não teremos nada. E se eu puder ser voz, vai ser uma honra, e vai ser preciso muito mais do que uma mensagem para me fazer mudar de ideia. Obrigada pelo feedback e, como você fez questão de assinar em nome de toda a equipe da loja, não se preocupe — na sua loja, eu não vou pisar nunca. Espero que o senhor reveja sua postura e jamais peça para um oponente não chamar o juiz em um torneio novamente. Dito isso, vamos para a última parte:

 

Aconteceu algo incômodo comigo. O que eu faço? Você tem várias opções e canais diferentes. Se estiver dentro de uma área de jogo, chame o juiz. Na ausência de um juiz, chame o TO. Não importa se sua dúvida é pequena, se alguém disse que não precisa. O juiz está ali para ajudar, chame-o. Se aconteceu algo fora de um evento ou se só foi percebido depois, entre em contato com a Wizards. Existem canais para denúncias, e pessoas que podem te ajudar com isso. O e-mail para essas denúncias é o investigations@wizards.com. E, sim, vocês podem mandar e-mails em português. No final de 2017, saiu um artigo genial da Wizards explicando código de conduta e o que fazer nessas situações. Vou deixar linkado abaixo.
Além das soluções oficiais, procurem grupos que possam te apoiar. O Garotas Mágicas é uma iniciativa linda, sempre que quiser conversar sobre algo, vá até lá que com certeza terá alguém que saberá te ajudar.

 

Com isso, eu encerro esses relatos e encerro esse assunto por aqui. Nos próximos meses, vamos falar sobre standard, modern, arena, streaming e o que mais for relativo ao jogo. Ainda usarei minhas redes sociais para falar sobre representatividade, mas eu espero que esse artigo sirva pelo menos como reflexão para vocês. Eu sei que construímos um público sensacional por aqui e, por isso, hoje eu peço: sejamos parte da solução. Eu sei que posso contar com vocês para isso.

 

Como sempre, me sigam nas minhas redes sociais e minha caixa de mensagens de todas está sempre aberta para conversamos. Vocês me acham no Twitter e na Twitch como @carolanet e no Instagram como @carolinaanet. A todos que chegaram aqui, meu mais sincero obrigada. Espero que tenha valido a leitura.

 

Até a próxima,
Carol

 

Links Citados:
http://magic.tcgplayer.com/db/article.asp?ID=14439
https://www.channelfireball.com/articles/oh-youre-the-girl-that-won-a-gp/
https://magic.wizards.com/en/articles/archive/news/taking-action-harassment-and-bullying-2017-11-28?fbclid=IwAR0gqiLIxzKZAZXDXkMzg2WR59v6ae9Ncq66eMj_haYD38LpgixQNfbOpXQ
http://markrosewater.tumblr.com/post/122446948628/38
https://www.facebook.com/groups/garotasmagicas/

 

 

 


Carolina Anet ( carolinaanet)
Jogadora competitiva desde 2015. Pode ser encontrada jogando com decks aggro em torneios, independente do formato. Ou falando sobre representatividade com outros jogadores.
Redes Sociais: Instagram, Twitter
carolinaanet na Twitch

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googoodolls_sdy (27/03/2019 16:41:34)

Eu não poderia perder a oportunidade de falar que, muitos desses "escravocetas" estão aqui dando maior apoio. O respeito é fundamental, mas sem sensacionalismo.

Nimguem (14/02/2019 10:52:38)

hahahahahahhah...boa.

surfe (14/02/2019 08:47:50)

O fato é que nesse meio tem muito nerd cabação viciado em pornô que nunca falou com uma mulher que não fosse a mãe.

Acho q jogador/pessoa tóxica será tóxica sempre. Notar uma mulher bonita no meio de 50 cueca acho normal. Respeitar ela é o mínimo que todos devem fazer.

Schuch (13/02/2019 19:44:31)

Muito bom o artigo, é um tema que deve sempre ser lembrado.
Se todos ficarmos atentos é mais difícil desse tipo de postura se repetir.
Provavelmente quem mais precisaria ler um texto desses não lê.

leopeixotorj (13/02/2019 15:04:28)

Muito bom o artigo. Espero que cada vez mais meninas possam participar do jogo sem ter que passar por essas experiências negativas. Por favor nunca deixem de reivindicar seu direito de jogar como qualquer outro jogador.

marcneto (11/02/2019 18:48:31)

Fiquei horrorizado com metade desses abusos

VIP OURO Lomardo (11/02/2019 18:12:22)

Ótima postagem!
Jogo Magic com minha filha mais nova e ela adora.
Só que jogamos em casa, ela erra eu ensino.
Não pode de maneira alguma haver divergências entre os "meninos" e "meninas".
Todos tem de ter o mesmo espaço em nosso tão amado jogo.
Parabéns...abs!!!

frannavg (11/02/2019 17:37:24)

Primeiramente parabéns! Texto muito bem escrito e de um assunto essencial para o gathering. Não pode ser simplesmente ignorado. Ensinei o Magic para minha namorada e já fui com ela em campeonatos em loja. Ela sempre se divertiu e não aconteceu nada fora do normal. Mas eu percebo, também em outras experiências, que os jogadores tratam a mulher de maneira diferente. Alguns estranham até ter uma amiga no mesão. É um tanto incompreensível esse tipo de atitude. Infelizmente o machismo está enraizado em muitos e cabe a cada um saber se por. O bom é saber que existem movimentos e pessoas engajadas em poder ajudar.

Nimguem (08/02/2019 22:33:39)

o magic é universal,tanto para machistas quanto para feministas,assexuados ou transudoes...basta vc ter poder economico.o respeito ven antes de tudo isso.se as pessoas nao entendem,é pq nao tiveram a criaçao nescessaria para ter uma postura adequada dentro dos ciclos sociais existentes!

batatamagic (08/02/2019 21:56:31)

Meu amigo, se eu estou dizendo que o tópico é inútil, isso não é fato o suficiente para demonstrar que eu sou igual aos homens que a princesa cita no tópico que criou. É minha última mensagem nessa discussão inútil. Homens, respeitem as mulheres, apenas não deem brilho demais para elas.

carolinaanet (08/02/2019 20:25:21)

O que aqueceu meu coração foi sua coragem de vir aqui dar sua opinião. Parabéns! E obrigada pelo apoio, vamos juntas!

Alvaros (08/02/2019 13:28:05)

Inutil éesse pensamento, que alimenta a ignorancia, só éum ambiente predominado por homens porque éum ambiente onde a hostilidade predomina, ja é um jogo elitista pelo preço das cartas boas, com pensamentos como esse só aumenta a segregação, nao finja que o preconceito nao existe, sem esse falso moralismo, pagar de certo é facil, tratar o outro com carinho e respeito é mais complicado, e é disso que o artigo fala, respeito, se você nao tem seria uma boa hora de mudar isso.

Alvaros (08/02/2019 13:22:17)

Logico que ésobre feminismo e sobre magic, porqur nao pode ser sobre os dois, lugar de fala o nome, apenas isso, c vc nao se identifica com nada do que foi dito acima, oq que acho improvavel pois vivemos e somos criados numa sociedade preconceituosa e machista, entao nao se sinta atingido por isso e saia tacando pedra, o texto é sobre respeito, nao venha com falso moralismo fingindo que preconceitp nao existe, magic é mais que um jogo é sobre a intereção das pessoas entao vamos tentar entender a real mensagem a ser passada aqui, ou voce acha uma coincidencia ser um jogo por predominancia masculina, fica a reflexão.

Engov (08/02/2019 10:28:08)

Afinal, eu nasci com pipi, então tudo aquilo que as mulheres dizem que passam deve ser mentira... Nunca fiz nada disso.. Não precisei lutar pra poder frequentar universidades ou votar... Mamãe sempre descascou e cortou maçãs e peras...

Acorda véi, elas só estão pedindo empatia e respeito. Se você é incapaz de fazer um comentário positivo, ou uma crítica com argumentos, senta lá no cantinho e fica de boa.

Engov (08/02/2019 10:12:36)

Não, queridão, eu coloquei em xeque o fato de que um cara falou "40%?! saiu de onde isso? Cuiaba". Obviamente um ataque à credibilidade visando uma fonte (que ok, não foi citada no texto mas quem acompanha o Blogatog sabe que veio de lá) que na visão dele não existia... É disso que estou falando.

Figs (08/02/2019 09:02:04)

Acontece que feminismo é uma questão de respeito, de empatia, de entendimento que as pessoas são todas diferentes, mas que os direitos são os mesmos. Feminismo não é achar que mulheres devem ter todo o poder e os homens não; isso é machismo. Feminismo não é achar que mulheres devam formar um grupo e partir para agressão contra homens; isso é machismo. Feminismo não é atacar qualquer pessoa porque ela é homossexual, transexual, poligâmica, monogâmica, assexuado, porque torce para time a, b, c ou d, porque tem religião x, y ou z; isso tudo é machismo.

E seja machismo ou feminismo, ambas podem ser praticadas por homens ou mulheres. Então, pensar em um ambiente de respeito, de paz, de tolerância, de comunicação, de seguir as mesmas regras sem privilégios, é sim uma questão de feminismo, e isso não tem problema algum, muito pelo contrário, é algo que está em falta e precisa ser praticado com muito mais frequência e em todos os lugares.

Denfaceupp (08/02/2019 01:40:04)

Isso mesmo!!!

batatamagic (07/02/2019 22:33:37)

Nunca mulheres irão passar despercebidas em ambientes em que a maioria é de homens. Esse artigo é tão inútil quanto o feminismo em si.

Ricardo_R_JR (06/02/2019 17:34:08)

Mais de 200 comentários em uma semana O.o! Será este o artigo mais popular da história da liga?

rokr89 (06/02/2019 14:56:00)

é sobre feminismo sim

bigaxlrose (06/02/2019 12:13:51)

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Kirku (06/02/2019 10:36:17)

É incrivel como, msm com relatos ou com qualquer outro tipo de coisa, alguem ainda aparece para dizer coisas como "tem q ta reclamando disso n, isso ai nem existe"

Nimguem (06/02/2019 00:00:53)

melhor que ser mudo.

BakargyArt (05/02/2019 23:34:12)

carai 6 fala heim

Nimguem (05/02/2019 16:26:23)

acredito q a questao nao é sobre feminismo,e sim sobre respeito,e como criar um abiente melhor para todos...parabens pela iniciativa e coragem.a nossa vontade vem depois do bem.temos o livre arbitrio, mas sempre seremos escravos da consequencia de nossas açoes.jha rastafara.

Mononoke (05/02/2019 14:05:38)

Nunca foi sobre magic, sempre foi sobre gathering.

cwnannwn (05/02/2019 10:46:34)

Questionar fontes = passar vergonha.

Tamo bem galera, tamo bem...

Alice (05/02/2019 05:37:47)

Eu fui a primeira mulher a se tornar juiza de Magic no Brasil, e lembro que na época isso colocou um alvo gigantesco na minha testa. Eu ouvi e passei por todo tipo de coisa, e na maioria das vezes não tive o preparo emocional nenhum pra lidar com elas. Devido a proximidade que tenho com o magic até hoje, isso afetou bastante no desenvolvimento de quem eu sou hoje. Me identifiquei com tudo nesse texto.

Obrigada por ser porta voz dessas palavras Carolina!

Engov (04/02/2019 13:36:16)

Primeiramente: Meus parabéns, Carol!! O texto está ótimo, pauta um assunto extremamente pertinente, relevante e, infelizmente, necessário.

Concordo totalmente com sua postura: Lê todos os comentários, responde aos que apoiam e não alimenta os trolls!

Se essa galera pensar que é sobre empatia e respeito (dentro e fora do MTG) já é um exercício válido.

Sobre os que tentam relativizar as informações ou questionam as fontes (por exemplo o Blogatog)... Essa vergonha vocês passam no débito ou tão parcelando no crédito também?

Carol, sucesso, paz e muita Luz nessa caminhada! Espero poder torcer por ti no ME do final do ano *O/*

LigaMagic (04/02/2019 11:27:31)

Foi dito pelo próprio Mark Rosewater, no seu tumblr oficial.
http://markrosewater.tumblr.com/post/122446948628/38

Colocaremos no texto.

ksaid94 (04/02/2019 11:14:30)

Acredito que você faria bem em referenciar a estatística de 40% dos jogadores de Magic serem mulheres. Pois nunca vi nada parecido com o numero e agradeceria em saber a fonte.

Hagane (04/02/2019 10:01:52)

Parabéns pela luta, continue o combo de apoio para aquelas que tentam ter sua vós ouvida...
Quanto mais jogadoras respeitadas muito melhor para todos...

Phynderblast (04/02/2019 09:16:41)

Bem bacana o artigo Carol, tanto que aproveitei e compartilhei o link no grupo do whats de magic aqui da região. Eu confesso que não sabia que a situação era tão grave (a parte das gurias serem AGARRADAS é mt bizarro) e esse texto com ctz ajuda a termos uma nocao do tamanho do problema. :/

Continue com o bom trabalho e que as mulheres possam ser presenca cada vez mais constantes nos pequenos e grandes campeonatos.

EduSL (04/02/2019 09:01:11)

Que esse texto sirva para as pessoas refletirem sobre o assunto e que ajude a melhorar o ambiente do jogo. Sinto que outros preconceitos também ocorrem no ambiente de jogo, como , por exemplo, o de jogadores mais velhos com as crianças/adolescentes (Não é necessário dizer que são o futuro do joguinho né?). Magic é um jogo maravilhoso e, assim como outros esportes e jogos competitivos, deveria servir não somente para diversão, mas para ensinar as pessoas sobre diversisdade, superação, controle de ansiedade, respeito ao próximo e tantas outras coisas. Mas essa toxicidade toda me parece o reflexo da frustração pessoal das pessoas e como não saber lidar com ela. Além, obviamente, da falta de educação e carência afetiva da qual muitos sofrem.
Obrigado pelo texto. Meus mais sinceros Parabéns.
insta: @gathering_spells
PS: As pessoas que acham que esse texto é sobre feminismo apenas expõe outro grande problema da nossa sociedade atual: dificuldade na interpretação de texto! E isso nem o ENEM vai resolver hu3hu3hu3

Gavazzi (04/02/2019 08:27:55)

Ótimo texto.

Um desses relatos anonimos se parece muito com algo que já ouvi de uma amiga, talvez seja da mesma pessoa.

Lembro que em uma loja grande de São Paulo, havia um grupo de 3 amigas que sempre iam jogar juntas, de vez em quando algum amigo delas aparecia, mas quase sempre eram apenas elas 3. De tanto ouvirem besteira de outras pessoas da loja elas se fecharam cada vez mais, então eu fazia questão de, sempre que elas chegavam, me propunha a jogar um pouco de magic casual com elas (sim, elas não se interessavam pelo competitivo por escolha delas), deixava o que eu estava fazendo para fazer isso e tentar criar um ambiente mais acolhedor para as 3. Com o tempo alguns (poucos) dos meus amigos da loja também se predispunham a fazer o mesmo, mas sinto que, ao menos para elas, isso fez alguma dferença e as fez se sentirem um pouco acolhidas no ambiente do jogo que elas tanto gostavam.

Vejo muito disso também, ambientes onde os jogadores se gabem de só jogar competitivo e não são abertos a sentar e jogar um pouco de casual com aquela pessoa que só quer se divertir um pouco. Nesse caso que eu citei, eram garotas, e isso fez a situação para elas serem um pouco pior, porque além do desprezo dos jogadores competitivos, tinham os comentários maldosos.

Murock (04/02/2019 06:42:33)

Gostei do artigo, seria interessante traduzir o artigo para o inglês, dar mais publicidade. Espero que sirva de reflexão para todos :-)

talvescc (03/02/2019 18:51:42)

Carol, parabéns pelo artigo! É preciso coragem pra vencer essas barreiras de preconceito que ainda existem na nossa comunidade e me atrevo a dizer do público nerd/geek em geral. Parabéns por se colocar nessa vanguarda. Ver amigas representadas nesses relatos (como a de terem chamado sócio pra anotar resultado de torneio) me deixa triste com a lembrança porém ao mesmo tempo feliz que a insistência dela em criar um espaço acolhedor ter rendido frutos dentro da comunidade que participamos. Sigamos em frente!

carolinaanet (03/02/2019 15:06:02)

O que aqueceu meu coração foi sua coragem de vir aqui dar sua opinião. Parabéns! E obrigada pelo apoio, vamos juntas!

carolinaanet (03/02/2019 15:04:32)


Obrigada pelo apoio e por dividirem tanto! De coração, obrigada por tirarem um tempinho do dia de vocês pra vir aqui apoiar esse projeto. Significa o mundo pra mim!

carolinaanet (03/02/2019 14:57:05)

Obrigadaaa!

Amei! haahahaha Obrigadaaa!

Obrigada pelas palavras e pelo relato, galera! Vocês são demais!


Que coragem de dividir isso publicamente, Mari! Parabéns e obrigada pela colaboração! A honra é toda minha de aprender mais sobre vocês!