O Submundo do Modern - Mono Red Prison
06/12/2017 10:00 / 4,738 visualizações / 5 comentários

 

Fala, galera! Geralmente eu deposito minha nostalgia do Standard aqui no Modern, onde já apresentei alguns decks baseados em estratégias antigas do T2, porém, hoje eu venho com uma nostalgia de um formato bem maior (em sentido de cartas disponíveis), e trago a encarnação de um clássico nesse nosso amado formato!
 
No último final de semana, no Open de Roanoke, o jogador Russell Colosi entrou no torneio e se posicionou entre os 4 melhores listando um deck que ele chamou de "Mono Red Prison", baseado em aprisionar o oponente, como o próprio nome do deck sugere, porém, quando vocês observarem a lista, quem manja dos Legacy raiz vai notar semelhança com uma estratégia que já foi bem conhecida:
 

Mono Red Prison - Modern
2017-12-05

Jogador

Teddy_Bear_X

Visitas

4783

Código Fórum

[deck=749544]

 

Acertou quem lembrou do "Dragon Stompy"! Claro que nos faltam algumas cartas bem fortes que eram a base da estratégia por lá, como os terrenos Ancient Tomb e City of Traitors, que permitiam que nossas cartas proibitivas fossem conjuradas o quanto antes para atrapalhar o oponente, mas a adaptação é o pilar da evolução, ou seja, temos que nos virar com o que temos no formato, então o deck deu uma leve mudadinha para entrar no Modern.
 
Apesar disso o conceito continua o mesmo: precisamos da maior quantidade de acelerações possível no primeiro turno do jogo para, de fato, aprisionar o oponente e impedir ou atrapalhar ao máximo o seu jogo logo de cara. Como mencionei, no Legacy nós contamos com terrenos que nos oferecem essa aceleração, mas aqui no Modern essa parte do deck fica por conta dos rituais que o formato ainda nos oferece, sendo eles Desperate Ritual e Pyretic Ritual.
 

 
Essas duas fontes de mana nos oferecem "apenas" uma mana a mais do que já temos, mas é exatamente o que precisamos para conjurar algumas de nossas cartas mais chatas. Com a ajuda de outra aceleração importante, Simian Spirit Guide, podemos já no primeiro turno conjurar uma Blood Moon ou um Magus of the Moon. Todo mundo sabe o poder que essas cartas têm sobre os decks no Modern, onde a maioria esmagadora deles conta com uma quantidade grande de terrenos não-básicos. Claro que muitos jogadores já estão preparados contra o efeito dessas cartas então não perdem tempo e puxam um terreno básico com sua primeira fetchland ou contam com algum gerador de mana, como Birds of Paradise ou Noble Hierarch, para contornar essas cartas, mas para a  tristeza deles, podemos ter a sorte de termos o primeiro turno do jogo e com isso acabar com a preparação deles para essa situação.
 

 
Uma outra linha de jogo interessante de seguir aqui, ainda mais se soubermos contra o que estamos jogando, é conjurar um Goblin Rabblemaster no primeiro turno, ao invés de partimos para a linha de aprisionamento. Vejamos alguns decks que também estavam presentes no Top 8 desse mesmo torneio: o Mono-Green Tron possui apenas 2 cópias de Dismember na lista e não consegue fazer nada relevante até conseguir as Tron Lands, enquanto o Dredge possuí apenas uma Collective Brutality e, a não ser que tenha um ótimo início com algumas Narcoameba e Prized Amalgam, também vai apanhar um tanto no começo. Então contra decks que praticamente não interagem com o oponente, um Rabblemaster cedo assim pode ser bem impactante, às vezes nem tanto quanto uma Blood Moon, porém às vezes ela não estará disponível, então uma forçada com esse goblin pode ser bem interessante.
 

 
Outra carta presente na lista que visa acabar com boa parte do deck adversário é Chalice of the Void, e com ele nem precisamos de um ritual para que seu efeito seja ameaçador. Com apenas duas manas, uma de nosso terreno e a de um Simian Spirit Guide, nós conseguimos colocar ele em jogo com um marcador, o que já é mais que o suficiente para causar um alvoroço no formato. Pegando agora os outros decks do mesmo Top 8, barramos com esse artefato 12 cartas de um GW Company, sendo elas seus mana dorks e sua remoção, além de VINTE E SETE cartas de um Death's Shadow, quase metade do deck ,incluindo remoções, cantrips e descartes e a própria Death's Shadow. Se estivermos jogando contra um Affinity, até mesmo se jogarmos ele sem nenhum marcador já conseguimos travar uma bela quantidade de cartas que possuem custo 0, então saber ler informações e tentar adivinhar o que iremos enfrentar é muito importante.
 
Ainda temos a oportunidade de conjurar ele para que entre com dois marcadores. Não é nada absurdo e, nesse caso, dependendo do nosso oponente, podemos barrar ainda mais cartas, mas aí já começa a ser o caso de realmente conhecermos bem as listas que podemos enfrentar. Vale lembrar ainda que nosso deck só será prejudicado por essa carta se, em alguma hipótese, conseguirmos/precisarmos conjurar um com 3 ou mais marcadores, porém como isso é muito difícil de acontecer, é bom só guardar uma nota mental de leve sobre isso.

 

 

E por fim, mas tão importante quanto todas as cartas citadas até o momento, nossa última carta proibitiva é Ensnaring Bridge, impedindo o ataque de nossos oponentes. Essa carta nos traz a segurança de que mesmo que não consigamos parar o oponente no começo da partida com luas ou cálices, seja por não termos aceleração para elas, ou no caso do oponente conseguir contornar essas cartas, ainda podemos evitar danos maiores caso a estratégia dele se baseie em ataques diretos com criaturas. Mesmo que nosso deck não fique imediatamente com poucas cartas na mão, em casos de necessidade extrema podemos "descartar" nossos rituais e até mesmo conjurar nossas mágicas que custam X por 0 manas, apenas pelo fato de diminuirmos a quantidade que temos e impedir ataques do oponente. Se não for uma possibilidade, ainda contamos com Slagstorm, para limpar criaturas pequenas e deixar a ponte segurando as maiores.
 
Quando o jogo estiver travado para nosso oponente, basta confiar em nossos planeswalkers para garantir a vitória. Impedindo o oponente de conjurar mágicas e de atacar, fica meio difícil que ele tire uma Chandra, Torch of Defiance ou um Koth of the Hammer do campo de batalha e ambos conseguem marcadores o suficiente para sua última habilidade bem rapidamente, principalmente Koth, ainda mais quando não temos que nos preocupar com o que viria do outro lado da mesa. A partir daí, é questão de poucos turnos até que o jogo termine.
 
Claro que é totalmente plausível também ganhar a partida com um Goblin Rabblemaster, até porque ele é uma carta totalmente beatdown e foge rapidamente do controle de nosso oponente se não for respondido nos primeiros turnos em que entra em jogo. Contando ainda que temos 4 cópias dele na lista, se por acaso conseguirmos dois de uma vez no campo de batalha e tirarmos a possibilidade do oponente de remover eles com mágicas, seja impedindo suas remoções com um Chalice of the Void ou Blood Moon, é bem provável que o jogo termine bem antes do esperado.
 
A única cópia de Pia and Kiran Nalaar pode parecer meio deslocada, até mesmo por não conseguirmos produzir artefatos constantemente para que sua habilidade de dano seja usada com frequência, porém, essa dupla entra para contribuir muito com o fator tempo, nos oferecendo três criaturas por apenas quatro manas e a possibilidade de remover criaturas pequenas que caiam no campo de batalha. Uma coisa bacana que podemos fazer com ela ainda é usar nossa própria Ensnaring Bridge para impedir que as fichas de nosso Rabblemaster ataquem, evitando que criaturas fortes do outro lado da mesa as bloqueiem e as matem, conseguindo então acumular uma boa quantidade de fichas no nosso lado do campo de batalha. Quando tivermos o suficiente, basta sacrificar a Bridge com nossa Pia and Kiran Nalaar, e atacar de uma vez com os inúmeros Goblins obtidos nesse tempo.
 
Walking Ballista também não parece ser conjurada por mais de um ou dois marcadores na maioria das partidas e realmente não é nada atrativo usarmos nossos rituais para que ela fique grande. Porém, com a presença de um Koth of the Hammer no campo de batalha, nós dobramos a nossa quantidade de mana vermelha, podendo transformar essa criatura artefato em uma máquina de matar, onde podemos facilmente colocar no mínimo 2 marcadores por turno nela, o suficiente para que consiga eliminar vários alvos pequenos do outro lado ou comece a drenar a vida do nosso oponente.
 
Agora, pegando de fato uma versão Legacy do deck, podemos fazer várias mudanças com cartas que são usadas lá, mas que também são válidas no Modern. Só por curiosidade e pra quem não conhece Legacy não ter que procurar pelas listas em outro lugar, vejam um Dragon Stompy que apareceu recentemente numa Liga Legacy no Magic Online:

 

Dragon Stompy - Legacy
2017-12-05

Jogador

Teddy_Bear_X

Visitas

4766

Código Fórum

[deck=749546]
Sideboard (15 cartas)

7 criaturas

8 outras mágicas

  • Menor Preço

    R$ 379,75

  • Preço Médio

    R$ 422,27

  • Maior Preço

    R$ 550,00

 

Tirando os terrenos, Fiery Confluence, e claro, Chrome Mox, todo o resto é válido no Modern e eu já tinha avisado que nossas acelerações já eram diferentes, então nem adianta chorar agora. Dá pra tirar umas ideias bem bacanas daqui, não dá?
 
Na nossa lista Modern, Hazoret the Fervent está presente no sideboard, mas eu acho muito válido que ela entre no lugar de Pia and Kiran Nalaar. Primeiro por não dependermos de artefatos para que esse dano seja causado e não é tão fácil de ser removida quando essa criatura, segundo por ser uma carta que ajuda a esvaziar nossa mão e aumenta consequentemente o poder de nossa Ensnaring Bridge.
 
Sin Prodder é uma criatura que eu particularmente sempre gostei e apostei muito nela quando foi lançada, mas admito que não fez nada demais... Ainda assim, em uma lista que consegue colocar ela em jogo "tranquilamente" no primeiro turno, a vantagem que pode nos oferecer parece ser grande. Podemos dizer que ela disputa espaço diretamente com Walking Ballista aqui, então o uso dela vai depender do ambiente que você espera encontrar. Se for muito agressivo, realmente não me parece uma boa inclusão na lista, já que Ballista ajuda muito bem a cuidarmos de criaturas pequenas e, de certo modo, de uma maneira constante. Porém, se esperarmos decks que interagem pouco com a gente, Sin Prodder pode ser uma boa adição à lista, nos oferecendo cada vez mais recursos ou causando um bom dano no oponente.
 
Agora, Trinisphere é uma carta que pode elevar o nível de ódio desse deck para um patamar desagradável. Eu já usei e sofri bastante pra essa carta nas poucas vezes que joguei Legacy e dependendo do deck que encontrarmos no Modern, ela pode ser tão irritante quanto uma Blood Moon, já que mesmo que o oponente consiga conjurar suas mágicas, seja um deck baseado em vermelho ou que tenha conseguido uma fonte de mana colorida, elas ainda custarão caro para ele e isso impede que mais de uma mágica seja conjurada por turno. Levando em consideração que grande parte dos decks do formato joguem com poucos terrenos durante a partida toda, Trinisphere acaba sendo uma carta muito frustrante e, assim como Chalice of the Void, não atrapalha em nada.
 
O bom de usar ela é que acabamos ficando com um número de cartas maior que conseguem atrapalhar o jogo do oponente logo no primeiro turno da partida, mas ao contrário de uma Blood Moon ou Chalice of the Void , conforme o desenrolar da partida, as chances de ela se tornar obsoleta comparada com essas outras cartas é bem maior.
 
Praticamente todas as situações com esse deck que foram citadas aqui envolvem inícios explosivos, justamente pela força dele vir disso aí, já que por mais chato que seja, uma Blood Moon no turno 3 aqui não é tão eficiente quanto no turno 1 contra algumas estratégias, porém temos de ter em mente que realmente isso nem sempre será possível, mas ainda assim alguma coisa no 2 pode ser essencial para o bom andamento do nosso jogo. Agora, é possível também que nossas acelerações dêem muito certo e até mesmo um planeswalker pode cair em jogo no nosso primeiro turno com alguns rituais e um Simian Spirit Guide. Aproveitando, ainda sobre esses rituais, lembre-se sempre que Desperate Ritual tem a habilidade se Unir em Arcana, permitindo que seus efeitos sejam adicionados em um Desperate Ritual que esteja na pilha, então acabamos ganhando um ritual de graça nessa situação.
 
Bom, é isso aí. Espero que tenham gostado do texto e da estratégia! Deixem aí seus comentários e sempre que tiverem ideias de decks, é só me procurar que eu tento deixar ele em pauta. Agradeço inclusive às indicações que já tive!
 
Até a próxima! #vv

 

 


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Comentários

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magicopunk (08/12/2017 00:45:25)

A versão que conheço de Skred não ganha de um Death Shadow resolvido no inicio do jogo

ShiroCtba (06/12/2017 19:43:11)

Skred Red é uma ideia melhor - midrange lock.

didimax (06/12/2017 15:52:03)

O valor do deck desanima mesmo, mas eu gostei da ideia. Adoro a força do deck monored

Ricardo_R_JR (06/12/2017 12:10:35)

Acho esse deck lindo mas seu valor está proibitivo para um deck que está longe de ser Tier 1 ou 2 no formato!

VagaL (06/12/2017 11:28:11)

#vv