Também erram no Olimpo
09/11/2017 10:00 / 3,676 visualizações / 14 comentários
 
Olá! 
 
Esse final de semana tivemos o Pro Tour Ixalan disputado no formato Standard, onde emergiu vencedor o Sultai Energy do norte-americano Seth Manfield, além de um Top 8 diverso com UW God-Pharaoh's Gift, Mardu Veículos, Ramunap Red, Temur Energy, 4C Energy e Jeskai Approach, nas mãos tanto de veteranos do circuito como Mike Sigrist, Guillaume Matignon e Pascal Maynard, como um participante que estava em seu primeiro Pro Tour e conquistou a simpatia de todos, Samuel Ihlenfeldt.
 
Quanto aos decks que se destacaram e seus impactos no metagame, o Rudá fez uma excelente cobertura em seu último artigo, portanto para hoje pretendo focar outro tema igualmente relacionado ao PT Ixalan e os Pro players. Sempre abordamos decklists, reports, primers e metagame aqui na Ligamagic, mas o que não vemos sempre são análises mais detalhadas das partidas, dissecando decisões e jogadas nos grandes eventos.
 
Assistindo ao PT pela Twitch, muitos de nós "meros mortais" observamos algumas jogadas questionáveis, e outras que são erros claros (como triggers perdidos, ou o caso da Hazoret nas semifinais do PT de Hora da Devastação). Em vários momentos do Coverage, eu pensava comigo mesmo: "os deuses também erram no Olimpo". Logo em seguida, me veio à cabeça um artigo escrito pelo Lucas "Bertu" Berthoud de muitos anos atrás chamado Erros no top8 do Worlds 2004, onde ele analisa jogadas críticas que acabaram por mudar o destino dos jogadores envolvidos naquele torneio, e imaginei o quão interessante seria trazer à tona esse tipo de conteúdo em português, mais uma vez.
 
Vale lembrar que em nenhum momento minha intenção é dizer como eu sou melhor do que eles (porque não sou, e certamente tenho minha boa dose de jogadas erradas) ou como os deslizes os desqualificam como jogadores (porque não o fazem, já que a maioria ali tem múltiplos Top 8s em PTs/GPs, treinam, se dedicam ao jogo, etc.), mas sim promover uma reflexão entre a própria comunidade frequentadora da Ligamagic: os erros são muito mais comuns do que parecem, e acontecem em todos os níveis de competição e de todas as formas possíveis. Deixar de dar letal no oponente, perder triggers, erros de julgamento, ataques/blocks ruins, e por aí vai. Lembrem-se disso antes de crucificar algum jogador na sua loja local porque ele "jogou errado e morreu", já que em se tratando de jogadas erradas simplesmente todo jogador de Magic nesse planeta tem teto de vidro.

Sem mais delongas, segue o link com os vídeos, e o tempo aproximado em que as jogadas acontecem:
 
Aqui vemos um erro "simples", mas que cometido por um dos jogadores que é tido como o que tem um dos melhores "jogo técnico" entre os próprios Pro Players. A mesa está vazia do lado de Yamamoto, enquanto o Owen tem uma Bristling Hydra e uma quantidade relativamente alta de vida. Com isso, dá pra imaginar o Owen entrando numa certa "zona de conforto", já que estava com um dos melhores bichos na match na mesa, contra um adversário sem nada, em uma partida favorável pro Temur.
 
 
Eis que o americano acha um Rogue Refiner, para continuar colocando mesa e ganhando recursos, mas vira as manas de uma forma em que ele não consegue conjurar uma Bristling Hydra... que é exatamente o draw do Refiner dele. Da forma em que jogou, o melhor seria ele virar um dos Spirebluff Canal ao invés do Botanical Sanctum (considerando que ele tinha uma Montanha na mão, caso comprasse uma Chandra, Torch of Defiance), ou mesmo deixar o Aether Hub aberto, nesse caso virando um Botânico, um Spirebluff e a Floresta básica.
 
Ao final do turno, o Yamamoto matou o Rogue Refiner com Shock, deu um Lightning Strike direto na cara, e voltou com Hazoret the Fervent batendo; Owen cai para míseros 6 de vida. Com isso, bastou o Yamamoto deixar a Hazoret em pé para block no turno seguinte, e ativar a habilidade dela, junto com a Chandra, que fechou o jogo apenas no dano direto.
 
Aqui, não é claro que o Owen iria vencer esse jogo, mas caso ele passasse o turno com o Refiner e a Hydra desvirados, Yamamoto não teria tanta liberdade para jogar agressivo. Ele provavelmente ainda mataria o Refiner para gastar cartas da mão e diminuir a mesa do Owen, mas a Hazoret não teria liberdade para atacar, já que uma Hydra com 11 energias na reserva bloquearia e não morreria. Caso Yamamoto quisesse tentar garantir a Hazoret para block, teria que dar o Lightning Strike direto no Owen igual, só que aí ele estaria a 11 de vida (longe do alcance do dano direto) e com duas Hydras, e com muito mais turnos para achar um Whirler Virtuoso, Confiscation Coup, ou mesmo outras criaturas e levar o game. Embora não fosse uma vitória garantida, não ter feito a Hydra naquele turno foi diretamente responsável pela derrota do Temur no game, custando um potencial Top 8 de Turtenwald, que com a vitória iria a 37 pontos e passava garantidamente (onde Yamamoto com a vitória não fez Top 8 pelos desempates).
Aqui estamos no G4, pós-side, Sultai Energy vs. Jeskai Approach com ambos os jogadores sabendo a lista um do outro. Manfield está zicado nos terrenos, mas com uma mão cheia de recursos, incluindo dois Negate. No turno crítico, ele tenta um ataque com o Longtusk Cub, e pumpa gastando todas as energias, quando sua única fonte de azul é o Aether Hub. A jogada é gananciosa - se Matignon não tem nada, ele causa um de dano a mais, e repõe as energias. Caso ele tenha, fica sem o Filhote e zicado no azul para jogar os Negate e um eventual Rogue Refiner achado do topo.
 
 
Vale ponderar que Matignon tinha apenas duas cartas na mão nesse momento. Se ele simplesmente conecta o filhote sem pumpar, é possível que o Matignon ainda assim tente dar Commit // Memory. Nesse caso, utilizar Negate mantém o Filhote na mesa, e mantém Manfield com manas azuis e com reposição de energia, além de forçar o oponente a ter resposta para o Filhote com apenas uma na mão (e sabendo a mão do Matignon, ele se taparia para o Pull From Tomorrow, o que daria uma janela para Seth desvirar com o Filhote e Negate aberto de novo). O mais provável, todavia, fosse que o francês absorvesse o primeiro dano e tentasse dar o Commit no passe no Filhote (caso Manfield não fizesse nenhuma outra threat) ou em alguma eventual mágica pós-combate (segundo Filhote, Winding Constrictor, Rishkar, Peema Renegade), e tentasse voltar com o Pull From Tomorrow na main phase para garantir os land drops e cavar recursos. Optando por colocar outra threat na mesa, Manfield não teria como anular naquele mesmo turno, mas em compensação ainda teria Energia suficiente para castar os Negates quando desvirasse novamente.
 
Ao forçar a ativação do Filhote e cair para zero energias, entretanto, Manfield praticamente sepulta suas chances em um game que estava difícil por causa da zica de mana, mas em que ele ainda tinha plenas condições devido a superioridade de recursos em sua mão e aos 2 Negate para lidar com a interação do Jeskai.

Entretanto, essa é a jogada que acredito que abre mais margem para discussão no tópico, já que um argumento em favor do pump do filhote é a necessidade de colocar o maior clock possível antes dos Torrential Gearhulk ficarem online. Nesse ponto, com poucos recursos tinha uma razoável chance do Matignon não chegar na sexta mana desvirada no turno 6, e mesmo que tivesse o Gearhulk, Manfield ainda podia encaixar o Filhote com Constrictor que com algumas energias na reserva ele já se tornaria maior que o titã. Eu particularmente anseio pelo report do Seth pós-PT para ver se ele comenta algo sobre essa jogada em particular.
Esse foi certamente o game mais comentado e onde o erro mais claro ocorreu, em possivelmente mais de um ponto e reconhecido pelo próprio Sigrist: o G5 das quartas-de-finais. O 4C Energy de Sigrist consegue segurar o rush inicial do Mardu Veículos de Ihlenfeldt, estabilizando em uma quantidade razoável de vida, mas pouco a pouco Ihlenfeldt vai recuperando campo, e começa a punir com um Heart of Kiran, que não tem resposta por parte de Sigrist.
 

No turno crítico do jogo, Sigrist desvira com 2 Servant of the Conduit, um Whirler Virtuoso 4/4, O Deus Escaravelho, cinco terrenos, e uma mão de Whirler Virtuoso e Vraska, Cacadora de Reliquias, com 8 de vida e somente 1 energia. A mesa de Samuel é composta do Heart of Kiran, um token de Tóptero, Pia Nalaar, IInventor's Apprentice, dois Toolcraft Exemplar, e de relevante um Scrapheap Scrounger no cemitério. Ele possui 10 de vida também, mas nenhuma mana preta em jogo além do Aether Hub sem energias.
 
Logo ao iniciar seu turno, Sigrist a opção de retornar alguma criatura adicional do cemitério para aumentar o dano e o scry do The Scarab God, mas com o Virtuoso na mão, é mais interessante fazê-lo para gerar energias; não apenas essas energias permitem que Sigrist ressucite alguma outra criatura usando manas dos Serviçais, mas também o Virtuoso na mesa inviabiliza qualquer ataque pelo chão que não dê letal de Sam, já que ele morrendo passa a ser um bom alvo para novamente retornar e colocar mais energias e Tópteros que bloqueariam o Kiran. Siggy então opta por fazer o Scry com apenas a criatura que já está na mesa, põe no fundo, e acha um Longtusk Cub como draw step.
 

 
Aqui Sigrist tem um leque de variáveis as quais pode optar. Passar com mana aberta para ressucitar provavelmente a Pia Nalaar pode puni-lo caso Sam ache uma mana preta, em particular Torre da Industria, que sequer passa prioridade para Sigrist. Trazer de volta a Pia Nalaar na main phase é uma alternativa, já que coloca um blocker pelo céu gastando menos energias (duas ao invés de três), e mantém o mesmo número de blockers pelo chão caso Sigrist não ataque com o Scarab (Scarab, Virtuoso 4/4, Virtuoso 2/3 e Pia 4/4, contra Virtuoso 2/3, 4/4 e dois Serviçais). Não voltar a criatura agora tem a vantagem de que ele pode efetuar um ataque com o Scarab (mantém seu clock) e passa com as manas abertas (representando possíveis remoções que impedem o ataque "limpo" de Sam), ou mesmo a Pia Nalaar de block surpresa se não achar a fonte preta. Caso ele ataque com o Scarab e traga a Pia, ele passa com um blocker pelo chão a menos, que acaba sendo letal caso Sam ache um Scrapheap/Segadeira/Torre da Indústria voltando Scrapheap (tira o block do Tóptero sacrificando um Tóptero, tira um block do chão sacrificando o artefato comprado depois de tripular o Kiran sendo que no caso da Segadeira é só tripular com o Tóptero, ataca com 2x Toolcrafts, 1 Inventor e 1 Pia contra dois bloqueadores de chão restantes passando letal na conta). Caso não ataque com o Scarab e volte a Pia, ele deixa de atacar esse turno e dá um certo "respiro" para o Mardu de Sam.
 
Sigrist opta por, antes de fazer qualquer outra jogada, atacar com The Scarab God, e aqui Sam chumpblocka com o Toolcraft. Nesse cenário, a combinação de Virtuoso + ressucitar a Pia Nalaar deixa Siggy com 3 blockers de chão (Virtuoso 2/3, 4/4, Pia 4/4) e um Tóptero, resultando em um Ihlenfeldt sem outs para matar no turno seguinte - mesmo Scrapheap Scrounger, Bomat Courier, Segadeira da Eteresfera ou Walking Ballista, artefatos baratos que poderiam remover bloqueador com a habilidade da Pia ou pingando, deixam Siggy com 1 de vida no pior cenário. Dusk // Dawn removeria dois blockers 4/4 de chão, mas o Tóptero seguraria o Kiran enquanto o Virtuoso um dos poder 2, igualmente deixando Siggy a 1. Em qualquer cenário, Siggy teria letal na volta caso sobrevivesse a um ataque "louco" de Sam.
 
Sam comprou a Segadeira da Eteresfera, e nesse momento, com a Segadeira ou o trigger da energia na pilha, Siggy novamente tinha a opção de trazer a Pia Nalaar para aumentar sua presença de mesa, dessa vez com a garantia que não perderia os bichos grandes para um Dusk // Dawn, e que caso opte por qualquer rota de tirar bloqueadores com a Pia, Sam não teria letal - caso tripulasse a Segadeira com Tóptero, então o Kiran com a Segadeira, sacrificasse ambos Tóptero e Segadeira para tirar o bloqueador voador e um de chão, o Kiran passando 4 e mais três atacantes de chão contra dois bloqueadores são no máximo 7 em todas as combinações de block, novamente não dando letal.
 
Sem passar letal e enfrentando um Tóptero, Ihlenfeldt provavelmente não teria como fazer bons ataques, ou atacaria apenas com o Kiran/tóptero para tentar forçar algum dano ou chumpblock, e Siggy conseguiria fazê-lo sem maiores complicações, desvirando para o Scry 2 do The Scarab God, com a mesa forrada de criaturas em um cenário onde fica muito díficil perder a partida, já que agora encaixaria a Vraska para responder o veículo, ou qualquer gerador de Energia proveria um Tóptero adicional, ou mesmo uma remoção bem dada continuaria eliminando a mesa de um Sam obrigado a bloquear vários Zumbis 4/4.
 
Da forma com que o jogo correu, Siggy deixou o trigger da energia resolver, perdendo assim a oportunidade de trazer a Pia Nalaar com o Scarab (já que Sam pode simplesmente optar por exilar a Pia para o Scrapheap em resposta à ativação do Scarab). Sam faz o ataque, e Siggy cai a 3 de vida sem chumpblockar com Tóptero para poder retornar seu Longtusk Cub no passe e aumentar a mesa (já que, novamente, qualquer bicho de Sam seria uma ativação perdida face o Scrapheap).
 
Resolvido o Scry 2, Sam cai a 7 de vida, e Siggy acha um Magma Spray. Dada a forma que Sam fez os ataques no último turno e com os atuais bloqueadores disponíveis, é letal - bastava fazer a Vraska, Cacadora de Reliquias, destruindo a Segadeira e com o Tesouro matar a Pia Nalaarusando Spray. Siggy teria, então, Virtuoso 4/4, Longtusk 4/4, Scarab God 5/5, Virtuoso 2/3 e Serviçal 2/2 para atacar (o segundo Serviçal usado para mana), contra apenas Inventor's Apprentice e Heart of Kiran para bloquear - passariam no mínimo 8 de dano, contra os 7 de Sam, e como resultado direto Sigrist iria para as semifinais para enfrentar o Sultai de Manfield. Entretanto, Siggy atacou com todas as criaturas, exceto o Filhote, permitindo que Ihlenfeldt levasse a partida sem precisar nem pensar no turno seguinte contra o único bloqueador do 4C Energy.
 
Pelas semifinais do PT Ixalan, temos o Ramunap Red de John Rolf, contra o UW GPG de Pascal Maynard. Embora o GPG possa ter as mãos absurdas que conectam Anjo da Invencao turno 4 ou 5, de maneira geral a partida é favorável para o Ramunap, que conta com um clock rápido e peças de hate MD na forma de Abrade e Scavenger Grounds.
 
Rolf está na play nessa partida, e começa clockando forte com Kari Zev, Skyship Raider e Harsh Mentor, além de ter ambas as peças de hate à disposição. Porém, ele trava no terceiro land drop por um tempo, o que dá campo para Pascal voltar pro jogo dessa abertura forte por passar com o hate aberto respeitando o pior cenário possível (ressucitar um GPG trazendo Anjo).
 
Tudo vai correndo bem em favor de Rolf, especialmente no turno que ele acha o quarto terreno, e pode fazer um segundo Harsh Mentor, passando com Abrade aberto. Nesse momento, Maynard tenta ir para o GPG, e prontamente é respondido com um Abrade. Próximo dos 06h01m, Rolf acha o quinto terreno (Ramunap Ruins) e faz uma Hazoret the Fervent virando para a direita contra uma mesa de Minister of Inquiries e Sacred Cat, na tentativa de fechar o jogo rápido.
 

 
Aqui é onde enxergo a jogada errada - respeitar as possíveis jogadas do GPG é crucial, especialemente na partida pré-sideboard em que o deck é muito mais dependente do Combo. O deck tem potencial de colocar o anjo na mesa literalmente do nada, e com o cemitério do jeito que estava, bastava somente que Maynard encontrasse um sétimo terreno (caso estivesse com o GPG já travado na mão), o GPG (caso tivesse o terreno na mão), ou um Refurbish, que poderia já estar na mão, ou no topo, e o Anjo 6/6 entraria deixando o jogo fora de alcance pro Ramunap. Todas essas jogadas poderiam ser prevenidas caso Rolf passasse com o Deserto aberto, podendo,caso Maynard não tentasse nenhum movimento, sacrificar a Ramunap Ruins na end step e aí sim voltar com a Hazoret atacando - até porque as ativações de Minister e Ipnu Rivulet, para tentar remontar um cemitério, seriam punidas pelo Harsh Mentor. O clock de Kari Zev e Mentor era forte o bastante, e para evitar um block de gato e ministro no Mentor, bastava esse turno específico bater somente com a Kari Zev.
 
Ao fazer a Hazoret, que inclusive é uma das piores cartas na partida contra GPG/Tokens, devido a quantidade de chump blocks que esses decks colocam, Rolf se abriu completamente para tomar um Anjo na volta, que foi exatamente o que aconteceu com o Refurbish de Maynard. Mesmo o Ahn-Crop Crasher da mão tirando o block não foi suficiente, considerando que haviam outros chump blocks na mesa, e a partir do Anjo a partida que estava encaminhada para o Ramunap ficou completamente inalcançável.
 
 
Se considerarmos que o Ramunap de Rolf poderia ter ganho o G2 do GPG de Maynard, esse G4 das semifinais em teoria poderia ter colocado John direto na final caso tivesse ganho, e poderíamos ter visto um campeão de Pro Tour diferente considerando que a match do Ramunap é bem razoável contra o Sultai.

Rolf novamente tem uma abertura forte e curvada, comprando um Rampaging Ferocidon como peça de hate forte. Maynard vai se segurando como pode com Guarda da Feira, mas o Ramunap fecha a janela de respostas do GPG com um movimento particularmente punitivo: no turno em que Pascal tenta fazer o Angel of Invention, ele leva remoção no Guarda em resposta, já que ao optar por colocar os Servos no Fabricate para ter bloqueadores, Pascal toma 3 de dano adicionais.
 
 
No seu turno, Rolf vira com tudo para a direita, criando um cenário horrível para Maynard bloquear caso Rolf tenha uma remoção de meio de combate, mas ao mesmo tempo forçando o GPG a tomar alguma ação, já que sua vida abaixava vertiginosamente (e abaixaria cada vez mais sem perspectivas de melhora com o Ferocidon na mesa).
 
Maynard, então, arrisca um double block com os Servos no Ferocidon. Aqui bastava que Rolf gastasse seu Abrade, matando o Anjo ,que os Servos seriam chump block do dinossauro, Maynard perderia toda a mesa, cairia a 8 de vida e ainda estaria enfrentando a Kari Zev e o Ferocidon. Nem mesmo ressucitar o Anjo com GPG ajudaria muito, já que o anjo batendo 6/6 vigilância sem o Lifelink ainda não conseguiria bloquear por causa do Menace - e Pascal ainda estava longe de fazê-lo, tanto por não ter GPG no cemitério, como por ainda estar na quinta mana caso fosse fazer da mão.
 
Nessa hora, porém, Rolf não fez nada, e deixou o dano resolver. Ele perdeu o Ferocidon, e para evitar o Lifelink do anjo, no outro turno gastou o Abrade nele, da mesma maneira que devia ter feito antes. Com isso, Maynard conseguiu ir recompondo a mesa, colocando chumpblocks infinitos, e eventualmente virou a partida indo para as finais.

Rolf cometeu um erro "clássico", por assim dizer: jogou com tanto receio do que o Maynard poderia ter, por mais improvável que fosse millar/descartar e ressucitar um GPG naquele turno, que acabou perdendo para o que Maynard já tinha - que era um monte de criaturas semi irrelevantes que forraram a mesa, mas que de nada serviriam contra um Ferocidon ativo. É possível também que o erro de julgamento do G2 (onde ele não respeitou o quanto deveria) fez com que ele jogasse excessivamente para trás no G4 (onde respeitou muito mais do que deveria).

Jogada 6 - Seth Manfield vs. Pascal Maynard, 09h15m de vídeo

G4 da grande final do Pro Tour, partida está 2 a 1 em favor do Sultai de Manfield. Maynard resolve seu Champion of Wits no turno 4, mas não desce o terreno da vez (!!). Aqui não vemos um erro de julgamento, trigger perdido ou similar; ele provavelmente estava tão focado em outras decisões que deixou de fazer o mais óbvio.
 

Essa jogada poderia ter custado o game, já que vários drops críticos do UW GPG custam cinco manas e o deck do Manfield pós-side era relativamente bem equipado com hate e pleno potencial para punir a jogada. Porém, nesse game, Manfield não conseguiu evoluir bem o próprio jogo, a sequência de draws de Maynard foi bem forte e o GPG conseguiu escapar com a vitória sem grandes consequências.

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Se analisarmos a coverage inteira do PT, com certeza encontraremos outras situações - em uma dada partida, o Manfield chegou a perder trigger do Filhote quando causou dano no oponente. Como vimos, até os deuses no Olimpo erram, o que certamente serve como um sinal para pegarmos mais leve na hora de julgarmos nossos próprios erros - e os dos coleguinhas também. Mesmo vendo e revendo as partidas na câmera, analisando e simulando "n" cenários, ainda é possível que alguma linha tenha passado batida (especialmente no exemplo 3), e mesmo as minhas "sugestões" sejam, também, jogadas a serem discutidas, tal é a complexidade do nosso querido joguinho.

O ideal é sempre buscar extrair lições dos erros, tentar não repeti-los e fazer melhor das próximas vezes; esse é um processo o qual jogadores de qualquer nível, desde o mais casual que só joga na loja da cidade, grinders de PPTQs/CLMs e mesmo os Pros vão estar sempre propensos a vivenciar e que devem sempre lidar da melhor forma possível, com maturidade, humildade e senso de autocrítica.
 
Quanto a vocês, leitores, como enxergam os exemplos apontados aqui no artigo? Alguma sugestão para as jogadas mais subjetivas, em especial os exemplos 2 e 3? Quais outros erros identificaram no Pro Tour Ixalan, ou em outros grandes eventos? Deixem suas respostas nos comentários!
 
Abraços e até a próxima!
 

Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está constantemente grindando torneios na Grande São Paulo e em Santos, onde é parte do Team House of Cards TCG. Como grande entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015.
Redes Sociais: Facebook, Twitter

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Comentários

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STR1KE (10/11/2017 22:25:57)

Parabens pelo artigo!
Muito bom, espero pelos próximos sobre os próximos torneios!

BUSINESS laemcasa (10/11/2017 20:31:57)

Artigasso!

VIP STAFF sandoiche_13 (10/11/2017 17:48:53)

Obrigado a todos pelo feedback!

Não chega a ser um erro propriamente dito, o Seth só queria ter certeza absoluta que ele tinha o letal - ele mesmo chegou a dizer que fazendo uma conta rápida por alto faltava 1 de dano, mas recontando ele viu que matava sim. E que no momento de jogar a Blossoming passou um milhão de coisas pela cabeça dele, meio que estava em um estado de "transe" pra cair a ficha de que tinha ganho.


Com certeza! No final do ano passado mesmo, eu cheguei a escrever um artigo falando sobre isso, chamado "Autoanálise e o Teto de Vidro no Magic", onde eu reconheci e analisei vários dos meus erros e pontos onde eu poderia melhorar. Segue o link se quiser dar uma conferida: https://www.ligamagic.com.br/?view=artigos/view&aid=1284



O contexto todo é algo intensifica a situação. Eles estão jogando sob as câmeras, com milhares de pessoas assistindo, comentando, e, infelizmente, julgando, então é fácil se deixar levar pela situação e não cometer deslizes se não estiver com a cabeça no lugar. O John Rolf de Ramunap Red escreveu na SCG hoje falando exatamente isso, que não conseguiu manter o foco durante o Top 8 por causa de todo o nervosismo pela magnitude da situação.


Quem nunca errou que atire a primeira pedra, com certeza! Obrigado novamente pelo texto de outrora que ajudou a servir de inspiração para esse aqui, e seguimos acompanhando os mais recentes no reddit/pastebin! :)


Sim, nem todos os jogadores lembram dessa situação, ainda mais quando o Anjo entra conjurado da mão (o que já causa uma situação de "estranheza" por parte do nosso subconsciente, já que ele tá ali no deck pra ser ressucitado).


Esse é o tipo de artigo que poderia facilmente ser feito depois de cada torneio, já que cada mero game de Magic tem tantas sub decisões, possibilidades de capitalizar em blefes, jogar em volta de combinações múltiplas de cartas... escrevi sobre o PT Ixalan porque foi um evento que chamou a atenção de muitos espectadores a quantidade de erros decisivos na câmera, inclusive a desse que vos escreve.

Creighton (10/11/2017 12:52:17)

rola um artigo desse ai no modern de 56 paginas pls

CamiloArt (09/11/2017 22:32:59)

Melhor forma de aprender é essa ai! Depois que erra e perde, nunca mais esquece! =]

HHHH (09/11/2017 20:15:12)

Isso é para desestabilizar o emocional do adversário para ele perder a concentração e talvez não realizar a melhor jogada possível no momento. O Magic é cheio de jogadinhas sujas. A gente tem sempre que ficar de olho no adversário.

diablozzpunk (09/11/2017 20:02:31)

A jogada 5 foi por conta dele não lembrar da habilidade do anjo que dava +1+1 para os servos, achando que ia levar dois servos de graça, e acabou perdendo o ferocidon e ainda sobrando um servo e o anjo em campo, tenho certeza que ele esqueceu da habilidade do anjo e perdeu por conta disso.

Bertu (09/11/2017 19:10:50)

Quem nunca errou, né?

VIP STAFF LuCaparroz (09/11/2017 18:04:44)

Muito interessante o artigo, parabéns!

MrSocrates (09/11/2017 17:03:52)

Se não me engano, teve uma partida em que o PV perdeu o trigger do Scarab God. Após isso, o oponente ficou tirando sarro dele, dizendo "O campeão do PT perdeu a trigger kkkkkk", o que deixou o PV fulo da vida.

Foi um comentário totalmente desnecessário e sua reação tão desnecessário quanto, por parte do oponente.

tattoowalker (09/11/2017 14:53:59)

magic e o game mais dificil q conheco, acho perfeitamente natural profissionais errarem.. a questao e que eles errarm bem menos que eu

ysoeiroBR (09/11/2017 13:44:27)

Cara, muito bom o artigo.

Espero que todos aprendam um pouco e julguem menos.

No magic todos temos teto de vidro.

lucas_strider (09/11/2017 11:18:38)

Muito bom o artigo, parabéns =D

Braddock_AP (09/11/2017 10:36:31)

Muito bom o artigo. Parabéns. Na ultima partida da final tivemos uma situação que eu não chamaria de erro, mas deu pra ver que, não importa o quão profissional e bem preparado o cara está, sempre bate um nervosismo. No ataque final do Seth ele tinha a Blossoming Defense na mão e tinha letal, mas ele realmente hesitou e pensou durante um bom tempo, quando ele conjurou a blossoming ele ainda estava decidindo o alvo, aí que o pascal deu um tapinha nele e deve ter falado (suponho) "ei bicho, tu ganhou kkk".

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