Sem energia de gatos em Albuquerque
13/11/2017 14:00 / 3,061 visualizações / 5 comentários
 
Fala galera, tudo bem com vocês?
 
Hoje venho contar a vocês minha experiência no Pro Tour Ixalan, e de como é importante manter o foco mesmo nas piores situações.

Minha preparação para o Pro Tour veio desde o Nacional Brasileiro, jogando muitos drafts e Leagues Standard no Magic Online. Eu agendei minha passagem para quinta-feira dia 26 de outubro para aproveitar e jogar o GP Phoenix, nos formatos Selado/Draft, no qual eu abri 7-0, e perdi duas seguidas, fechando o day1 7-2. Meu day2 foi um fracasso total, mas no final acabei ganhando um Pro Point.
 
Na segunda, dia 30, eu embarquei rumo a Albuquerque onde me reuniria com meu time, La Perla Nera, composto por 5 italianos e eu, isso também foi uma coisa diferente para mim nesse Pro Tour, não teria nenhum outro brasileiro no time. Por uma série de fatores, dessa vez eu optei por treinar com meus amigos gringos, na verdade, eu estava com um pensamento no qual, eu sempre treinei com os meus amigos brasileiros e sempre fui mal nos Pro Tour, dessa vez vou tentar fazer algo diferente para que o resultado final seja diferente. E com todo respeito aos meu amigos e companheiros BR’s, treinar com eles sempre foi muito proveitoso, mas eu só estava buscando uma coisa nova, uma experiência no qual eu jamais havia vivido.

A semana que antecede um Pro Tour é sempre bem rodeada de expectativas, mas na verdade pra mim dessa vez nem foi tanta, pois eu já sabia com qual deck iria jogar, eu estava preparado para jogar com o meu 4c Energy sem Longtusk e sem Glorybringer, a ideia foi reforçada depois do Vitor Grassato ( vulgo Grilo) ganhar o PTQ no domingo do GP Phoenix usando minhas 75. O problema é que a minha lista foi divulgada, e muitas pessoas já a conheciam, porém, mesmo em críticas eu resolvi acreditar nas minhas convicções e já estava certo que iria com esse deck, só precisava ajustar o sideboard.
Meus próprios team mate não acreditavam muito que eu seria capaz de jogar o Pro Tour sem usar ao menos Longtusk, e por isso, nenhum deles ousou em seguir a minha dica. Com o deck do Standard já bem encaminhado, pude focar meus olhos para o draft que. em geral. é o ponto mais fraco da maioria dos brasileiros. Fizemos drafts irl, draftamos no MOL, discutimos picks e isso foi de grande valor para mim, basicamente eu me sentia preparado para enfrentar os melhores jogadores do mundo. Na quinta era dia de dar submit na lista, e debati muito com outros dois brasileiros, Rafael Zaghi e Otávio Beraldi, sobre o sideboard e as opções. No final essa foi a lista que registrei:
 
4C Energy Cubeless - Standard
2017-11-12

Jogador

Ruda

Visitas

3072

Código Fórum

[deck=730470]
 
Sobre o Deck:

Como eu já comentei no artigo passado, eu ainda não acho um crime tirar os Longtusk Cub, eu concordo com as pessoas que falam que ele rouba jogos, mas eu sabia que ia enfrentar muitos mirror match ups, e sinceramente não acho que ele seja a carta chave nessa partida, e que provavelmente eu sempre tiraria ele pós side. Tendo isso em vist,a continuei com meu plano de melhorar o g1 contra os mirror.
 
Sideboard:
 
Eu sei que muitos, ou quase todos, optaram por tirar a estratégia do Torrential Gearhulk do SB, mas eu acho que na minha versão ele ainda é um plano bem seguro, pois eu tenho mais spells do que criaturas, e meu plano contra controles também fica um pouco precário, pois não sou tão aggro como os decks com Longtusk Cub e Glorybringer.
 
Cartouche of Ambition é uma carta que eu acho chave contra Mono Red, apesar de que agora eles andam usando muito o Ferocidonte Enfurecido, mas eu não me importo, pois é apenas mais uma criatura que eu teria que matar.
 
Sobre o Torneio:
 
As 3 primeiras rodadas são draft, e no meu pod só havia um cara que eu conhecia, que era o Jason Chung, eu draftei um UG Merfolk e o deck era OK, achei que poderia fazer tranquilamente um 2-1 com o deck, porém, na primeira rodada, joguei justamente contra o Jason Chung e o deck dele estava bem melhor que o meu, e perdi rápido de 2-0. Nunca é bom começar um Pro Tour perdendo, mas tem hora que você tem que saber diferenciar as coisas, e ali eu soube que o deck dele estava melhor, e que eu fiquei longe de ganhar o round 1.

No round 2, o meu deck era superior ao do meu oponente, porém, foram dois jogos de muito azar, no qual no game 1 eu não saí do segundo terreno e no game 3 eu comprei por volta de 12 terrenos e aí não tive muito o que fazer.
 
E aí é que vem aquela sensação de ter viajado infinitas horas, treinado bastante e estar 0-2 no torneio mais importante do ano, liguei para minha esposa para me acalmar um pouco, e ela me disse que estava no começo do torneio ainda, que eu ainda poderia dar a volta por cima, e lá fui eu para o round 3, e finalmente meu deck rodou normal e eu ganhei.
 
1-2 no primeiro draft e agora era a hora do Standard
 
Quarto round, joguei contra um mirror, e era o que eu estava preparado não é mesmo? Pois é, mas nem sempre as coisas saem como planejado, um topdeck de um Confiscation Coup fez ele ganhar o game 1, e o game 3 eu demorei muito a sair da 3 land e ele me levou a 0 bem rápido.

1-3
 
Round 5, contra um grinder conhecido do Mol, o Baconator5000, ou Andrejs Prost, e ele estava de MonoBlack com alguns carrinhos, Bone Picker e usava até Bontu the Glorified, na real, o jogo não deveria ser ruim pra mim, mas esse foi, e além de ele ter vindo com mãos explosivas eu não consegui desenvolver o jogo como era previsto e então estava lá 1-4, jogando nas ultimas mesas e sem continue.

1-4
 
Aqui era tudo ou nada, ou eu teria que fazer uma rushada surreal para conseguir algo, ou era turistar no sábado. Sentei e coloquei a cabeça no lugar, não havia nada de errado eu tinha feito, meu deck do draft não era para fazer 1-2, e meu deck T2 ainda não tinha começado a jogar como deveria, então, eu pensei comigo: Ainda tem uma chance, uma oportunidade, e enquanto eu tiver essa chance, não vou desistir, vou jogar uma partida pós a outra, pois eu sabia, eu tinha certeza que se eu fizesse day2 seria outro torneio pra mim, seria mais uma oportunidade. E aí é que eu falo que eu saí do inferno, eu consegui uma runnada de 3 vitórias seguidas, ganhando de Mono Red Mirror e Sultai, nessa ordem, conseguindo passar para o Day 2 4-4, e mesmo sabendo que eu tinha que fazer 7-1 ou 8-0 para conseguir a vaga pra Bilbao, eu jamais deixei de acreditar, é claro que era muito, muito difícil, mas não impossível.

Day2:

Meu pod era o último, era o pod dos piores 4-4 e tinha apenas 7 jogadores, mas por incrível que pareça, tinham ótimos jogadores como, Sebastian Pozzo, Valentin Mackl, Corey Baumeister e Sung Wook Nam. Felizmente consegui fechar essa mesa de draft fazendo o 3-0 em cima do Corey, e aí é claro me deu mais aquela motivada, pois eu estava agora 7-4 e poderia continuar sonhando com a vaga para Bilbao e em fazer algum money.
 
Logo na primeira rodada do Standard do Day 2 eu me deparo com um mirror, que acabamos empatando, apesar de ele jogar um pouco lento, tem certas horas quando a mesa fica muito cheia e você normalmente demora a fazer algumas contas e tentar a melhor jogada, e com isso acabamos indo para o 5 turnos, e consequentemente, empatando. Não era o que eu mais esperava né, mas empatar ainda me manteria no sonho de conseguir a vaga pra Bilbao.
Nos próximos 3 rounds eu ganhei de um UB Control, um mirror, e do compatriota Willy Edel, que pilotava o GW Aggro. E ali estava eu, 10-4-1 e já lockado no dinheiro e tendo que ganhar a última rodada para ir para Bilbao, porém, nem tudo são flores, e joguei contra o Matt Ness no 16th round valendo além da vaga pra Bilbao um prêmio de 3 mil dólares e ela merece um a parte:

O jogo contra o Matt Ness foi um pouco estranho, game 1 eu resolvi uma Chandra, Torch of Defiance e tinha The Scarab God na mão, do outro lá ele tinha Virtuoso e 2 tokens, e com energia para fazer mais um, quando eu achei que ia ter tempo para voltar o Virtuoso que ele tinha no grave para então poder começar a fazer chump block ele me apresenta Harnessed Lightning no final do turno dele, eu procuro desesperadamente por um virtuoso, já que eu tenho muitas energias, e conseguiria tranquilamente segurar o jogo, já que o meu The Scarab God só iria voltar pra mim no final do meu turno, eis que ele faz uma jogada que me surpreende, eu com 11 de vida, ele resolve me atacar com os tokens e não bater na chandra, e ainda aproveita e faz uma Chandra, Torch of Defiance​. Na volta, façço o deus, mas, não tenho acesso à 9 manas, para no mesmo turno voltar a criatura que está no grave, e no turno dele, ele continua me batendo e ignorando minha Chandra, quando ele vai passar o turno e eu poderia pensar em virar o jogo, ele me mostra outro Harnessed Lightning fazendo com que eu demorasse mais dois 2 turnos para poder fazer meu Scarab novamente, e com isso eu compro um monte de nadas(vulgo terrenos) e perco o game 1.
 

No game 2 eu começo com um jogo normal, até que faço uma Bristling Hydra, porém, ele faz um Vizier e consegue blockea-la, logo depois ele resolve uma chandra e subindo pra add RR e faz Virtuoso, que eu mato, mas ele coloca alguns tokens. Fço Scarab God, que é “morto” por um Harnessed e ele sobre a chandra mais uma vez, eu tento achar ou um Virtuoso ou um Chandra’s Defeat, mas enquanto eu não acho, ele continua a ganhar card advantage com a Chandra, até que ela chega nos 7 marcadores e eu não tenho muito o que fazer a não ser ver ele fazer emblema e depois de 2 turnos, eu estendo a mão.

Acabei perdendo, ficando em 50th e ganhando mil dólares de premiação. Maaaaaas, tem o lado bom dessa história, com 31 pontos no Pro Tour eu ganhei 7 Pro Points, o que me coloca imediatamente no Pro Play Club Bronze, graças aos 2 PPoints do GP São Paulo e 1 PPoint do GP Phoenix, e agora eu tenho vaga pra todos os RPTQ dessa temporada e da próxima, além de bye 2 em todos os GP que disputar nesse período de tempo.

Poderia ter sido melhor? Poderia, mas eu fiquei muito feliz com o meu desempenho nesse Pro Tour, joguei o standard com um deck que eu realmente confiava, e se as coisas não deram certo, eu não tive culpa, foi a variância do jogo. No draft eu me sentia preparado como já disse, e fiz o meu melhor. E é isso que importa, em cada torneio de magic, em cada coisa na vida, fazer o seu melhor, e deixar o destino cuidar do resto.

Agradeço ao meu time, e também a todos que ficaram na torcida, que me mandaram mensagens e estão sempre me acompanhando. Agora vocês vão me ver muito no magic novamente. Um forte abraço a todos e nos vemos nos torneios.
 
 

Carlos Alexandre ( _Batutinha_)
Com o nick de "Batutinha", Carlos Alexandre se tornou um dos principais jogadores do Magic Online, sendo que em 2014 venceu o GP Trios, em São Paulo. Deu um tempo do grind, para viver de poker, mas em 2017 voltou a cena competitiva com um top8 no GP Porto Alegre.

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Comentários

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_Batutinha_ (17/11/2017 15:28:10)

teve sim man, ela é uma carta muito importante no mirror e contra tokens também

XCyrusX (16/11/2017 08:08:43)

Vlw pelo report mano, dúvida a vraska teve um papel importantes nas partidas q vc jogou?

KusanagiE (13/11/2017 23:37:51)

Cara, achei top esse seu feedback.

Comecei a jogar MTG recentemente e acabo ficando muito "afobado" quando não consigo fazer meu jogo por conta de mão e draws ruins.

É meio que um alívio ver que a galera Pró também passa por isso. :)

KusanagiE (13/11/2017 23:35:03)

Cara, achei top esse seu feedback.

Comecei a jogar MTG recentemente e acabo ficando muito "afobado" quando não consigo fazer meu jogo por conta de mão e draws ruins.

É meio que um alívio ver que a galera Pró também passa por isso. :)

ysoeiroBR (13/11/2017 18:10:25)

Report muito maneiro!

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