O Enigma Temur
04/11/2017 14:00 / 2,662 visualizações / 1 comentários
   
Todos sabem que o Temur Energy (e suas variações) é considerado por muitos como um dos melhores decks do ambiente. Porém, de um tempo para cá, muitas versões do deck estão surgindo, o que acaba botando a cabeça dos jogadores para funcionar. Afinal, o metagame está constantemente em evolução e, com isso, várias listas diferentes começar a surgir a cada semana. Vamos tentar desvendar algumas e “ver se o Barcelona é tudo isso”.
 
Para começar a discussão, primeiro precisamos partir do princípio de que energy é uma mecânica muito forte. Poder se utilizar de um recurso, que gere tanto card advantage em cima do oponente, sem usar mana ou outro tipo de custo adicional, é uma vantagem enorme que o deck acaba gerando para quem joga com ele. Porém, mesmo contendo cartas com um power level tão alto, o deck tem alguns problemas:
 
    - Flood: Pode parecer choro, mas é fato que o deck, mesmo usando uma quantidade relativamente baixa de terrenos, acaba perdendo o gás no late game, com a compra excessiva de terrenos e com Attune with Aether e Servant of the Conduit, o deck acaba tendo até 8 draw relativamente inúteis para o late game, onde os demais decks começam a operar melhor que ele. É um problema que a meu ver, não parece ter muita solução, pois são cartas que dificilmente devem estar fora das listas, afinal, ajudam o deck a operar melhor e curvar suas melhores cartas o mais cedo possível. Mesmo assim, são draws ruins que acabam prejudicando o embate do deck contra os outros do metagame no early/late game. Algumas listas estão tentando mitigar esse problema, utilizando cartas como Nissa, Steward of Elements, Lifecrafter's Bestiary e The Scarab God, que se aproveitam bem do flood.
 
 
    - Tokens: Nos últimos torneios, decks como Abzan/Esper Tokens vem mostrando resultados expressivos, o que é péssimo para o Temur, que tem matches um tanto quanto ruins contra essas estratégias, mas principalmente contra uma carta: Fumigate. Com um late game muito superior, a estratégia de formar um exército de fichas, controlando a mesa, inutilizando suas Bristling Hydra e com cartas como The Scarab God e Vraska, Relic Seeker como grandes kill conditions, esses decks acabam se sobressaindo a estratégia do Temur, que, enquanto vê seu oponente gerando várias fichas por turno, comprando cartas e limpando a mesa, corre o risco de se ver comprando Attune with Aether e Servant of the Conduit.
 
    - Controles: Os controles estão em alta, na forma de UB Control e UW Approach, e isso não é nada bom para o Temur. Principalmente contra UW, Fumigate é excelente contra esse deck. Outro ponto, sempre que seu oponente passa com 4 manas abertas, você se pergunta se não está prestes a levar um Settle the Wreckage ou então um Glimmer of Genius, caso não resolva arriscar. Pós side a vida do Temur melhora um pouco, principalmente se você dedicar alguns slots a mais para deixar mais do que 4 Negates, porém, mesmo assim, ainda é difícil.
 

Contra UB, o G1 pode até ser mais favorável para o Temur, pois cartas como Bristling Hydra, Whirler Virtuoso e Chandra, Torch of Defiance, podem ganhar a partida sozinhos se não forem respondidos a tempo. Porém, a estratégia do UB muda pós side, se tornando mais um UB midrange com Gonti, Senhor da Opulencia, Gifted Aetherborn e Noxious Gearhulk, combatendo os bichos quase que de igual para igual, pois o Temur fica mais suscetível a tirar remoções como Harnessed Lightning e Abrade. Fora isso, o deck ainda tem que lidar com as remoções e Bontu's Last Reckoning, que muitas vezes têm o mesmo efeito devastador do Fumigate do UW Approach.
 
    - Estratégia manjada: Por ser um dos principais decks do ambiente, os outros acabam se preparando para lidar melhor com as ameaças do Temur, e dedicar slots específicos para isso. Cito como exemplo Solemnity, que pós side consegue ser incrivelmente eficaz para combater a estratégia do deck. Sem as energias geradas, seus Longtusk Cub são eternos bichos 2/2, seu Aether Hub gera mana incolor, sua Bristling Hydra passa a não ser mais tão aterrorizante assim sem a possibilidade de ganhar hexproof e aumentar seu poder, seus Whirler Virtuoso não geram mais tópteros, etc. O deck vira quase um pré-montado ruim, com aquelas criaturas vanilla 2/2, 3/2, 2/3 que não fazem nada de muito útil. Ou mesmo o Ramunap Red, que passou a usar cartas muito eficientes no md contra o deck, como Rampaging Ferocidon e Harsh Mentor. Os dois, se não forem respondidos a tempo, são capazes de causar uma grande quantidade de dano, enquanto a Hazoret the Fervent só espera o momento certo para fechar o caixão.
 
Como vocês podem ver, a vida do jogador de Temur não anda nada fácil. Mas não significa que tudo está perdido, o deck continua sendo muito bom. Acredito que ele precise apenas de adaptar ao ambiente. Talvez a saída seja mudar um pouco a configuração do deck e a maneira como ele se comporta contra os outros decks. Um exemplo dessa mudança pode ser a lista que o Batutinha usou para ganhar o PPTQ do Nacional:
 
Longless 4C Energy v1.0 - Standard
2017-10-18

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[deck=708586]
 
 
Confesso que de cara, fiquei um pouco assustado em não ver o Longtusk Cub. Mas faz muito sentido. Ele é a carta mais fraca que você pode ter no mirror (tanto que muitos planos de side in e side out do deck envolvem em tirá-lo completamente no G2/G3), e como o próprio Batutinha disse: não é muito eficiente contra Ramunap Red e também não faz nada contra os chump blocks do Tokens, sendo apenas útil contra controles.
   
O plano de jogar mais como um “midrange control” me agrada bastante. Magma Spray e Essence Scatter são cartas muito bem posicionadas no metagame atual, assim como a Vraska, Relic Seeker, que ganha muito jogos sozinha. Mesmo assim, acredito que o deck não pode se dar ao luxo de ter draws ruins no late game, como Servant of the Conduit. Pensando nisso, acabei chegando na seguinte lista:
 
Temur Champion - Standard
2017-11-04

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Código Fórum

[deck=722800]
 
Os Champion of Wits caíram perfeitamente no deck, servindo como mais um mana sink para eventuais floods, alimentando o grave para os The Scarab God e jogando fora cartas que sejam inúteis contra determinados decks. Com a saída dos Servant of the Conduit, optei por também diminuir uma Chandra, que é melhor aproveitada podendo cair no terceiro turno, o que não ocorre nessa lista. Com menos energias produzidas pelas ausências dos Servos e dos Longtusk Cub, também optei por tirar uma cópia de Confiscation Coup e voltar com um Commit // Memory, que muitas vezes faz o mesmo papel e ainda serve como out para cartas como Fumigate, Cast Out e Approach of the Second Sun. E Glorybringer ainda é uma das principais criaturas do T2, sendo uma opção importante para atacar decks que infestam o chão, como Tokens e é muito bem aproveitado junto do The Scarab God.
 
 
A inclusão dos Champions deram uma dinâmica diferente para a lista e acabam fazendo com que o deck não perca o gás no late game, além de mitigar o problema de floodar demais. Porém, sem os drop 2, o deck acaba ficando um pouco mais lento e pesado. Decks como Ramunap Red podem se beneficiar de um começo mais lento, mas com cartas como Essence Scatter e as remoções, você tem a possibilidade de segurar o ímpeto inicial e desenvolver seu jogo a partir dos drop3.
 
A lista perde um pouco a sua agressividade com a ausência dos Longtusks, pois, mesmo com Fatal Push no ambiente, com ele você praticamente obriga seu oponente a tê-lo na mão nos primeiros turnos. Numa mão de Cub no turno 2, com seu oponente cheio de Essence Scatter e/ou Censor, você tem a opção de rushar e puni-los por keepar sem a remoção pro seu gato, enquanto continua fazendo outras ameaças e deixando-o se virar para lidar com elas. Sem eles, a match contra controles fica um pouco pior, porém isso pode ser arrumado com o side. Essa lista é mais preocupada em focar no mirror e em outros midranges como Sultai, que vem aparecendo bastante nos últimos dias.
 
Um outro jeito de atacar os midranges e ainda ter uma boa lista contra controles, pode ser o Temur Black Ramp que fez 5-0 numa liga do Magic Online na data de ontem:
 
Temur Black Ramp - Standard
2017-11-04

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[deck=722802]
   
Essa lista também abdica da agressividade com a retirada dos Cubs, mas também tira as Bristling Hydra e Glorybringer para colocar mais ameaças efetivas contra os controles, como Nicol Bolas, Farao-Deus, Vraska, Relic Seeker e mais Chandras, que além de ganharam o jogo sozinhas e de forma rápida, ignoram as cóleras que vem dos sideboards alheios.
 
Com apenas 10 criaturas e 7 planeswalkers, esse Temur mostra porque é um dos principais decks do ambiente, seja ele na sua forma pura ou com splash, pois basta uma pequena configuração na lista, adaptando-a de acordo com o metagame esperado, para quer você consiga focar no que interessa.
 
O Pro Tour começa hoje, será que o Temur continuará seu reinado? É esperar para ver! Até semana que vem!
 
 
 
 
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Lucas de Almeida Hervás ( Giggs)
Lucas de Almeida Hervás, mais conhecido como "Giggs", começou a jogar Magic em 2007 no final do bloco de Décima Edição. Participa regularmente de PPTQs na sua região e até beliscou um TOP4 no WMCQ São Paulo de 2013. Hoje faz parte do time de escritores da Ligamagic.

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Comentários

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XCyrusX (04/11/2017 23:05:28)

Muito legal a análise Lucas, VLW!!!

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