Escolhas e o Nacional 2017
20/10/2017 10:00 / 2,771 visualizações / 0 comentários
 
Olá! Esse último final de semana tivemos o Nacional 2017 de Magic aqui no Brasil, que consagrou uma seleção que entra como favoritíssima no Mundial: PV, Jabaiano e Bertu, todos ganhadores de Pro Tour e de nível Platinum no Pro Players Club. A divisão de formatos acaba reduzindo bastante a variância, já que exige múltiplas competências dos jogadores (experiência para o draft, conhecimento do formato, metagame do T2), e o que vimos foi um Top 8 recheado de figurinhas carimbadas do circuito como consequência desse fenômeno.
 
Já a minha participação no Nacional foi muito mais modesta, com um resultado de 4-2 no Standard e 3-3 no Draft para um agregado de 7-5 e um 94° lugar entre os quase 400 jogadores, a qual pretendo comentar para enxergar em quais aspectos minha preparação, julgamento e escolhas poderiam ter sido melhores durante o torneio.
 
Standard
 
Temur Scarab Nacional - Standard
2017-10-17

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sandoiche_13

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[deck=707537]
 
Minha escolha foi o 4C Energy ou Temur Scarab, sendo que até a véspera eu estava com grandes dúvidas entre utilizar The Scarab God com o splash ou só Temur puro. Com o Escaravelho, você tem que usar o Swamp, o que acaba piorando bastante sua base de mana. Em compensação, você ganha uma ameaça forte e "muleta" para escapar de situações impossíveis caso o oponente não consiga respondê-lo.
 
O que atrai para a versão Temur pura é a base de mana mais consistente, e a utilização de Essence Scatter como resposta para as threats difíceis de responder no ambiente (Torrential Gearhulk, The Scarab God, Bristling Hydra). Entretanto, algumas vezes o Essence Scatter vem depois que a ameaça já caiu na mesa, sendo uma carta que não é tão eficaz quando se está jogando de trás - cenário em que baralhos Midrange se colocam muitas vezes. Para compensar a ausência do Scarab, o Temur puro usa também Confiscation Coup​, geralmente no MD, que é um dos cards que não me impressionou muito durante os testes, especialmente quando você quer colocar mesa para pressionar o adversário, ou quando o oponente não tem alvos interessantes para roubar.
 
O que acabou pesando na minha decisão para usar preto foi esperar um metagame mais amplo, onde além dos principais Temur, Ramunap, UB e UW, baralhos como Tokens, BR, Mardu, Sultai, God-Pharaoh's Gift e afins fossem opções presentes, e sem saber bem o que pode vir pelo caminho, leva vantagem quem tem a ameaça que ganha o jogo sozinha se não respondida.
 
A base do deck é a mesma tanto nos 4C quanto nos Temur puros, portanto pretendo comentar basicamente as diferenças na minha lista:

4 Bristling Hydra: Apesar de serem o tipo de carta que acabam não sendo tão fortes em múltiplos, as Hydras acabam sendo importantíssimas em qualquer matchup que não ponha muitos chump-blocks (leia-se Tokens/GPG), estabilizando com um bloqueador grande que não pode ser removido, para na hora de "virar a chavinha" clockar rápido e igualmente sem oposição exceto por bloqueadores grandes;
 
4 Whirler Virtuoso: Uma das cartas "cortáveis" que acaba não sendo boa em múltiplos, 4 Virtuosos acabaram sendo uma concessão minha à força do Ramunap Red, especialmente pelo fato de que eu joguei com uma remoção a menos do que a "média" das listas de Temur. É aquela coisa: a partida é mais favorável para o Temur, mas quanto mais cartas que fazem a partida boa são cortadas em prol de slots para melhorar em outras frentes, a partida inicialmente favorável vai ficando menos favorável;
 
2 Abrade, 1 Magma Spray: Geralmente aqui temos, além dos 4 Raio Domesticado, até 5 cópias entre Abrade, Magma Spray e Essence Scatter. Eu optei por jogar apenas com 3, já que queria reduzir o número de cartas mortas no G1 contra UW e UB;
 
2 Chandra, Torch of Defiance: Meio que "compensando" a menor quantidade de remoções, aqui aumentei a quantidade de Planeswalkers já que essa é a carta que ganha sozinha de Controls, e até de outros Midranges quando a mesa "trava". Com 2 delas MD, esperava conseguir roubar alguns jogos de UW e UB encaixando na hora certa;
 
3 Glorybringer, 2 The Scarab God: Esperando enfrentar uma boa quantidade de Mirrors e Midranges, optei por uma bomba de custo 5 a mais, mesmo jogando com 4 Hydra e 2 Chandra. O terceiro Glorybringer foi um respeito à possibilidade de enfrentar Sultai, já que o Dragão é a melhor carta para a match.
 
Quanto ao Sideboard, 4 Negate entram como o melhor hard counter para lidar com Fumigate, Approach of the Second Sun, Vraska's Contempt e Anointed Procession, além de anular Fatal Push, Hidden Stockpile e Search for Azcanta independemente de manas abertas do oponente (onde Spell Pierce​, às vezes, falha na missão). Supreme Will foi a escolha para anular não apenas essas mágicas, mas também Torrential Gearhulk e The Scarab God.
 
 
Appetite for the Unnatural é uma concessão à Search for Azcanta, Cast Out e Tokens. Vraska, Relic Seeker entra nas mesmas partidas, com a vantagem de ser um Planeswalker a mais contra Control e Mirror. O Carnage Tyrant solitário é mirando especificamente U/B Control. Esperando uma alta quantidade de Ramunap Red, mantive 2 Cartouche of Ambition, especialmente utilizando o playset cheio de Bristling Hydra.
 
Deathgorge Scavenger, embora interessante para racear o Ramunap exilando Khenras, é uma criatura frágil contra Ramunap e longe de ser um auto-win como Cartouche encantado na Hydra. Onde ele brilha mais é contra GPG e como uma threat versátil contra outros decks de escaravelho, mas como dediquei outros slots de sideboard para esses decks (caso de Struggle // Survive), ele acabou sendo cortado para conseguir chegar em 15.
 
No Nacional, minhas partidas foram vitórias contra Temur Energy (3 cores), UB Tezzerator, UB Control e Mardu Veículos, com derrotas para UW Approach e Esper Approach. Nas primeiras partidas, ter montado o MD e o SB de forma mais abrangente, e com The Scarab God, fez total diferença, já que ele foi o responsável direto por vitórias contra a pseudo-mirror e o UB Tezzerator, além de quase ter conseguido roubar um game que comecei muito atrás contra o Mardu.
 
UB Control foi a partida que eu mais me preparei contra, já que era o "deck novo pós-Mundial", enquanto que Temur puro e Ramunap Red eram partidas que eu já tinha bastante prática pelo quanto os enfrentei no Magic Online. As 4 Hydras foram importantes para levar as partidas especialmente contra UB Tezzerator e Mardu, onde bateram forte e escapando de remoções 1x1, e de maneira geral a qualidade individual forte das cartas de energia aliadas às remoções para quebrar o jogo dos oponentes funcionou bem nas quatro partidas em que venci.
 
O que acabou não dando certo foi o plano contra Approach. Contra o UW sequer tive chances no G1, e no G2 no turno do Torrential Gearhulk eu já estava praticamente controlado, já que abri um draw de muitos bichos, sem PWs e com poucas interações com as remoções dele. Contra o Esper, novamente o G1 flui como tem de fluir, com ele estabilizando e chegando rápido no Approach sem eu fazer muito. No G2 consigo clockar com o Filhote + anulações, e quando o G3 caminhava para o mesmo, ele consegue encaixar um The Scarab God​, eu com a guarda baixa, que leva a partida sozinho - embora eu suspeitasse que ele tivesse, eu não tinha certeza portanto acabei não subindo resposta pra carta.
 
Mesmo tendo diminuído a quantidade de remoções baratas e aumentado em bichões/PWs para melhorar a partida contra Controles, o "saldo" ficou em 1-2 no Nacional; possivelmente caso tivesse optado por mais counters (como Spell Pierce ou Jace's Defeat), ou mesmo Nissa, Vital Force como PW mais agressiva eu poderia ter tido melhor sorte contra os Approach, onde counters funcionam melhor do que Carnage Tyrant e até mesmo PW dependendo do timing para lidar com as mágicas-chave.
 
No mais, especialmente para enfrentar as mirrors de Midrange e os decks "X", a versão com escaravelho me foi satisfatória, e pretendo tomá-la como ponto de partida para a temporada de PPTQs e classificatórios do CLM 10 (onde consegui um 4-0 na Etapa 1 da House of Cards com uma lista muito parecida com a que usei no Nacional).

Drafts de Ixalan
 
No primeiro dia, terminei as quatro rodadas de T2 3-1, com a certeza de que realizando um bom draft seria capaz de fechar a mesa e passar para o segundo dia em plenas condições de fazer um resultado legal. Meu primeiro pick foi um Imperial Aerosaur, que segui com Pious Interdiction, Territorial Hammerskull, Vampire's Zeal e Inspiring Cleric. Sem ter muita certeza de qual a outra cor que estava aberta para mim, acabei pickando praticamente só cartas brancas, com um Vanquish the Weak e Skymarch Bloodletter de picks médios.
 

No segundo booster, pickei um Settle the Wreckage em um booster razoavelmente forte de opções. Porém, meus picks seguintes "secaram", e nesse booster acabei pickando Deadeye Plunderers (que não usei), Adanto Vanguard, Lurking Chupacabra e alguns bichos com Explore mais pesados (Sunrise Seeker e Queen's Agent) visando a possibilidade de partir para esse arquétipo, ou para o Vampiros. Termino o segundo pack meio preocupado com o rumo que meu deck irá tomar.
 
No terceiro pack, começo com uma decisão bastante difícil, entre um Huatli, Warrior Poet ou um Territorial Hammerskull. Em um BW agressivo ou vampiros, o Hammerskull seria a escolha fácil, enquanto a Huatli entraria melhor em um BW com splash mais lento, com alguns mana fixers, como Dire Fleet Hoardere Unknown Shores, com sorte até fazendo o "splash duplo" para o Deadeye Plunderers dependendo da quantidade de geradores de tesouros. Opto pela Huatli, já que com poucos payoffs de Vampiros dificilmente meu deck conseguiria ir para essa rota.
 
 
Porém, as coisas acabam não indo tão bem já que me vejo sem muitas opções de picks nessa linha, e termino pegando mais cópias de Inspiring Cleric, um segundo Adanto Vanguard, Deathless Ancient, Anointed Deacon e Bishop of the Bloodstained  (esse bem late pick). Dessa forma, termino meu deck como um "tribal Vampiros", mas que sofreu da ausência de mais cartas da temática - geradores de ficha como Queen's Commission  e Call to the Feast; criaturas "operárias", especialmente Bishop's Soldier ; e mais cards de payoff da tribo, como cópias adicionais de Anointed Deacon ou  Vampire's Zeal. Mais tricks de combate também seriam bem-vindos, em especial Skulduggery e Rallying Roar.

BW Draft 1 Nacional - Booster Draft
2017-10-16

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Fiquei bem insatisfeito com o deck, tendo em vista que todos os BW Vampiros que montei em outros drafts ficaram claramente superiores. Para "compensar" a falta da sinergia da tribo, o plano foi apostar na evasão de Shining Aerosaur e draws curvados de Adanto Vanguard. Mesmo assim, minha esperança era arrancar um 2-1 na mesa para não chegar no dia seguinte praticamente "morto".
 
Mas, como esperado, o deck sofreu bastante em não conseguir ter sinergia suficiente, e sem os payoffs tribais fluindo e os lifelinkers para segurar o chão e garantir a race, cards como Skyblade of the Legion e Inspiring Cleric eram unpowered frente à curva dos outros decks. Nesse draft, eu perdi para UR Piratas, UB Piratas, e por muito pouco não perco para um Naya Dinossauros no confronto dos 0-2 na mesa.
 
Confesso que depois de treinar bastante draft e ter confiança na minha preparação, um 1-2 suado com um deck mediano para fraco não era onde eu queria estar. Entretanto, passando 4-3 para o segundo dia, haviam chances de premiar caso terminasse com um resultado forte nas 5 rodadas restantes, e eu ainda tinha bastante confiança tanto em fazer um bom draft, como na minha escolha para o Standard.
 
Meu segundo draft começou com um pick fácil em um Ripjaw Raptor, em um booster sem nenhuma outra carta à altura. No segundo pick tenho remoções em outras cores e Drover of the Mighty, o qual opto para manter-me na cor em uma incomum também forte. O terceiro pick foi similar, onde optei por um Grazing Whiptail para manter-me na cor. Fui pickando mais algumas cartas verdes, como Wildgrowth Walker e Deeproot Warrior, bem como algumas cartas fortes de outras cores que estavam dando sopa em picks médios /tardes como Storm Fleet Spy, Air Elemental, Rallying Roar e Dire Fleet Hoarder. Meu segundo booster começa pegando Merfolk Branchwalker, Raging Swordtooth, Siren Lookout e Blossom Dryad, e começo a pensar em um UG "Explore/Good Stuff" ou mesmo um 4/5 colors-green, usando bombas como Air Elemental e Raging Swordtooth e eventuais remoções que eu pegue no restante do draft. Porém, ao final do segundo booster vejo um River Heralds' Boon  tardio, que picko para "ver no que dá". Termino esse booster com alguns Perilous Voyage e praticamente definido em azul.
 

Começo meu terceiro booster com Tishana's Wayfinder, outro River Heralds' Boon, e a partir daí pego uns 6 merfolks seguidos - Shaper Apprentice, Tempest Caller, Wind Strider, Storm Sculptor e Watertrap Weaver x2. Com 11 tritões, consigo aproveitar de forma satisfatória meu payoff em River Heralds' Boon, ao mesmo tempo em que as demais criaturas do deck têm um power level mais alto.
 
UG Draft 2 Nacional - Booster Draft
2017-10-16

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[deck=706699]
 
O deck executa bem o plano aggro-tempo, e consigo vitórias com boa margem contra B/R Piratas e B/W Vampiros. A final da mesa é contra G/W Aggro, onde ziquei a cor azul por muitos turnos seguidos no G1, e um Kinjalli's Sunwing impediu quaisquer chances minhas de entrar no jogo quando a achei, e o mesmo Sunwing travou meu jogo no G3 novamente me fazendo ser rushado antes das minhas criaturas mais poderosas começarem a dominar a mesa - morri no turno em que desvirei com Air Elemental para bloquear, graças ao buff do Wildgrowth Walker com uma criatura Explore passando letal na conta quando minha mesa começava a ficar melhor.
 
Tendo visto e jogado contra alguns dos outros decks, o 2-1 nesse draft fica com um gosto amargo, com a sensação de que eu tinha o melhor deck do pod, mas ainda assim não consegui fazer o 3-0 com ele. Vale lembrar que, apesar de sólido, o deck era longe de ser perfeito, já que alguns payoffs de Merfolks a mais (como River Sneak e Vineshaper Mystic) fariam total diferença, bem como alguma remoção (Pounce ou Savage Stomp) para lidar de forma definitiva com o Kinjalli's Sunwing do meu oponente da final que levou o G1 e G3 praticamente sozinho contra uma estratégia que precisa o tempo inteiro entrar no combate e racear. Isso sem entrar também no mérito dos One with the Wind, que tornam o plano de clockar rápido e bounçar/tapar ainda mais letal.
 
 
Entro nas rodadas do Standard 6-4, onde acabo ganhando a penúltima e perdendo a última rodada para terminar 7-5 em 94° lugar. Apesar de ter feito o meu melhor para me preparar para o Nacional, jogando drafts e Standard, tanto no Magic Online, como na loja, erros de julgamento, principalmente no primeiro draft, acabaram "matando" meu torneio. Talvez fosse o caso de pular para outra cor ao invés do preto, ou mesmo mantido em um deck menos focado nas sinergias de tribo e mais "good stuff" pudesse ter me dado um destino melhor.
 
Já no Standard, embora o plano de Planeswalkers e Carnage Tyrant pudesse ser mais incisivo e atacar o U/B Control por ângulos a mais (que era um deck que eu esperava bem mais do que o Approach), ele acabou não se provando tão forte contra os dois UWx Approach que foram minhas derrotas no T2. Aqui, mais cópias de counters era um plano que já funcionava bem para mim no Magic Online, e que requeririam no mínimo mais uns dois slots para ser consistente o bastante.
 
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De qualquer maneira, um resultado que não sai como o esperado deve ser levado principalmente como lição, ainda mais com a temporada de PPTQs fresquinha batendo à porta, além dos torneios CLM e do Magic Online, e é nisso que pretendo me apoiar para seguir no grind rumo às vagas no RPTQ, Final do CLM 10 e nos playoffs do MOCS.
 
E quanto a vocês, leitores, como foram no Nacional? O que esperam daqui para a frente no Standard? E de qual forma pretendem ir se preparando para a temporada? Deixem suas respostas nos comentários!
 
Abraços e até a próxima!
 
 

Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Está constantemente grindando torneios na Grande São Paulo e em Santos, onde é parte do Team House of Cards TCG. Como grande entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015.
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