Máscaras de Mercádia – Parte IX
10/09/2017 10:00 / 1,744 visualizações / 10 comentários
 
Máscaras de Mercadia – Parte IX
 
O Retorno de Cho-Manno
 

Orim estava depressiva.
 
Naquela prisão improvisada, havia nada para se fazer a não ser esperar o tempo passar. Foi com muito sacrifício que Sisay conseguira uma entrevista com
Orim. Mas até isso não foi de grande ajuda. A curandeira repetiu, outra vez, a sua versão dos fatos. Mas era pouco provável que uma forasteira conseguisse incriminar um oficial Saprazziano. Uma coisa era certa, ambas sabiam que os Mercadianos estavam em conluio de toda essa bagunça porque assim que Orim foi presa, os embaixadores partiram pela noite.
 
Não havia possibilidade de eles terem partido sem ajuda interna. E até onde se podia ver, o plano estava indo bem, pois a Matriz de Energia se fora e elas estavam presa em Saprazzo até que tudo isso fosse resolvido. O que levaria, no mínimo duas semanas, que era o tempo da audiência de Orim.
Os planos do Mestre Volrath estavam indo bem...

Sisay tentou se encontrar com a Vizir outra vez, porém, o Comandante Oustrathmer se opôs veemente contra ela. Quando ela tentou se aproximar da câmara da Vizir, seus guardas a barraram. Ele já estava despachando-a quando, subitamente, a Vizir saiu do recinto desejando saber do que tudo aquilo se tratava. Naturalmente que o Comandante Saprazziano argumentou contra Sisay, mas a dócil Vizir deu a ordem para que a deixassem entrar. Sisay percebeu que o rosto do Comandante empalidecera.

A Vizir estava resoluta em sua decisão e Sisay sabia disso. Orim não seria solta e precisaria passar pelo julgamento. Ela repassou a versão de Orim e tentou demonstrar alguma lógica em sua argumentação. Se Orim tivesse roubado a Matriz ela o faria para trazer Ramos de volta – e seria bem provável que também partiria com a Matriz ao invés de ficar – mas quem roubou a Matriz o fez porque não deseja ver o retorno de Ramos. Se a história dela fosse verdade, então os inimigos da Vizir estão em posse do Bons Ventos e da Matriz, tudo o que ele precisavam agora era os Ossos de Ramos.

Enquanto toda a trama estava sendo investigada, Orim passava seus dias em uma rotina confortável para uma prisioneira. Após o café da manhã, ela podia andar livremente por Saprazzo, mas sempre estava acompanhada por um guarda. Ela podia conversar com quem ela quisesse, até mesmo Hanna e Sisay. Ao contrário dos tritões de Dominaria, os saprazzianos eram bastante amigáveis com seus prisioneiros e diversas vezes ela fora convidada para jantar com a Vizir, que sempre lhe perguntava sobre suas viagens e Dominaria.

Mas a maioria das vezes, ela preferia a solidão do pátio para meditar. A dor da perda de Cho-Manno ainda era latente, porém não mais tomava conta dela. Agora, estava sempre com ela como se fosse uma dor muda. Ela se pôs a meditar e a voz de Cho-Manno retornara a ela.
 
“Viver é crescer. Nós vivemos porque crescemos. Até a morte é um tipo de crescimento. Crescimento é mais do que uma mera mudança. Crescer é se tornar um com as coisas ao redor de você. Toda existência – o céu, a terra, a água – se esforçam para se tornar um. Todas as coisas anseiam unir-se umas às outras. Assim, crescer é progredir para um estado de unificação, de unidade. “(Máscaras de Mercádia, p. 211)
 
Enquanto ela estava em transe ela ouviu passos, na verdade ela sentiu mais do que ouviu. Sua concentração fora quebrada e ela se ergueu para repreender quem estava vindo. O silêncio a envolveu e o mundo fugiu porque tudo o que ela sabia estava concentrado no rosto diante dela.
 
 
O líder revolucionário estava lá, em frente dela exatamente como da última vez que ela o vira. As roupas, as moedas no cabelo a sobrancelha arqueada. Ela pensou que aquilo podia ser algum efeito do sol, então ela passou a mão, encobriu a luz e, quando voltou a olhar... ele ainda estava lá.

Ela correu para seus braços quentes e pôde ouvir a voz dele falando como costumava “Orim, Chavala.”
 
Ele a pressionou contra seu peito e a beijou lentamente, mas de repente, ela se soltou de seus braços, se recusando a acreditar naquilo. A dor de um mês atrás retornou a sua alma. Ele estendeu o braço para ela. Cho-Manno disse que ele não estava morto, afinal como ele podia estar morto quando estava ali, tocando-a. Era ela quem estava morta e agora estava viva. Mas as provas eram incontestáveis. Todos viram o líder revolucionário morrer, ou pensaram que ele havia morrido. E para provar que ele estava vivo, ela a puxou outra vez para perto dele e houve outro beijo.

Dessa vez, não houve resistência. Então ele começou a explicar o que acontecera na noite do ataque mercadiano. De fato, ele beirou a morte e estava gravemente ferido, mas os Cho-Arrim são mais resistentes do que se imagina. Aqueles que sobreviveram fugiram para o lago do Umbigo do Mundo e se aventuraram nas Águas Internas. Esse lugar assustava até os Cho-Arrim quanto mais os mercadianos. Cho-Manno não queria falar da experiência de andar naquelas águas. Era um lugar de podridão e apodrecimento e alguns morreram lá, entre eles, Ta-Karnst, curandeiro Cho-Arrim.

Aqueles que sobreviveram caminharam, por dias, onde Rushwood acaba e o Mar Sem Fim começa.
 
O Mar Sem Fim é o Mar Exterior e foi assim que Cho-Manno conseguiu chegar a Saprazzo porque as águas o levaram, porém, essas águas não eram tão amigáveis com eles. No caminho, eles encontraram com um Ramosiano que os alertou sobre a ida de Orim para Saprazzo e de que a Matriz seria roubada.
Apenas lembrando que, Ramosianos fazem parte de uma sociedade secreta que lutam contra o poder de Mercádia, ou como Cho-Manno disse “khovoshtvo”, palavra goblin para definir o inimigo.
 

Cho-Manno imaginou que, se Orim estava indo para Saprazzo, era porque estava atrás da Mente do Unificador. Realmente, ele estava em carne e osso em frente da curandeira – por um momento eu achei que fosse alguma magia das Águas Internas – mas ele estava na cidade já fazia um dia. Uma vez houve aliança entre Cho-Arrim e Saprazzo, talvez fosse a hora de se avivar tal lembrança,

Todos estavam reunidos na câmara da Vizir.
 
Orim, Cho-Manno, Sisay, Hanna e alguns oficiais Saprazzianos e conselheiros. Junto da comitiva estava Lahaime, um homem magro e negro com uma cicatriz que ia da sobrancelha até o queixo, o Ramosiano que forneceu a informação.
 
A Vizir começou a reunião se direcionando a Orim. Segundo Cho-Manno, ela era inocente, mas para averiguar isso a Vizir desejava que ela realizasse a prática do “Truth-speaking” – não achei uma tradução boa para isso.

Orim hesitou diante da situação. Até ela aonde ela sabia, isso era uma prática usada somente em casos de crimes extremos. Era uma espécie de “fusão de mentes” para se descobrir se a verdade estava sendo dita.
 
O líder Cho-Arrim se aproximou de ela, mas não a tocou, ao invés disso ele começou um longo e calmo canto com os olhos fechados. Ela sentiu o canto penetrar em sua mente, mas ao contrário das outras vezes que isso ocorrera, dessa vez parecia mais como uma ação para invadir sua mente.

A presença de Cho-Manno se infundiu com a dela. Ela conseguia ver toda a vida dele. Não somente eventos, mas emoções. Ela viu sua família, mãe, pai, irmão e irmãs. Ela sentiu a dor quando ele perdeu a irmã em Rushwood, os pais e quando o tempo veio e ele se tornou líder.
 
Quando ela acordou do ritual, lágrimas caiam sobre suas bochechas. A Vizir esta olhando para ela com grande compaixão, pois a inocência fora provada. Cho-Manno confirmou a veracidade delas e pôde ver a cena de quando ela viu a conspiração. Educadamente, a Vizir se desculpou por todo o mal que ela sofrera em suas mãos, deu ordens a um guarda para ficarem observando o Comandante. Oustrathmer não deveria saber que eles estavam cientes de sua culpa.

Todavia, ao invés de mandá-lo para a prisão, a Vizir pretendia se aproveitar dessa vantagem. Ela já imaginava que o Comandante devia ter informado sobre os Cho-Arrim e os Ramosianos em ajudar Saprazzo e ela usaria seus espiões para espalhar informações errôneas.
 

Todos estavam reunidos diante do poço. Um grupo de soldados adentrou com um homem acorrentado e com hematomas no rosto – Lahaime – e o levaram para a borda do local de onde ele seria arremessado com pedras presas nos pés.

A Vizir se ergueu para falar a multidão. Todos agora saberiam o motivo daquela sentença. Lahaime fora acusado de ter roubado a Matriz de Energia e ter assassinado um Saprazziano. Não somente isso, mas o Ramosiano havia arquitetado um plano para destituir o poderio de Mercádia e derubá-la. Os Saprazzianos não admitiriam tal ultraje com seus aliados e se colocariam a favor do povo de Mercádia.

Quando ela deu a ordem, os soldados o arremessaram nas águas profundas. Lahaime, líder Ramosiano, estava morto.
 
Bem, era isso que a Vizir queria que o Comandante pensasse.
 
Orim estava insegura sobre se tudo daria certo. Mas a Vizir a acalmou dizendo que havia tritões esperando lá embaixo e que nada de mal aconteceria com ele. Comandante Oustrathmer ficaria, a princípio, sem entender o que havia acontecido, mas ele logo mandaria notícias para Mercádia dizendo que Saprazzo estava do lado de Mercádia e que eles mataram, erroneamente, o líder Ramosiano.

A notícia seria de extrema satisfação quando chegasse aos ouvidos Mercadianos. Não somente eles teriam conseguido o artefato, mas achariam que Saprazzo era um aliado. Agora, a Vizir e Lahaime, poderiam trabalhar livremente sem chamar atenção dos olhos de Mercádia.

Naquela noite, quatro figuras encapuzadas partiram em direção as docas, a procura do navio que os levariam de volta a Mercádia. Uma mulher de pele negra se achegou ao capitão e mostrou os papéis, garantido que suas passagens haviam sido pagas. O capitão os aceitou, mas disse que eles não teriam quartos e que deveriam ficar no convés inferior.

Uma mulher loura se revoltou com a notícia alegando que os papéis garantiam isso. Na verdade, eles apenas davam passagem até Mercádia, nada falava em relação à volta. Então, um Cho-Arrim de pele tatuada, mandou o capitão olhar nos olhos dele.

Ele entoou um canto e, subitamente, o capitão estava meio desorientado. O Cho-Arrim perguntou outra vez onde seriam as acomodações e, para a surpresa dos demais, ele ofereceu seus aposentos para todos. Sem saber como ou porquê ele estava falando aqui.

As quatro figuras encapuzadas caminharam normalmente até a sala do capitão.
 
Enquanto isso, em Mercádia...
 
Em cima do motor do Bons Ventos estava a Matriz de Energia. Ambos os artefatos haviam sido polidos e reluziam magnificamente. Eles eram uma peça só, formados um para o outro, mas algo estava errado.

Onde estava a energia?
 
Estava devia ser a Matriz de Energia, o único detalhe era que não havia energia.
 
A atual líder dos artífices – o antigo havia sido jogado do convés, após Volrath não ter ficado satisfeito com seu trabalho – ergueu sua lâmpada para ver melhor a situação. O Evincar estava impaciente e furioso. A líder pediu para falar, sabendo que morreria de qualquer forma, e percebeu o que estava de errado.
 
Havia cinco cristais faltando, cinco grandes e irregulares cristais. Os conduítes estavam conectados a esses cristais e somente assim a Matriz voltaria a funcionar, porém não eram cristais comuns, mas esses eram irregulares. Uma vez que eles estivessem no lugar a Matriz voltaria a funcionar e...
Infelizmente, ela não pôde terminar sua explicação.
 
Era difícil falar quando um cutelo esta fincado em seu pulmão. O golpe não veio de Volrath, mas sim de seu assistente – agora seria atual artífice líder.
A última ordem do Evincar foi para que deixasse o lugar impecável, limpo de todo aquele sangue, para quando ele voltasse com esses cristais tudo estivesse perfeito para sua ascensão.
 
 

Leandro "Arconte" Dantes (VIP STAFF Arconte)
Leandro conheceu o Magic em 1998 e, desde então, se apaixonou pelo Lore do jogo. Após retornar a jogar em 2008, se interessou por lendas, o que resultou por despertar a paixão pela escrita. Sempre foi mais colecionador do que jogador e sua graduação em Pedagogia pela Ufscar cooperou para que ele aprimorasse e desenvolvesse um estilo próprio. Autor de alguns contos, todos relacionados ao Magic, já traduziu o livro de Invasão e criou sua própria saga com seu personagem, conhecido como Arconte.
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Comentários

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VIP STAFF Arconte (14/09/2017 13:31:17)

So clicar la em cima Mais Artigos que voce encontra todos os que ja fix.

tucatucz (14/09/2017 08:33:16)

Cara! Parabéns pelo texto! Você teria o link da sessão daqui da liga onde ficam os lores? Nunca consegui achar. Abraço!

tucatucz (14/09/2017 08:31:15)

Cara! Parabéns pelo texto! Você teria o link da sessão daqui da liga onde ficam os lores? Nunca consegui achar. Abraço!

VIP STAFF Arconte (13/09/2017 11:59:48)

Eu tenho meus arquivos em Word, mas, agora que você sugeriu, vou providenciar isso.

STANDARD Hookton (13/09/2017 09:16:58)

Pergunta boba. Vc n teria uma copilaçao desses artigos em um DOC ou PDF nao ? ja com as imagens das caras e artes dentro ? gostaria muito de poder deixar aqui na loja impresso para a galera poder ler e talz

VIP STAFF Arconte (12/09/2017 19:02:19)

Logo estaremos terminando Mercadia... Entāo nao desanimem rsrs

aziszoo (12/09/2017 12:57:22)

Que não pare em Mercádia! Por favor!

VIP STAFF Arconte (12/09/2017 12:20:28)

Logo estaremos terminando Mercadia... Entāo nao desanimem rsrs

FelipeBentoPereira (11/09/2017 16:48:56)

estava ansioso por mais este capitulo...

aziszoo (10/09/2017 14:40:23)

Muito bom! Aguardamos as cenas dos próximos capítulos.