Sideboard Series: O Todo acima da parte
17/03/2017 10:00 / 2,983 visualizações / 9 comentários

 

No Magic existem uma série de recursos in game: Tempo, vida, draws, etc. E a grande maioria dos jogadores sabe o que está acontecendo por prática de jogo. Um jogador mediano sabe como cartas como Thoughtseize, fetches, Bitterblossom são trocas boas pelos seus pontos de vida por ver seu efeito in game, e sentir na pele os resultados daquilo.

 

Existe porém, um recurso diferente de todos os outros, que em geral é muito subutilizado e negligenciado pelos jogadores. Esse recurso é o sideboard.

 

Eu venho fazendo uma série de artigos na Liga falando sobre as estratégias de sideboard (que vocês podem achar no link de artigos relacionados). Hoje não quero discutir nenhuma estratégia nova, mas sim a alocação do sideboard perante o seu deck. 

 

O sideboard é um conceito mal-entendido no magic, muitas vezes até mesmo profissionais erram se não treinaram o suficiente ou fizeram uma leitura incorreta do metagame. Entre os jogadores padrão, como eu, é comum cair na armadilha de encher seu sideboard de cartas mega-poderosas contra determinados matches: Rest in Peace, Stony Silence, Nihil Spellbomb, Blood Moon, Fulminator Mage, sem mesmo pensar se é algo que ele precisa ou se aquilo tem sinergia com o próprio baralho.

 

Não é duvida que todas cartas mencionadas são ótimas cartas de sideboard e relativamente bem utilizadas, porém, ocorrem alguns erros entre partidas. 

 

Vou citar aqui alguns exemplos que vi tanto em torneios grandes (GP's), quanto em torneios semanais de loja.

 

- Jogador de Junk Midrange baixando um Rest in Peace contra um Jeskai control (antes de existir Nahiri, the Harbinger) para que o Snapcaster Mage perdesse o efeito. Só no meio da partida que ele notou que seu Tarmogoyf e Lingering Souls foram muito prejudicados (duas cartas muito importantes na match).

 

- Jogador de Burn sobe Blood Moon contra tron. Joga o encantamento no 3, e fica sem mana branca para conurar seus 2 Boros Charm e 1 Lightning Helix na mão. O jogador de tron chega ao sexto land, faz Wurmcoil Engine e vence a partida a partir daí. (O jogador de Burn, não tinha basicas além de montanhas no deck).

 

-Jogador de Eldrazi Taxes sobe Stony Silence contra o affinity. Faz turno 1 AEther Vial, turno 2 Stony Silence. Não compra mais terrenos e fica impossibilitado de usar o próprio AEther Vial

 

 

-Jogador de Jeskai Nahiri sobe Grafdigger's Cage contra o deck Living End. Trava seus próprios Snapcaster Mage e Nahiri, the Harbinger, mas não para o Living End.

 

-Jogador de Burn da sideout em Lightning Helix, mas deixa no deck 4 Searing Blaze contra um Jeskai Nahiri, que tinha como criaturas: 3 Snapcaster Mage e 1 Emrakul, the Aeons Torn.


Tanto o despreparo contra as matchs quanto o desconhecimento de sinergias com o próprio baralho são coisas importantes. Muitos jogadores se acostumaram a fazer o famoso Ctrl-c Ctrl-v de listas da internet sem nem pensar em alguns quesitos importantes como: Qual é o metagame que vou enfrentar? Será o mesmo do cara que usou essa lista? Esse sideboard, eu subo contra o que?


Essas são questões que permeiam em muito o jogador comum e que muitas vezes implicam a derrota em campeonatos maiores, mesmo tendo nas mãos uma lista vencedora.


O famoso side-in side-out, muitas vezes negligenciado, é uma coisa indispensável caso esteja copiando uma lista. De que adianta ter um poder de fogo enorme no sideboard mas não saber utilizaá-lo da maneira correta? E saber as cartas ruins de cada match? De que adianta você querer colocar 8 cartas do seu sideboard no deck enquanto só consegue encontrar 5 que são ruins na match? 

 

Isso vem do conhecimento do formato, seu deck e seu sideboard. Os exemplos que eu dei foram casos bem exagerados, e até cômicos, que testemunhei, porém, se simplificarmos para um problema mais mundano e básico:

 

 Você está jogando de Junk midrange em um ambiente que possui muitos affinitys e, por isso, decidiu usar uma "remoção global" (em cima do Affinity) de custo 2 na forma de -1/-1. Você tem três opções razoáveis:

 

 

 

Cada uma com suas vantagens e desvantagens. A primeira em geral a ser cortada seria Shrivel, por ser feitiço e não agregar nenhum segundo valor sobre a mágica, porém, vale notar que ela é quem possui o custo mais permissivo. 

 

Sobre as opções que faltam: 1 delas é voltada mais para o combate e dano, aumentando o poder de suas criaturas, enquanto outra é voltada para a utilidade dela em outros casos.


Qual delas escolher? 
 

Bem, isso depende de alguns fatores, mais os principais seriam: Metagame e o Resto da sua lista.


Se na sua lista você tem poucas criaturas, por algum motivo decidiu colocar menos cópias de Lingering Souls que o comum, vocês devem concordar que o +1/+1 proporcionado pela Zealous Persecution não será de grande utilidade. Porém, se você costuma usar 3-4 Lingering Souls, tem uma contagem de criaturas maior, e o metagame aponta que poderão ter várias estratégias baseadas em criaturas, ela é a boa, pois te faz vencer combates, em geral.

 


O Golgari Charm já olha para um ambiente mais geral, salvando suas criaturas contra um deck control, destruir encantamentos quando usam, o -1/-1 para se livrar de criaturas pequenas etc. Note que o Golgari Charm não desempenha nenhum desses papéis com primor. O Zealous é superior na troca de criaturas, o "salvar criaturas" é um regenerar que não funicona contra muitos prime removals do formato (que são de exílio ou não deixam regenerar) e, por fim, ele destrói apenas um encantamento, enquanto um simples Naturalizar seria melhor. A grande jogada é que o Golgari charm, apesar de não cumprir com primor, ocupa apenas 1 slot do seu sideboard.

 

Dito isso, a escolha cai novamente sobre o piloto do deck sobre o que ele espera do formato e o que ele conhece do próprio baralho.


Por fim, vamos voltar a ideia central do texto. A ideia de olhar 75 e nao 60, vem da ideia que o sideboard é uma extensão do seu baralho. E seria de grande utilidade que ambas as partes estivessem em sincronia e seguissem a mesma estratégia. 

 

Voltando aos casos lá do começo:

 

"- Jogador de Junk Midrange baixando um Rest in Peace contra um Jeskai control (antes de existir Nahiri, the Harbinger) para que o Snapcaster Mage perdesse o efeito. Só no meio da partida que ele notou que seu Tarmogoyf e Lingering Souls foram muito prejudicados (duas cartas muito importantes na match). "

 

Por que o jogador do Junk não utilizou uma Nihil Spellbomb no lugar do RIP? Ela possui menos força bruta, pois funciona só uma vez, limpando o grave do oponente e impedindo apenas um Snapcaster Mage, porém, ela não fere seu cemitério, para deixar suas Lingering Souls intactas e adiciona o tipo artefato no seu cemitério para deixar seu Tarmogoyf ainda maior. O importante entender aqui é: Apesar da carta ser mais fraca em poder própriamente dito, ela é mais poderosa com a estratégia do deck.

 

No segundo caso:

 

"- Jogador de Burn sobe Blood Moon contra tron. Joga o encantamento no 3, e fica sem mana branca para conurar seus 2 Boros Charm e 1 Lightning Helix na mão. O jogador de tron chega ao sexto land, faz Wurmcoil Engine e vence a partida a partir daí. (O jogador de Burn, não tinha basicas além de montanhas no deck)."

 

Novamente temos uma carta de poder muito bruto que realmente trava o jogo do Tron, porém, ela não tinha boa sinergia com a estratégia do dono da carta. Se o jogador do burn esperava encontrar Trons durante o torneio, talvez a escolha mais sábia fosse utilizar Molten Rain, que atrasa seu oponente em um turno e contribui para os danos que ele recebe. O Burn não precisa travar o Tron para sempre, apenas tempo o suficiente que seu oponente esteja sem life. E geralmente 1 ou 2 turnos são o suficiente para isso.

 

O caso 3 segue a mesma ideia, outra carta poderia ser utilizada. Talvez com poder bruto menor, mas com uma melhor sinergia com o deck. Outra opção seria subir os Stony Silence, mas tirar o AEther Vial, você abriria mão de uma vantagem, para conseguir outra maior.

 

Os casos 4 e 5 por sua vez mostram despreparo do jogador para com a match. Talvez falta de treino ou então desconhecimento do metagame.

 

Antes de terminar, gostaria de frizar algo importante: Não existe vergonha em errar. Todos os jogadores já erraram em algum ponto ou alguma medida. O importante é aceitar que o erro foi seu e trabalhar para melhorá-lo, e assim, se tornar um jogador melhor. 

 

Até a próxima pessoal

 


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Comentários

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jonathannassur (20/03/2017 17:02:46)

Hahahahahaha vdd coinciďência

sanase (20/03/2017 09:07:16)

a maioria dos links de cartas estao jogando pra ambiente admin

Ricardo_R_JR (19/03/2017 09:42:23)

Acho que vc praticamente disse o que eu disse. hehehehe

edrd (17/03/2017 20:39:24)

Curti muito o tema o artigo no geral, apesar de achar que ele terminou cedo demais.

Gostaria de ver mais artigos assim, talvez com dicas in/out que nem sempre são fáceis de achar.

morgoth_lotr (17/03/2017 18:50:19)

Timing interessante, hj mesmo discuti com um colega que queria usar Ray of Revelation no seu dredge pra poder combater Rest in Peace e Leyline preta... sem perceber que com essas em jogo Ray of Revelation não iria para o grave pra poder castar pelo recapitular.

Mudanças no maindeck muitas vezes são apostas e metacalls... mas acertar os ins&outs do SB requerem muita experiência e preparacao.

Nodnora (17/03/2017 17:28:42)

Mais um post sensacional. Parabéns Gabriel!!

jonathannassur (17/03/2017 11:11:29)

Excelente tema Gabriel parabéns pelo artigo, seguindo esse mesmo raciocínio eu jogo de grixis delver, e notei que em alguma configurações utilizava-se de blood moon de side, nesse deck em específico, você tem que utilizar três fetchs para acertar a curva de terreno básico para conjurar blood moon e ter um jogo "tranquilo", mas no metagame notava que o preço era alto para um efeito relativamente pequeno para se proteger de tron, etc. Notei que crumble to dust é uma mana a mais, mas o seu efeito é bem mais devastador, e não tinha que configurar todos os turnos para conjura-la assim como blood moon, além de ser um card infinitamente mais barato em valores seu efeito no metagame local é mais eficiente. Acho que os erros que os jogadores cometem são erros bobos, mas na maioria vem de desconhecimento do meta ou pela falta de treino em torneios locais, muitos copiam decks campeões na net, mas nem sempre a sinergia do que rola lá fora irá rolar aqui!!! Abxx man, belo artigo...

surfe (17/03/2017 11:09:21)

Bem interessante essa discussão do SB. O que vejo no geral é que o pessoal monta o main deck 100% focado na estratégia do deck e o side contra match ou situações específicos. No geral é como vc disse, as vezes uma carta de PL menor tem interação mais favorável com o deck. Do q estudei sobre o side conclui q o side pode ter algumas outras funções básicas:
-cobrir pontos fracos (incluindo hate contra hate)
-cobrir pontos específicos contra bad matchs
-hate contra principais decks do meta


Ricardo_R_JR (17/03/2017 10:22:47)

A construção e uso do sideboard requer tempo, dedicação, experiência e estudo do formato. Quando comecei a jogar de Grix Delver no Modern as listas usavam muito Blood Moon no sideboard. E sempre que eu subia a blood moon eu tinha que jogar e torno dela, no que em um deck de 3 cores é bastante complicado. Com o tempo passei a usar Fulminator Mage no lugar, é menos poderoso mas atrasa o adversário tempo suficiente para eu finalizar o jogo. Pouco tempo depois reparei que as listas passaram a aderir o uso do fulminator e não usam mais blood moon. Senti na pele o que é preciso ser feito numa partida para contornar uma (própria!) blood moon em campo. Certamente errei muito (e devo continuar errando as vezes).

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